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A primeira Copa está cada vez mais próxima para a Venezuela

“Las operaciones y los cambios se hacen en la victoria, no en la derrota. La adversidad es el momento de observación de las cosas”. A frase que abre a coluna desta semana é de Marcelo Bielsa, um dos maiores treinadores da história do futebol mundial, mas também um dos mais acostumados às derrotas. O aforismo cabe muito bem à seleção da Venezuela.

Apesar de uma campanha fantástica, de jogar com protagonismo e ter cada vez mais uma identidade para seu futebol, os venezuelanos devem ficar fora do Mundial do Brasil. A Vinotinto tem chances ainda, mas elas são remotas. Com 19 pontos e na sexta posição, a Venezuela precisa vencer o Paraguai e torcer para que o jogo Equador e Uruguai, que será disputado em Quito, tenha um vencedor. Além disso, precisa tirar uma diferença de saldo que hoje é de seis gols para o Uruguai e dez para o Equador. Se tudo isso der certo – vitória por goleada contra o Paraguai e um vencedor com bom placar entre equatorianos e uruguaios – a Venezuela ainda precisará torcer para que o derrotado naquela partida perca também o último jogo das Eliminatórias. La Tri enfrenta o Chile fora de casa, enquanto a Celeste joga com a Argentina em Montevidéu. Isso para ir à repescagem. Ou seja…

O sonho de participar pela primeira vez de uma Copa do Mundo está distante, mas ele poderia nem existir caso os venezuelanos não mostrassem o que realmente queriam na última terça-feira. Contra o Peru em Puerto La Cruz, somente a vitória interessava. A torcida sabia disso e lotou o estádio General José Antonio Anzoátegui. O técnico César Farias sabia disso e escalou um time extremamente ofensivo num 4-1-4-1 com dois laterais de bom apoio, dois meias e três atacantes. Tomás Rincón foi o único volante da equipe para que Orozco, Maestrico González, Juan Arango e Josef Martínez chegassem à frente para auxiliar o centroavante Salomón Rondón.

Os peruanos também precisavam de uma vitória e o esquema ultra-ofensivo da Vinotinto, apesar de resultar em uma grande pressão dos donos da casa, ofereceu o contragolpe à Bicolor, que abriu o placar com Hurtado. Não havia alternativa senão seguir atacando e a Venezuela conseguiu o que precisava. Rondón, Maestrico González e Otero marcaram os gols que deram a vitória por 3 a 2 aos donos da casa.

Ao final do confronto os jogadores e a torcida comemoraram muito. Uma celebração inócua do ponto de vista pragmático, já que dificilmente resultará na tão sonhada Copa, mas que tem um significado muito maior. Pelo segundo ciclo consecutivo os venezuelanos ficam a uma vitória ou menos de ir a um Mundial. Nas Eliminatórias para 2010 a equipe teve 22 pontos e foi a oitava colocada. Se vencer o Paraguai chegará aos mesmos 22, mas com dois jogos a menos, uma vez que a edição para 2014 não teve o Brasil. Isso dois anos depois de conquistar o quarto lugar na Copa América, melhor resultado da história do país. Além disso, dentro de campo o time mostra atitude de protagonista e agora também capacidade de mudança.

Se em outros tempos o trabalho dos treinadores da Venezuela era limitado pela quantidade de bons jogadores e estilo destes, atualmente a questão é bem diferente. Contra o Chile a Vinotinto teve a sua formação usual do 4-2-3-1. O resultado não veio, mas quatro dias depois César Farías trocou quatro jogadores, o esquema, o posicionamento e venceu os peruanos. O crescimento é inegável e há razões para acreditar que ele não pare por aí.

Graças ao desenvolvimento dos jogadores em âmbito local – fruto da política de Hugo Chávez de investir em estruturas esportivas e dar melhor condições aos atletas -, mais talentos têm sido garimpados e outros já estão na Europa, jogando entre os melhores do planeta. A “exportação” de jogadores é um dos pilares da ideia de César Farías para o desenvolvimento do futebol local e o fato de a maioria do grupo atual ser formada por jovens dá lastro à hipótese de que a atual geração ainda vai melhorar. Dos 22 convocados para o duelo contra a seleção do Peru, 11 têm 25 anos ou menos e só quatro seguem no futebol venezuelano.

“Las operaciones y los cambios se hacen en la victoria, no en la derrota. La adversidad es el momento de observación de las cosas”. Não ir ao Mundial será uma derrota para a Venezuela, mas não é hora de mudar. É hora de observar. É hora de ver o progresso feito até aqui. Um gol a mais contra o Uruguai, um gol a menos contra o Chile e a Vinotinto estaria na Copa. Quem poderia imaginar algo próximo disso há dez anos?

Mais das Eliminatórias

A tabela da Conmebol ficou da seguinte forma após as rodadas 13 e 14.

Argentina………29 pontos (classificada)
Colômbia………….26 pontos
Chile………………..24 pontos
Equador…………..22 pontos
Uruguai……………22 pontos
Venezuela………..19 pontos (15 jogos)
Peru…………………14 pontos (eliminado)
Bolívia………………11 pontos (eliminada)(15 jogos)
Paraguai…………..11 pontos (eliminado)

As duas últimas rodadas

Equador x Uruguai
Colômbia x Chile
Venezuela x Paraguai
Argentina x Peru

Peru x Bolívia
Uruguai x Argentina
Paraguai x Colômbia
Chile x Equador

Mais Venezuelanas

Não tivemos rodada do campeonato venezuelano que segue com Zamora na liderança, com dez pontos, e quatro times empatados com nove pontos: Caracas, Mineros, Atlético Venezuela e Deportivo Anzoátegui.

Peruanas

– Fora de mais uma Copa do Mundo – no ano que vem serão 32 anos desde a última participação em um Mundial – o Peru tenta vislumbrar um caminho. O técnico uruguaio Sérgio Markarián disse que não seguirá com o trabalho após o fim das Eliminatórias. O sonho da Federação é ter Marcelo Bielsa no cargo.

– No Descentralizado, o Real Garcilaso lidera a Liguilla par com 58 pontos e o Univeristario é o ponteiro da Liguilla ímpar, com 54 pontos.

Colombianas

No Finalización colombiano o Atlético Nacional venceu o Quindio por 1 a 0 em rodada atrasada chegou a 19 pontos em sete jogos, ocupando a liderança do torneio. O Millonarios empatou com o Chicó por 1 a 1 e é o segundo, com 15 pontos.

– Os outros seis que hoje estariam classificados para os playoffs são: Santa Fe, Deportivo Cali, Junior, Itagüí, Patriotas e Once Caldas.

Paraguaias

O Paraguai também não teve rodada, de maneira que o Cerro Porteño lidera com 17 pontos, enquanto o General Díaz tem 13, mesmo número do Deportivo Capiatá, todos com sete jogos. O Libertad é o quarto, com dez pontos, mas dois jogos a menos. O Olimpia é o nono.

Equatorianas

Sem rodada o Segunda Etapa segue com o Emelec na liderança com 21 pontos em nove jogos, seguido pela Universidad Católica, que tem a mesma pontuação, mas um jogo a mais. O Deportivo Quito é o quinto colocado, com 17, a LDU é a nona e o Barcelona o décimo.

Chilenas

No Chile a Universidad Católica lidera o campeonato com 14 pontos em seis jogos. O Cobreloa é o segundo com 12 pontos. A Universidad de Chile ocupa a terceira posição com nove pontos.

Bolivianas

Na Bolívia, Bolívar e The Strongest dividem a liderança do campeonato, com 12 pontos em cinco jogos.

Uruguaias

Não houve rodada no Uruguaio, mas foi realizada a partida atrasada entre River Plate e Cerro Largo, que teve vitória do River por 3 a 1. A tabela tem River Plate, El Tanque Sisley e Nacional na liderança com nove pontos em três jogos. O Danubio é o quarto, o Peñarol o 13º e o Defensor Sporting o 14º.

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