América do SulBrasilLibertadores

A Arena Condá voltou a vibrar, mas a Chape não resistiu ao controle de jogo do Lanús

A Arena Condá se preparou para a noite especial. A Chapecoense voltava a atuar em sua fortaleza pelas competições continentais. E, com um brilho maior, no primeiro jogo em que o estádio receberia a Copa Libertadores da América. Seguindo o costume das outras campanhas desbravadoras, as arquibancadas vibravam. O concreto estremecia diante do fervor da torcida alviverde. Mas, em campo, o final não foi feliz. Como ainda não havia acontecido nas copas sul-americanas, o Verdão do Oeste perdeu em casa. Abriu o placar, mas acabou tomando a virada do Lanús, mais consciente de seu jogo: 3 a 1 para o Granate, fazendo um segundo tempo digno do atual campeão argentino.

Conforme o esperado, uma atmosfera diferente tomou conta da Arena Condá. Mobilização misturada com lembrança, que resultou no apoio incondicional. O primeiro tempo, no entanto, não foi muito bom. O jogo permaneceu travado durante a maior parte do tempo. Depois de um início mais intenso da Chape, o Lanús tinha a posse de bola e a iniciativa no ataque. Parava em um sistema defensivo bem postado. Logo aos 14 minutos, Vagner Mancini teve que mudar a sua estratégia, com a lesão de Moisés Ribeiro, sem volantes no banco para substituí-lo. Os catarinenses deram uma ou outra escapada, especialmente pelos lados, com Reinaldo e Rossi aparecendo, mas pouco ameaçaram. Os perigos dos argentinos eram mais constantes, trabalhando a bola até encontrar os espaços. A defesa do Verdão ia conseguindo salvar.

A sorte da Chapecoense parecia mudar no início do segundo tempo. O time da casa voltou com atitude, buscando mais o ataque. E, depois de alguns bons lances, abriu a contagem aos quatro minutos. A tentativa de João Pedro sobrou nos pés de Rossi, livre na entrada da área. O camisa 7 preparou e bateu tirando do goleiro Esteban Andrada. A Arena Condá foi ao delírio. Pena que mal deu para comemorar. Três minutos depois, já saiu o empate. A defesa falhou em dois cortes e Alejandro Silva cruzou para Nicolás Aguirre concluir.

Sem se desestabilizar num primeiro momento, a Chape deu uma resposta imediata. Bola na área que Douglas Grolli desviou, mas não acertou o gol por centímetros. Entretanto, a partir de então, prevaleceu o controle do Lanús. O time melhor entrosado começou a construir as jogadas com paciência, diante dos espaços concedidos pela defesa dos catarinenses nas laterais. Artur Moraes operou um milagre para evitar o tento de José Sand. Mas, aos 22, nada pôde fazer quando o árbitro assinalou pênalti sobre Lautaro Acosta e Sand converteu.

Com a desvantagem, a Chape partiu para cima. Mancini mandou a campo Túlio de Melo e Arthur. O Lanús conseguia esfriar os ânimos, com os catarinenses insistindo nos cruzamentos. Os visitantes esperavam apenas uma chance para o bote fatal. E ele veio aos 35 minutos. Acosta aproveitou o erro de posicionamento da linha de zaga para enfiar Maxi Velázquez e receber de volta, estufando as redes. Tento merecido ao talentoso camisa 7, velho conhecido de sua torcida, em excelente atuação. Já nos instantes finais, o Verdão murchou. Exceção feita a uma tentativa de Nathan, entregou os pontos, diante da superioridade dos argentinos.

O Lanús, desde o sorteio da fase de grupos, vinha sendo apontado como a principal força da chave. Decepcionou na estreia contra o Nacional de Montevidéu, mas se recuperou em grande estilo. É uma equipe bastante rodada, de protagonistas que jogam entre si há tempos. E que, com um pouco mais de ritmo de jogo, pode complicar os adversários. Do lado da Chape, fica o desapontamento. Não exatamente de maneira negativa contra o time, que caiu muito de rendimento no segundo tempo, mas segue passando por um processo intrincado de reformulação. O ponto maior é a ocasião que se perdeu na Arena Condá. Faltou um pouco daquela valentia que se repetiu em boa parte do jogo contra o Zulia, daquela concentração. Ao menos, em um grupo parelho, no qual os quatro visitantes ganharam em duas rodadas, há tempo para se reerguer. Tempo para saber aproveitar a pressão do caldeirão de Chapecó também na Libertadores.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo