América do Sul

A Colômbia anuncia seu novo treinador: Néstor Lorenzo, comandante do Melgar e antigo assistente de Pékerman

Lorenzo trabalhou por mais de seis anos na seleção colombiana, como braço direito de Pékerman em duas Copas

A seleção da Colômbia oficializou seu novo treinador nesta quinta-feira, e fugiu dos figurões mais corriqueiros – embora recorra a um período importante do futebol local. O escolhido é Néstor Lorenzo, atual comandante do Melgar. A escolha do argentino de 56 anos se explica pela bagagem ao lado de José Pékerman, de quem foi assistente desde as seleções de base da Argentina. Lorenzo também acompanhou Pékerman em seu trabalho à frente da seleção colombiana e atuou como auxiliar nas duas últimas Copas do Mundo. Agora, terá a missão de conduzir uma necessária renovação nos Cafeteros pensando em 2026.

Néstor Lorenzo teve uma respeitável carreira como jogador. Defendeu clubes como o Argentinos Juniors, o San Lorenzo e o Boca Juniors em seu país, assim como passou por Bari e Swindon Town. O zagueiro também esteve presente nas Olimpíadas de 1988 pela Argentina e também na Copa do Mundo de 1990. Foi titular na abertura do Mundial e também na decisão contra a Alemanha. Pouco depois de sua aposentadoria, iniciou a parceria com Pékerman a partir de 2000.

Lorenzo participou da conquista do Mundial Sub-20 de 2001, como auxiliar, e reencontrou-se com Pékerman no ciclo da seleção principal rumo à Copa de 2006. Também esteve ao lado do técnico em seus trabalhos no futebol mexicano, até iniciar a jornada com a Colômbia a partir de 2012. Lorenzo foi parte importante da comissão técnica que recobrou o prestígio dos Cafeteros com a classificação para a Copa de 2014. Permaneceu também para a sequência do projeto e atuou à beira do campo no Mundial de 2018. Sua despedida da seleção colombiana aconteceu em 2019, a partir da escolha de Carlos Queiroz para assumir a equipe.

O Melgar é o primeiro trabalho de Lorenzo como técnico principal. Assumiu a equipe em 2020 e o desempenho satisfaz. O grande feito veio na recente Copa Sul-Americana, com a classificação na fase de grupos deixando o Racing pelo caminho. O argentino, porém, não continuará a jornada nos mata-matas. Sua escolha por assumir a seleção da Colômbia é mais do que compreensível. E a alternativa adotada pelos Cafeteros também parece interessante, depois das apostas frustradas dos últimos anos.

Pékerman deixou a Colômbia de maneira natural, com o desgaste acumulado por um trabalho grandioso. Carlos Queiroz vinha gabaritado pelo desempenho com o Irã, mas não se encontrou no novo país e representou uma quebra de estilo à seleção. Depois, ainda aconteceu o frustrado retorno de Reinaldo Rueda, que não vinha de um bom momento com o Chile e viu seu desempenho degringolar nas Eliminatórias. A demissão de Rueda até demorou a acontecer e o péssimo rendimento na reta final da campanha custou a presença na Copa do Mundo. Lorenzo acaba escolhido para conduzir esse recomeço.

Um dos trunfos do novo treinador é conhecer boa parte do grupo. Porém, a geração de James Rodríguez e Radamel Falcao García cada vez mais fica para trás. Quem pede passagem agora é Luis Díaz, Luis Sinisterra, Alfredo Morelos e outros nomes em ascensão. A missão de Néstor Lorenzo será balancear essa transição, enquanto tenta criar uma equipe mais confiável. As dificuldades dos colombianos no ataque foram um problema enorme durante as Eliminatórias, mesmo com os talentos à disposição. Tentará resgatar a forma mais agressiva que os Cafeteros apresentavam nos tempos de Pékerman.

Olhando só no papel, a Colômbia tem facilmente um dos cinco melhores elencos da América do Sul. A ausência na Copa do Mundo é explicada bem mais pelas deficiências dos trabalhos recentes do que necessariamente pelo envelhecimento dos protagonistas. Será preciso reconstruir essa capacidade dos Cafeteros, algo tão evidente nos tempos de Pékerman. Enquanto o antigo treinador hoje dirige a Venezuela, Lorenzo terá a chance de oferecer suas ideias e deixar também suas marcas num ambiente ao qual já está aclimatado.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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