A confiança que agiganta o Atlético na Libertadores
Não poderia haver prova mais contundente. A atuação do Atlético Mineiro no jogo de volta contra o São Paulo não foi uma “simples” goleada por 4 a 1. Foi um baile, com direito a traje de gala alvinegro e valsa no centro do gramado do Estádio Independência. Uma festa de formatura, para demonstrar a maturidade e a qualidade dos alvinegros. Que põe, definitivamente, o melhor time da primeira fase como aquele a ser batido nesta Copa Libertadores.
Os papéis pareciam invertidos em Belo Horizonte. O Atlético precisou de pouco segundos para finalizar a primeira vez com perigo. Mais alguns para acertar o travessão. Iniciava a marcação no campo ofensivo, exercendo uma pressão imensa sobre os adversários. Defendia-se de maneira compacta e mal deixava se aproximarem de sua meta. Dava seu máximo em cada corrida e não tirava o pé das divididas.
O São Paulo, aquele que precisava realmente da vitória depois de perder no Morumbi, tinha poucas demonstrações de que acreditasse no resultado. Ainda mais depois que Jô abriu o placar no primeiro tempo. Sem mobilidade alguma quando recuperava a bola, o Tricolor também dava espaços demais entre seus defensores. Dos quatro encontros com o Galo neste ano, teve sua atuação mais desencontrada, mais apática.
No segundo tempo, o Atlético fez diferente. Pierre representava o empenho de quem queria a vitória a todo custo. E o quarteto ofensivo passou a dar show. A partir dos 15 minutos, os gols de Jô e Diego Tardelli foram ilustres detalhes no baile iniciado pelos alvinegros no Independência.
Ronaldinho, como sempre, foi o grande maestro. Passes sem olhar para quem, dribles plásticos, magia pura. Seu lance na lateral do campo, deixando Wellington na saudade e Douglas chutando o ar, lembrou o auge daquele camisa 10 que sobrava como um dos jogadores mais técnicos da história do futebol. Depois de mais um drible, a bola foi maldosa ao não entrar, ao não eternizar um golaço.
Da mesma forma, mereceram aplausos os outros homens de frente do Galo. Jô anotou três gols e acertou o travessão uma vez, em aula de precisão e confiança nas finalizações. Com o turbo ligado, Bernard uniu voluntarismo, habilidade e uma noção de ocupação de espaços impressionantes. E Tardelli, como bem definiu Tostão, foi a peça que completou a trupe ao unir as principais virtudes dos três companheiros de ataque. Um quarteto que torna os alvinegros o adversário mais temido desta Libertadores.
Porque, não bastasse o bom futebol, o Atlético tem muitos outros elementos a seu favor. O caldeirão do Independência, onde nunca perdeu desde a reforma e onde é apoiado por uma torcida fanática. A qualidade de um sistema defensivo que conta com o suor de todos – sim, até mesmo Ronaldinho vem se mostrando disposto a correr um pouquinho atrás da bola. O estilo de jogo objetivo, que tem sido muitíssimo funcional na competição. O elenco cheio de opções, que pode ajudar em alguma emergência.
As tentativas de menosprezar o desempenho do Galo são grandes. “Falta cancha na Libertadores”. “O melhor time da primeira fase não vai longe”. “Os adversários do grupo não eram os mais difíceis”. Todas com seu fundo de verdade, mas respondidas de maneira magistral por Ronaldinho, ao final do jogo: “Quando tá valendo, tá valendo”. A goleada sobre o São Paulo demonstrou isso. A confiança do Atlético parece capaz de derrubar qualquer suspeita levantada contra o time. E o talento, qualquer adversário.



