América do Sul

Na terceirona há quatro anos, Delfín será o conto de fadas do Equador na Libertadores 2018

O domingo terminou em festa no Equador e na Venezuela. Ambos os países coroam apenas um campeão por ano, decidido em dezembro, com duelos entre o vencedor do Apertura e o do Clausura. Contudo, ganhar a metade inicial do campeonato vale não apenas a passagem para a final, mas também uma vaga na próxima edição da Libertadores. E a confirmação no torneio continental certamente é o que gerou mais festa em dois clubes pequeninos, que terão o gosto de participar da competição pela primeira vez. O Delfín é a grande surpresa no Campeonato Equatoriano, ao arrebatar o Apertura com uma rodada de antecedência, enquanto os grandes do país se voltam justamente às oitavas da Libertadores. Já o Monagas derrubou favoritos para se consagrar no Campeonato Venezuelano.

Fundado em 1989, o Delfín chegou a ser figurante costumeiro na elite do Campeonato Equatoriano até o início da década passada. A partir de 2001, no entanto, despencou na pirâmide da liga nacional e chegou à terceirona em 2008. Justamente para protagonizar uma ascensão ainda mais marcante. Campeã da terceira divisão em 2013, a equipe de Manta faturou a Serie B dois anos depois. No retorno ao nível principal, não impressionou tanto em 2016, satisfeito por fugir do rebaixamento e por fazer o artilheiro do campeonato nacional. Por isso mesmo, o conto de fadas completado neste domingo é ainda mais marcante.

O Delfín não encontrou concorrentes no Apertura. Conquistou o torneio de maneira invicta, com o melhor ataque e a melhor defesa. O excesso de empates no início da campanha até era uma preocupação, mas o desempenho geral foi irretocável, especialmente em seus domínios. São nove vitórias nos últimos dez jogos dentro do Estádio Jocay – o Emelec foi o único a arrancar o empate, e tomando um gol aos 47 do segundo tempo para definir os 3 a 3 no placar. Pressão em casa que auxiliou os azarões a confirmarem a conquista com uma rodada de antecipação. Neste domingo, a LDU Quito foi goleada por 4 a 1 em sua visita a Manta. Com o tropeço do Barcelona de Guayaquil, já visando a Libertadores, os golfinhos abriram nove pontos de vantagem. Asseguraram a inédita participação continental.

Treinador rodado no continente, o uruguaio Guillermo Sanguinetti é o comandante da proeza. Dono de métodos pragmáticos, conquistou o título após uma renovação do elenco para 2017, na qual ele mesmo era uma das novidades. Nem a saída do artilheiro Maximiliano Barreiro para o Necaxa atrapalhou o sucesso do Delfín. Com alguns jogadores estrangeiro e outros titulares que não vingaram em clubes de maior expressão, os golfinhos montaram sua equipe campeã.

Na defesa, o venezuelano Jhon Chancellor é o principal destaque, convocado à seleção de seu país nos últimos meses. Já na linha de frente, pesou o poder de decisão de Carlos Garcés e Roberto Ordóñez, dois equatorianos com passagens recentes pelas ligas de acesso do Campeonato Mexicano. Boas apostas da diretoria que renderam o título surpreendente e a estreia nas competições continentais. Agora, é ver o impacto disso no planejamento para o Clausura e para as finais em dezembro. De qualquer maneira, o feito deste final de semana já valeu a festa, com milhares de pessoas saindo às ruas da cidade para celebrar com o elenco.

A trajetória do Monagas, aliás, se assemelha bastante à do Delfín. O clube surgiu dois anos antes, em 1987, e não demorou a aparecer na primeira divisão. Chegou a ser vice-campeão nacional em 2002, assegurando uma vaga na Copa Sul-Americana. Foram três participações na competição continental, a última delas em 2012, quando uma crise institucional culminou no rebaixamento. Assim, os azulgranas também precisaram se reerguer na segunda divisão até retornar à elite em 2016. Já tinha terminado o último Clausura em terceiro, e completou a ascensão ao faturar o Apertura neste domingo.

Sexto colocado na fase de classificação, o Monagas primeiro surpreendeu o Zamora nas quartas de final. Diante de um rival que estava na Libertadores, os azulgranas venceram os dois jogos. Depois, eliminaram o Carabobo com dois empates, graças ao gol fora de casa. Já na decisão, o desafio era o tradicionalíssimo Caracas. Os azarões venceram o jogo de ida por 1 a 0, gol do jovem Samuel Barbieri, de apenas 18 anos. E na visita à capital, apesar da derrota por 2 a 1, o gol anotado pelo artilheiro Anthony Blondell foi o suficiente para a façanha. No elenco treinado por Jhonny Ferreira, destaque para a “colônia argentina”, com três jogadores albicelestes, assim como ao veterano goleiro Ángel González e ao atacante Luis González, presente nas últimas convocações da seleção venezuelana.

A Libertadores de 2017 já contou com diversos estreantes. Seis novatos disputaram do torneio, sendo que apenas dois foram realmente beneficiados pela expansão no número de times. É ver qual será o potencial de Delfín e Monagas no próximo ano. Não há dúvidas que ambos os clubes dão passos gigantes em sua história. A questão será ver o quanto suas pernas conseguirão sustentar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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