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A Argentina era uma bola de segurança e vai receber o Mundial Sub-20 em maio, após Fifa tirá-lo da Indonésia

A Argentina tem estádios prontos e atravessa um momento de comoção com o futebol, o que deve auxiliar na realização do Mundial Sub-20 no país

Restando menos de dois meses para o início do Mundial Sub-20, a Fifa tirou da Indonésia os direitos de sediar o torneio. O país asiático havia sido designado como anfitrião ainda em outubro de 2019 e teve quatro anos para se preparar à competição, em que nem a morte de 135 torcedores num dos maiores desastres já ocorridos em estádios de futebol não colocou em xeque a recepção. Todavia, os protestos dos indonésios contra a participação de Israel no Mundial de Juniores fizeram a Fifa cancelar a realização do certame no país. E, diante da parca margem de manobra, a Argentina acabou escolhida como nova sede. Nesta segunda-feira, a entidade internacional confirmou que o Mundial Sub-20 será organizado nos estádios argentinos.

A Fifa não oficializou o motivo de retirar da Indonésia os direitos de sediar o Mundial, mas o contexto estava bem claro. Às vésperas do sorteio da competição, protestos públicos foram realizados por indonésios nas ruas de Jacarta contra a participação de Israel – classificado em campo, através do Europeu Sub-19. Mesmo políticos locais se manifestaram. O próprio presidente Joko Widodo se posicionou publicamente contra o time israelense, enquanto o governador de Bali se recusou a receber uma delegação de Israel. A Indonésia é o país muçulmano mais populoso do mundo e não possui relações formais com o governo israelense.

Diante do imbróglio, Gianni Infantino chegou a se reunir com Erick Thorir, antigo proprietário da Internazionale e atual presidente da federação indonésia. A Fifa optou por mudar o local de realização do Mundial, embora existam chances de outras sanções à Indonésia. O Mundial Sub-20 costuma ser concedido a países em desenvolvimento no futebol e fazia sentido apostar nos indonésios, não apenas pela importância da economia local no contexto asiático, mas também pela paixão dos torcedores por futebol. Sem tempo para procurar nova sede, a Fifa precisou correr atrás de países mais acostumados aos grandes torneios – Argentina, Estados Unidos e Inglaterra eram destinos prováveis. Presidente da AFA, Chiqui Tapia havia contatado Infantino sobre a possibilidade em meio às disputas.

No fim das contas, a Argentina se torna uma sede conveniente para a Fifa. Primeiro, por ser um país com estádios prontos e chance de encher as arquibancadas – ainda mais pela empolgação com a conquista da Copa do Mundo em dezembro. É uma bola de segurança como foi o Brasil em 2019, quando precisou receber o Mundial Sub-17 de última hora após a impossibilidade de realizá-lo no Peru. Além disso, a seleção argentina não tinha conseguido se classificar em campo para a competição. Ganha um atalho e estará presente como país-sede, herdando a vaga que seria da Indonésia.

O Mundial Sub-20 terá seu pontapé inicial em 20 de maio. É uma edição do torneio que gera expectativas, por ser a primeira desde a pandemia. Brasil, Colômbia, Equador e Uruguai são os outros representantes sul-americanos, enquanto Inglaterra, França e Itália se classificaram entre os europeus, ao lado de Israel e Eslováquia. Fiji, Nova Zelândia, Guatemala, República Dominicana, Honduras, Estados Unidos, Japão, Iraque, Coreia do Sul, Uzbequistão, Gâmbia, Nigéria, Senegal e Tunísia completam a lista de participantes. Por enquanto, não foram divulgados os estádios argentinos que receberão as partidas – mas, por questões logísticas, a tendência é que o torneio se concentre na Grande Buenos Aires.

A Argentina é a maior campeã da história do Mundial Sub-20, com seis títulos, um a mais que o Brasil. Uma das conquistas mais célebres da Albiceleste aconteceu exatamente dentro de casa, em 2001, na única edição do Mundial realizada no país. As partidas se dividiram em Buenos Aires, Córdoba, Rosário, Mendoza, Salta e Mar del Plata. A decisão teve uma vitória por 3 a 0 dos argentinos sobre Gana – com um elenco que reunia nomes como Maxi Rodríguez, Andrés D’Alessandro, Javier Saviola, Leandro Romagnoli e Nicolás Burdisso, além do técnico José Pekerman. Em outras edições, o Mundial Sub-20 consagrou campeões como Diego Maradona e Lionel Messi. É representativo à Argentina e se reaviva em um momento de comoção nacional pelo futebol.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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