América do Sul

Após acionar o TAS, Alianza Lima tem seu rebaixamento revogado e volta à elite do Peruano no tapetão

O Alianza Lima havia atingido o fundo do poço em 2020. Pela primeira vez em 80 anos, algo ainda inédito em tempos profissionais, os Potrillos foram rebaixados no Campeonato Peruano. Entre os clubes mais tradicionais do continente, o Alianza pagou por decisões ruins, com mudanças constantes na direção e escolhas equivocadas para o elenco. O time entrou em espiral e, sem corresponder, se entregou à péssima sequência, perdendo a chance de salvação na última rodada. Porém, a diretoria ainda pegou um atalho para permanecer na elite do Peruano. Nesta quarta, o Tribunal Arbitral do Esporte determinou o rebaixamento do Carlos Stein por uma irregularidade financeira, o que terminou por salvar os blanquiazules.

Ainda em 2020, o Alianza chegou a ensaiar um tapetão. O clube apresentou uma queixa à federação, pedindo os pontos da rodada final contra o Sport Huancayo. Os aliancistas perderam por 2 a 0 no Estádio Nacional de Lima, mas alegavam que os adversários não cumpriram os protocolos sanitários. A entidade nacional não aceitou a reclamação. Então, o caminho tomado seria outro, com a punição ao Carlos Stein, concorrente que terminou um ponto à frente dos blanquiazules na campanha passada.

O Carlos Stein atrasou salários, o que violaria o Regulamento para Concessão de Licenças da Federação Peruana de Futebol. O próprio Alianza Lima apresentou as denúncias e a federação decidiu não punir o Carlos Stein. Diante da decisão, os aliancistas acionaram o Tribunal Arbitral do Esporte e a corte definiu que a FPF deveria realmente penalizar o Carlos Stein por sua infração, com a dedução de dois pontos. Assim, os blanquiazules terminaram à frente na tabela de 2020 e conseguiram a salvação.

A federação se pronunciou nesta quarta, declarando que acatará a determinação do TAS. Já o Carlos Stein promete brigar na justiça comum da Suíça para reverter a decisão da corte esportiva. Em comunicado oficial, a diretoria do clube apontou que não existia medida cautelar sobre a temporada passada e, por isso, a resolução do TAS não pode ser executada. Para a agremiação, o que aconteceu em campo deve ser respeitado.

O grande entrave é que a atual temporada do Campeonato Peruano já começou. O Carlos Stein enfrentou o Alianza Atlético na primeira rodada e empatou por 0 a 0. Disputaria a segunda partida neste final de semana. Já o Alianza Lima ainda aguardaria o início da segundona. O Carlos Stein justifica que a decisão do TAS não ordena que a equipe seja substituída na primeira divisão pelo Alianza. Entretanto, com a perda de pontos em 2020, o rebaixamento é compulsório e os carlistas deveriam dar seu lugar aos aliancistas na elite. A FPF designou uma comissão especial para cuidar do retorno dos blanquiazules à primeira divisão, mas ainda não anunciou publicamente se o Carlos Stein foi mesmo rebaixado.

E as reclamações no futebol peruano são mais profundas e não se concentram a apenas Carlos Stein ou Alianza Lima. Diretor esportivo da Universidad San Martín, Álvaro Barco atacou a má gestão na FPF. “É um papelão o que fizeram, falo em termos gerais sobre a imagem a nível internacional. Você acredita que o futebol peruano chegou no fundo do poço, mas cada vez encontramos mais barbaridades. O Alianza conseguiu o que todos sabíamos que era evidente. A má sorte do Carlos Stein é que o afetado era o Alianza Lima, mas umas três ou quatro equipes cometeram irregularidades. A federação foi exigente com alguns clubes e com outros não. Os regulamentos não são iguais para todos”, afirmou, à Rádio Ovación.

O Alianza pode ter sua razão, como aponta o TAS, mas também adotou uma postura vergonhosa de não admitir o fracasso esportivo e tentar diferentes meios para escapar do descenso. No fim, a atitude também reflete a bagunça interna no campeonato e a vulnerabilidade existente. Não seria surpreendente se outras irregularidades fossem descobertas e atravancassem de vez a atual temporada. Com poder e bons advogados, os aliancistas encontraram sua tábua de salvação. A corda estourou para o lado mais fraco, o modesto Carlos Stein, fundado em 2012 e estreante na primeira divisão.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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