América do Sul

A Copa Paraguai também teve zebra, com o título do Sportivo Ameliano, clube que estreou na elite em 2022

O Sportivo Ameliano escapou dos favoritos em sua chave, até encarar o Nacional e vencer nos pênaltis durante a final

Várias copas nacionais surgiram na América do Sul ao longo dos últimos anos. Se esse tipo de torneio não era tradicional em vários países do continente, a ampliação no número de vagas nas competições da Conmebol criou contextos favoráveis a eles. E quem agradece são os times menores, com uma chance de título que não tinham antes. Numa semana em que as zebras pintaram em diferentes países, na Copa Paraguai uma surpresa ergueu a taça: o Sportivo Ameliano é o novo campeão do certame. La V Azulada estreou na elite do Campeonato Paraguaio nesta temporada e terminou faturando a copa. Empatou por 1 a 1 com o Nacional de Assunção na final, antes de vencer por 4 a 3 nos pênaltis. O time se classifica à Copa Sul-Americana com a conquista.

A Copa Paraguai teve suas zebras em suas primeiras edições, mas não necessariamente na final. A lista de campeões do torneio desde sua criação, em 2018, se restringia a Guaraní, Libertad e Olimpia. Sol de America, outro clube tradicional, já tinha sido vice. Azarões como o Tembetary, da terceirona, nunca tinham conseguido passar das semifinais. Na atual edição, porém, foi diferente.

O Cerro Porteño é o único dos grandes que nunca chegou nem em semifinal da Copa Paraguai. Decepcionou de novo em 2022, ao cair nos 16-avos de final para o Rubio Ñu, atualmente na segunda divisão. De resto, os times tradicionais se mataram entre si numa chave bem mais pesada. O Libertad tirou o Olimpia nas oitavas, antes de cair para o Guaraní nas quartas. Já o algoz dos aurinegros foi o Nacional, na semifinal. Isso permitiu que o Sportivo Ameliano tivesse o caminho livre na outra chave.

A caminhada do Sportivo Ameliano começou nos 16-avos, com a classificação sobre o Deportivo Obrero, campeão departamental no interior. Depois, nas oitavas, passaram nos pênaltis pelo Benjamin Aceval, da quarta divisão. O único oponente da elite pintou nas quartas, com os 2 a 0 sobre o Guaireña. E a semifinal teria o Tembetary, da terceirona, que pelo segundo ano consecutivo chegava entre os quatro melhores da copa, mas perdeu por 2 a 1. La V Azulada guardaria o melhor para a decisão contra o Nacional, realizada no campo neutro de Encarnación. A final marcou a inauguração do Estádio Villa Alegre, com capacidade para 16 mil torcedores.

O favoritismo era óbvio do Nacional, não apenas pela tradição. O Tricolor vive um ótimo segundo semestre, em que briga ponto a ponto pelo título do Torneio Clausura do Campeonato Paraguaio com o Olimpia. Também já se assegurou na próxima Libertadores. O Sportivo Ameliano, que fez sua estreia no Apertura com a vice-lanterna, é o oitavo entre os 12 times do Clausura. La V Azulada corre o risco do rebaixamento na liga por causa do promédio. Não ia deixar passar a grande chance de sua história na Copa Paraguai.

O Sportivo Ameliano entrou em campo mais aceso na decisão. La V Azulada tinha mandado uma bola no travessão, antes de abrir o placar aos 35 minutos, num chute cruzado de Elías Sarquis. Entretanto, uma expulsão ainda no primeiro tempo tornaria a vida dos azarões mais difícil. O Nacional também meteu bola na trave na segunda etapa e empatou com uma cabeçada de Facundo Bruera. Já na melhor chance de virada, o Sportivo Ameliano sobreviveu com uma bola salva em cima da linha. Isso até que os pênaltis provassem a competência dos pequeninos. Cristian Gaitán perdeu o primeiro penal de La V Azulada, mas o goleiro Federico Cristóforo pegou o penúltimo Nacional e uma batida para fora no último deu o triunfo por 4 a 3 à zebra.

Fundado em 1936, na região de Villa Amelia, em Assunção, o Sportivo Ameliano passou grande parte de sua história restrito às divisões de acesso do Campeonato Paraguaio. São 65 participações na terceirona e outras 15 na quarta divisão. Assim, a ascensão de La V Azulada é recente. O time só tinha disputado a segundona uma vez, em 1960, até conquistar o acesso e reaparecer no segundo nível em 2021. A ascensão foi imediata, para a estreia na primeira divisão em 2022. E mesmo que o rebaixamento seja um risco, o Sportivo Ameliano sobe mais um degrau rumo à Copa Sul-Americana de 2023, em sua estreia continental.

Por enquanto, consolida-se uma temporada de zebras nas copas nacionais da América do Sul. O Patronato conquistou a Copa Argentina, no primeiro título de elite de sua história, na mesma temporada em que foi rebaixado. A final da Copa Chile terá o Magallanes, clube tradicional, mas que não disputa a primeira divisão desde 1986 e voltará na próxima temporada. Pegará a Unión Española. A Copa Uruguai tem como finalista contra o Defensor o La Luz, que acabou de conquistar o acesso inédito para a elite. Já a Copa Equador contará na decisão o 9 de Octubre, que ficou de 1995 a 2021 fora da primeira prateleira nacional, contra o Independiente del Valle. O Millonarios, campeão da Copa Colômbia diante do Junior de Barranquilla, foi a exceção. E o Sportivo Ameliano se junta à lista de novidades.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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