Argentina

60 mil lotaram o Monumental e ofereceram uma despedida inesquecível a Cavenaghi

Fernando Cavenaghi pode não ter sido o atacante mais técnico ou mais constante de sua época. Tinha um faro de gols inegável, mas atravessou diversos altos e baixos ao longo de sua carreira. No River Plate, porém, pouco importava o seu momento. Por sua dedicação e por sua estrela, o centroavante sempre carregará a gratidão em Núñez. Criado no clube desde os 12 anos, surgiu em um dos períodos mais vitoriosos, como um prata da casa implacável, autor de gols importantes em três títulos nacionais. Retornou como salvador, durante a penúria da segunda divisão, para reerguer os alvirrubros de volta à elite. E ainda viveria sua terceira passagem como um líder, referência na era de reconquistas, faturando o Torneio Final, a Copa Sul-Americana e a Libertadores. Na decisão contra o Tigres, vestiu a braçadeira de capitão e teve a honra de erguer a taça. O fim de um ciclo de muitas alegrias para o veterano no Monumental, ainda que sua carreira durasse mais algum tempo.

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A aposentadoria de Cavenaghi aconteceu no último mês de dezembro. Uma séria lesão no joelho o levou a optar pelo fim da carreira, embora viesse se destacando no Apoel Nicósia. O corpo cobrava o seu preço, aos 33 anos. Mas, apesar do ponto final no Chipre, a despedida definitiva tinha mesmo que acontecer dentro do Monumental. Dentro daquela que foi sua casa por tantos anos. E assim se cumpriu neste sábado, com arquibancadas lotadas para o último gesto de carinho dos Millonarios. Quase 60 mil agradeceram tudo o que o centroavante ofereceu. Mais do que os gols, principalmente sua dedicação em fazer do River Plate um clube ainda maior.

O jogo festivo contou com uma recepção digníssima ao velho craque, com as arquibancadas adornadas por dezenas de bandeiras. A multidão gritava o apelido do “Torito” e do “Cavegol”. Em campo, várias lendas do River Plate desfilaram sua maestria – entre eles, Enzo Francescoli, Ariel Ortega, Marcelo Gallardo, Pablo Aimar e Javier Saviola. Cavenaghi deixou a sua marca quatro vezes. Anotou, inclusive, um gol de calcanhar, sua velha especialidade. Já ao final, mais emoção. Sob uma enorme queima de fogos de artifício e as luzes dos celulares, o veterano se despediu com uma volta olímpica ao redor do gigante de concreto. Foi quando pôde sentir o carinho de maneira mais evidente, de todos que estavam ali por ele.

“Apenas tenho palavras de agradecimento. Estou orgulhoso de ser torcedor do River Plate, de ser parte desta instituição. Nunca vou deixar este clube. É uma homenagem, não uma despedida. Isso é para a minha vida, levarei para sempre. Foi a noite de sonho, sou um privilegiado e nunca teria imaginado isso. Agora irei ao Paraguai, onde acompanharei o time no jogo pela Libertadores”, declarou, sob lágrimas.

Em três passagens pelo River Plate, Cavenaghi somou 212 partidas e 112 gols. Conquistou nove títulos. Sua importância ao clube, porém, é incalculável. Algo possível de se medir apenas com uma noite gigantesca como a vivida neste sábado. Uma gratidão que o River Plate carregará por décadas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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