A raça da Ponte não é por um mero título, mas pela história
A Ponte Preta é um dos clubes de história mais rica do Brasil. São 113 anos de história com diversos momentos de pioneirismo e de valorização do interior. As grandes glórias, porém, sempre foram lacunas em uma trajetória tão notável. A Macaca quase sempre chegou a decisões, mas ficou marcada por esbarrar e não levar os títulos mais importantes que disputa. Em sua sala de troféus, as principais conquistas são do Paulista do Interior. Uma situação aquém de sua história, que pode mudar logo em sua primeira competição internacional.
Eliminatória após eliminatória, a Ponte parece ter real dimensão da representatividade que a Copa Sul-Americana pode ter para ela. A vitória sobre o Vélez Sarsfield em Liniers já tinha sido um feito e tanto. Mas o que os campineiros fizeram nesta quarta-feira no Morumbi foi ainda maior. O triunfo por 3 a 1 só serviu para engrandecer a entrega do time, de um empenho imenso para virar o placar e evitar uma reação do São Paulo. A chuva forte que caía na capital paulista reforçou ainda mais os ares do épico.
A salvação no Campeonato Brasileiro só é garantida pelos matemáticos. Na prática, é quase impossível que aconteça. E a Macaca parecia já ter consciência desse caminho duríssimo ao dar tanto sangue para passar pelo Vélez. Rebaixamentos e acessos no Brasilierão vêm e vão para os pontepretanos. A organização do clube é suficiente para que ele suba logo menos na Série B. Já uma nova façanha internacional pode não acontecer tão cedo. É por isso que a Ponte Preta joga: pela história.
Isso ficou claro na raça imensa do time contra o São Paulo. Parecia mais um time que lutava por Libertadores no Brasileiro do que um que está praticamente rebaixado. O suor vinha em cada lance. Os gols podem não ter sido um primor de beleza, mas valeram essa entrega. E prêmio maior foram as tentativas dos tricolores que não entraram no final do jogo, com uma sequência de bolas salvas sobre a linha, além de um milagre do goleiro Roberto.
O silêncio que tomou conta do Morumbi foi emblemático. Nos minutos finais, só se ouvia a torcida da Ponte Preta. Os gritos de ‘olé’ e de exaltação dos jogadores eram uma ironia imensa. Se o São Paulo brigou para tirar o mando de campo da Macaca no Moisés Lucarelli, os pontepretanos mostravam que a vontade era independente do estádio. Longe de casa nos dois jogos, a vaga na final é mais do que palpável.
É lógico, ainda faltam 90 minutos e, com um time superior, o São Paulo tem chances de reverter a situação. No entanto, vai ser difícil que a fome dos tricolores supere a dos pontepretanos por esse título. Se a Ponte chegou a se dispor a “comer cuspe” na competição, um pouco mais de sangue e de suor não será nada para os campineiros. As lagrimas de orgulho após o apito final no Morumbi demonstraram isso.



