A seleção da Venezuela perde bastante com a saída de José Pekerman, após somente dez jogos à frente da Vinotinto
Pekerman chegou à Venezuela no fim de 2021 e dava pinta que conduziria um longo projeto, mas encerrou o trabalho em meio a uma troca de acusações
Durante a reta final das Eliminatórias, a Venezuela ganhou um treinador capaz de elevar o patamar da seleção para os próximos anos. José Pékerman vinha de um trabalho louvável à frente da Colômbia e possuía no currículo, além da capacidade de exibir um bom futebol, também um conhecimento enorme sobre categorias de base. Entretanto, apenas dez partidas depois, a relação se encerra. Nesta quarta-feira, a federação venezuelana publicou um comunicado em que confirma o fim do vínculo. Segundo a imprensa argentina, o próprio treinador teria tomado a decisão, por causa de acordos não cumpridos pelos dirigentes locais.
Conforme a versão de Pekerman, nem todos os valores prometidos estavam sendo pagos a ele. Também existiam lacunas no projeto esportivo. Do outro lado, a FVF aponta o dedo para Pekerman. Segundo a imprensa venezuelana, o técnico também não agiu da melhor forma com a Vinotinto. A federação avaliou que alguns dos gastos exigidos pelo comandante eram injustificáveis, inclusive com assistentes. Além disso, outro imbróglio envolvia a participação do empresário Pascual Lezcano, agente do próprio treinador, como diretor de seleções. Uma auditoria encontrou irregularidades no trabalho do dirigente, inclusive com valores que desapareceram do caixa. A imprensa local também indica que não existiam salários atrasados, já que Pekerman teria recebido seu primeiro ano de pagamentos de forma antecipada.
“A Federação Venezuelana de Futebol comunica oficialmente a finalização da relação de trabalho com Pascual Lezcano e José Nestor Pekerman. Para a FVF, é fundamental que todos os que compõem nossa equipe de trabalho compartilhem os mais altos padrões de compromisso e entrega. Para tanto, seguiremos trabalhando para garantir que esses padrões se cumpram, dando o melhor por nosso esporte, com profissionalidade, seriedade e rigor”, declarou a nota.
Pekerman assumiu a Venezuela em novembro, antes das quatro últimas partidas das Eliminatórias. A Vinotinto chegou a golear a Bolívia por 4 a 1 na estreia do comandante. Porém, perdeu os últimos jogos para Uruguai, Argentina e Colômbia. Desde então, os venezuelanos disputaram apenas amistosos. Conseguiram resultados interessantes, com destaque à vitória por 1 a 0 sobre a Arábia Saudita em junho. Também derrotaram Síria, Emirados Árabes Unidos e Malta. O empate com o Panamá também não foi ruim, com a única derrota limitada a um triunfo da Islândia por 1 a 0.
Não é de se duvidar que a saída da Venezuela encerre a carreira de treinador de Pekerman. Aos 73 anos, o argentino talvez prefira apenas um cargo diretivo, se não quiser anunciar a aposentadoria definitiva do futebol. O veterano sequer teve pressa para conseguir um trabalho nos últimos tempos. Tinha ficado três anos sem time, até assumir a Colômbia em 2012. Após seis anos à frente dos Cafeteros, também completou três anos até aceitar a oferta da Venezuela. Mas o que aparentava ser um projeto amplo, pela decisão do treinador, parece cair por terra rapidamente.
Já a Venezuela precisa encontrar um rumo para não desperdiçar a boa geração que tem à disposição. Nomes como Wuilker Faríñez, Yangel Herrera, Yeferson Soteldo, Darwin Machís, Jefferson Savarino e Josef Martínez seguem com idade para almejar a próxima Copa do Mundo. Por enquanto, o nome mais forte nas especulações é o de Rafael Dudamel, figura histórica da Vinotinto por seus períodos como goleiro e também treinador. O comandante conduziu a Venezuela ao vice no Mundial Sub-20 e teve bons momentos com o time principal nas Eliminatórias, mas não teve o salto esperado por clubes.
O cenário atual se mostra mais aberto para a Venezuela em busca da Copa do Mundo, com o aumento de vagas. Contudo, a Vinotinto precisa de um técnico confiável que aproveite os talentos à disposição. Talvez essa seja a grande chance dos venezuelanos de buscarem o Mundial, até porque vai saber qual a qualidade das próximas gerações. Pékerman passava confiança não apenas de aproveitar essas figuras, como também de potencializar as promessas vindouras. O que não mais ocorrerá.



