América do Sul

A sangue e suor… A glória!

Nem Caracas, nem Maracaibo e tampouco o Deportivo Táchira. O campeão do Clausura 2011 na Venezuela é o Zamora Fútbol Club. Nem jogadores de alto valor no mercado, nem técnico de grife. O campeão é o humilde Zamora. Nem trabalho de longo prazo, nem salários pagos em dia – muito pelo contrário, aliás. O campeão é o unido e aguerrido Zamora.

Foi com esses predicados e sob todos esses paradoxos que a equipe de Barinas, cidade de pouco mais de 250 mil habitantes, se tornou campeã venezuelana no último domingo. O jogo decisivo foi uma verdadeira final em pontos corridos, já que o adversário era o Caracas, que estava a apenas um ponto do líder. O grande Caracas, 11 vezes campeão nacional e representante do país na Libertadores, contra o pequeno Zamora, uma vez campeão da Copa nacional – em 1980 sob o nome de Atletico Zamora – e que havia terminado o Apertura 2010 na penúltima colocação. Mais, na penúltima colocação com salários cinco meses atrasados e uma equipe moralmente destruída.

Em janeiro de 2011, entre rumores da saída do técnico José de Jesús “Chuy” Vera e de jogadores cogitando acionar a justiça por seus pagamentos, todos se uniram. Em uma conversa com seus companheiros de time, o meiocampista e capitão Vicente Suanno disse: “Sim, é verdade que estamos com salários muito atrasados e que não estamos em uma boa posição na tabela. Mas para muitos seria mais difícil se livrar do contrato. Então vamos falar claro: Ou nos deixamos morrer ou vamos em frente com isso”. Ao grito de união de Suanno veio o apoio de Chuy Vera, que mediou um acordo de cavalheiros entre direção e jogadores para que os dirigentes buscassem recursos enquanto o time continuaria dando a vida dentro de campo.

E assim foi feito. Armado num 3-5-2 que era facilmente adaptável ao 5-3-2 sem a bola, o Zamora manteve o estilo de jogo idealizado por seu treinador. Passes curtos, rasteiros e movimentação constante com a bola, pressão e defesa alta sem ela. Uma fórmula que funcionou e funciona há tempos nada mais, nada menos do que no melhor time do mundo. Pois é. Chuy com toda a sua ousadia implementou esse tipo de jogo no pequenino Zamora e foi bem sucedido.

Na décima rodada a equipe assumiu a ponta da tabela e, nos sete jogos seguintes, não largou mais. Em toda a campanha foram 17 jogos, com 13 vitórias, 3 empates 1 derrota, 37 gols marcados – melhor ataque – e 10 sofridos – melhor defesa. Os números mostram a consistência coletiva da equipe, que ainda teve como destaques individuais a dupla de atacantes Juan Vélez e Jonathan Copete, que marcaram dez gols cada.

A vitória obtida no último domingo foi a expressão de toda a luta e superação dos blanquinegros. Afinal de contas, nada melhor para provar os méritos de toda essa luta e entrega do que ganhar o título sobre um gigante do país. O 1 a 0 no placar foi magro, mas o suficiente para extravasar da garganta de toda a torcida a alegria de ser campeão nacional pela primeira vez. No vestiário, o grito dos jogadores foi emblemático: em vez do tradicional “dale campéon, o o o…” eles entoaram “gracias a Dios, o o oo…”.

Tuitadas da Libertadores

Santos 1×1 Once Caldas: O Peixe começou com tudo, mas o Once “Renteria” Caldas chegou ao empate e deu algum trabalho. Um sufoco no final, mas nada demais

Cerro Porteño 1×0 Jaguares: Em um jogo pra lá de ruim, foi o Cerro quem se deu melhor na pixotada da zaga mexicana. É azarão na briga com o Santos

Libertad 2×4 Vélez Sarsfield: Os argentinos foram demais para os jovens paraguaios. Grande subida do Vélez e grande futebol do Libertad, que foi sempre ao ataque

Universidad Católica 2×1 Peñarol: Certos estereótipos insistem. Peñarol “copero” é um deles. Novamente Católica melhor, mas uruguaios ganharam. Arranca-rabo contra Vélez.

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Equipe Trivela

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