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Após anos atirando para todo lado, o Palmeiras parece ter acertado na mosca ao trazer Viña

Ao longo dos últimos anos, o Palmeiras investiu mais dinheiro em volume de contratações do que necessariamente em qualidade. E isso se percebia, entre outros setores, na carência alviverde na lateral esquerda. Vítor Luis retornou após um bom empréstimo ao Botafogo, mas não conseguiu uma sequência, e Diogo Barbosa, mesmo badalado após sua passagem pelo Cruzeiro, já não convencia tanto. Na alta rotatividade da posição, o clube deixou de aproveitar uma grande promessa como Luan Cândido. No entanto, parece acertar em cheio na aposta realizada para 2020. Grande revelação do futebol uruguaio no último ano e eleito o melhor jogador do campeonato local, Matías Viña chega com vínculo até 2024.

Segundo informações do Nosso Palestra, o Palmeiras pagará €5,5 milhões pela contratação de Viña, adquirindo 60% de seus direitos. Com passaporte italiano, o uruguaio era especulado por clubes europeus e o Milan chegou a entrar na corrida por sua transferência. No Allianz Parque, o jovem deverá ganhar mais sequência, algo importante ao seu crescimento.

O Palmeiras adota uma política bem mais contida nesta janela de transferências. A ordem na Academia é se desfazer de jogadores que não rendiam, aproveitar melhor as peças à disposição e evitar novos gastos excessivos. Não à toa, as principais novidades na equipe de Vanderlei Luxemburgo se concentravam entre jogadores da base, outros recuperados de lesão ou ainda aqueles reencaixados no esquema tático. Viña foi o primeiro contratado pelos alviverdes para 2020. E, a princípio, compensa seu valor.

Formado pelo Nacional de Montevidéu, Viña não possui muita rodagem com a equipe principal. Aos 22 anos, dá para considerar que o lateral até demorou a se firmar no primeiro nível. Em compensação, sua escalada é meteórica. Novidade entre os titulares tricolores para 2019, ele também se colocou entre os melhores jogadores da equipe. Tornou-se um ponto de referência na conquista do Campeonato Uruguaio, com regularidade ao longo da campanha e equilíbrio em suas apresentações.

O desempenho de Viña com o Nacional, inclusive, não passou despercebido por Óscar Tabárez. O treinador não só passou a convocar o novato para a seleção uruguaia, como também o colocou entre os titulares durante os amistosos do último semestre. Mas não que fosse um desconhecido da Celeste: o jovem integrou a seleção sub-20 que conquistou o Campeonato Sul-Americano de 2017 e que alcançou as semifinais do Mundial no mesmo ano. Na época, era mais frequentemente usado como zagueiro. Chegou a atuar ainda adiantado no meio-campo.

Viña combina virtudes ofensivas e defensivas. Com bom porte físico e segurança na marcação, o lateral cobre bem o seu setor. Todavia, ao longo do Campeonato Uruguaio, evoluiu bastante no apoio e se mostrou mais eficiente nos cruzamentos e nas finalizações. Não à toa, foi uma das principais armas do Nacional durante o Torneio Clausura, aparecendo para armar e entrando na área para concluir. O defensor contribuiu com quatro gols e três assistências em 12 partidas, em embalo que o permitiu também dar suas duas primeiras assistências com a Celeste.

O pouco tempo de amostragem no nível profissional, ainda mais em um campeonato modesto como o Uruguaio, pode servir de contra-indicação ao Palmeiras – um clube já escaldado nesse tipo de situação. Viña, ao menos, parece mais confiável neste ponto que o caso de Borja. Por ser um jogador jovem, pode se desenvolver. Além disso, na lateral, também fica bem menos exposto por seu rendimento ofensivo. Até porque uma das principais preocupações dos palmeirenses na lateral esquerda está na maneira como o setor ficou desprotegido nos últimos tempos. Contar com um atleta sólido na marcação vale bastante ao time.

Por sua idade e por seu potencial de ir à Europa no futuro, Matías Viña pode ser visto como um investimento do Palmeiras. Sua possível venda tem totais chances de compensar os gastos dos alviverdes neste momento. Entretanto, bem antes de pensar nestes passos, o time poderá usufruir de um dos melhores prodígios do continente – e numa posição geralmente carente ao redor do mundo. A expectativa é naturalmente alta. A um clube que almeja grandes títulos, as contratações precisam realmente melhorar o nível da equipe titular. Pelo que se viu no Nacional, Viña chega para isso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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