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A estreia contundente do Atlético-PR desabou com o empate cedido no final

O Atlético Paranaense parecia forjado a ferro e fogo na Copa Libertadores da América. Depois das penúrias nas etapas qualificatórias, o Furacão fazia grande estreia na fase de grupos. Jogava com autoridade e, depois de um grande primeiro tempo, anotou um golaço para ampliar a vantagem na volta do intervalo. Mas fazia, jogava, no pretérito imperfeito. Porque o sucesso do time de Paulo Autuori caiu por terra nos cinco minutos finais. A partir dos 40 do segundo tempo, a Universidad Católica balançou as redes duas vezes. Buscou o empate por 2 a 2 na Arena da Baixada, bastante lamentado a tudo aquilo que os rubro-negros apresentaram.

Definitivamente, era noite de Libertadores na Baixada. A torcida atleticana realizava uma belíssima festa nas arquibancadas e colocava pressão. Clima favorável que ajudou o Furacão a abrir o placar antes dos cinco minutos. A jogada começou em um lançamento cinematográfico de Thiago Heleno para Jonathan. O lateral chegou às proximidades da área e passou a bola para Lucho González, batendo no contrapé de Christopher Toselli. Mais uma vez o argentino, criticado em seus primeiros jogos, transformava-se em talismã na competição continental.

O Atlético jogava bola e convencia. Até via a Universidad Católica incomodar com a bola, mas a marcação dos paranaenses evitava maiores perigos. Tirando isso, a supremacia toda era dos rubro-negros. Thiago Heleno e Jonathan faziam grande partida na zaga. Gedoz ditava o ritmo do time, vertical em suas ações e explorando os erros. As chances iam aparecendo. E faltou apenas um pouco mais de capricho na conclusão para construir uma diferença ainda maior antes da saída para o intervalo.

Já na segunda etapa, o Atlético recuou um pouco mais, diante da postura ofensiva dos chilenos. Os medalhões da Católica começavam a aparecer com certa frequência. Mas não que o Furacão ficasse só acuado. Vez ou outra, os rubro-negros conseguiam ameaçar a meta de Toselli. Até Nikão brilhar, aos 30 minutos. O camisa 11 recebeu passe de calcanhar de Matheus Rossetto e soltou a bomba de fora da área, no ângulo. Golaço, que parecia garantir a vitória dos anfitriões.

Entretanto, o Atlético preferiu se entrincheirar. E a pressão da Universidad Católica, que já era grande, se tornou insuportável. Os Cruzados insistiam pelo lado esquerdo, onde Sidcley encontrava dificuldades na marcação. E, embora a culpa não deva ser colocada sobre o lateral, a falta de proteção custou caro ao Furacão, com José Pedro Fuenzalida comandando os ataques por ali. Uma boa trama permitiu que David Llanos descontasse, aos 40. Já aos 43, o cruzamento perfeito de Diego Buonanotte encontrou as redes graças ao desvio de Ricardo Noir – em lance que também culminou na expulsão de Maripán, por provocar a torcida. Já nos acréscimos, os rubro-negros perderam o ar quando Pablo acertou o travessão. Não puderam gritar o gol que daria a vitória.

O Atlético Paranaense tem tarimba e qualidade para almejar uma boa campanha na Libertadores. O sucesso, contudo, depende de sua postura. E o time não pode largar mão dos minutos finais depois de ser melhor durante boa parte do tempo. A passividade custou caro. Perderam pontos preciosos em casa, em um grupo que não aparenta dar muita margem ao erro.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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