América do Sul

A volta dos caciques

O clichê de que futebol é momento continua sendo reafirmado nas mais diversas instâncias. Há dois meses o Colo-Colo estava à beira de uma crise. A equipe chilena havia sido eliminada da Copa Sul-Americana pelo pequeno Universitário de Sucre e condenada a mais um ano sem glórias internacionais – desde a Recopa de 1992 o Colo-Colo não fatura um troféu fora das fronteiras chilenas. Com o fracasso, uma enxurrada de críticas se abateu sobre o elenco, e até mesmo a saída do técnico Diego Cagna foi cogitada após empate com o Ñublense e derrota para o Audax Italiano nas duas rodadas seguintes à eliminação na Sul-Americana. 

Hoje os caciques não poderiam estar mais felizes. Revigorados pela entrada do meia Cristobal Jorquera, 22 anos, a equipe voltou a vencer e enfileirou cinco triunfos seguidos no torneio. Antes da 25ª rodada, Jorquera tinha jogado apenas 311 minutos divididos em dez partidas. Depois dela o jovem chileno não saiu mais da equipe titular, fez seis gols e se tornou o maestro da equipe nesta nova sequência positiva.

A melhor atuação, no entanto, veio justamente naquele que era um dos jogos mais importantes deste final de temporada. No clássico contra a Universidad Católica, perseguidora direta no caminho do título chileno, Jorquera chamou a responsabilidade de ser o maestro do time; foi às redes adversárias por duas vezes, ditou o ritmo do meio de campo cacique e, com justiça, foi eleito o melhor em campo.

Os números e os jogos mostram que a entrada do jovem armador chileno de fato foi decisiva. No entanto, ela veio apenas com a contusão do meia titular, o colombiano Macnelly Torres, que enfrentava críticas já há algum tempo, mas que continuava como peça intocável, graças à sua fama, e à falta de confiança de Cagna no futebol de Jorquera. Hoje, o técnico do Colo-Colo deve estar agradecendo aos céus; tanto pelo “infortúnio” de ter perdido Torres, como pelos tropeços dos adversários na corrida pelo troféu.

Antes da rodada desta sexta-feira, a 29ª, o time chileno estava seis pontos à frente da Universidad de Chile e sete da Universidad Católica, uma vantagem que dá boas perspectivas para o título, levando-se em conta que restam apenas seis partidas para o fim do campeonato. O título por si só não é suficiente para trazer as glórias dos tempos de campeão da Libertadores em 1991, mas ao menos apagaria o vexame na Sul-Americana, colocaria a equipe em paridade com o Universidad de Chile, semifinalista da Libertadores, e por fim daria novas esperanças de um futuro melhor em 2011.

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Equipe Trivela

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