América do Sul

A afirmação do Independiente del Valle ainda aguardava o título nacional, enfim conquistado neste domingo

O Independiente del Valle faturou seu primeiro troféu no Campeonato Equatoriano, ao se impor nas finais contra o Emelec

O Independiente del Valle possui uma reputação internacional reconhecida. Os negriazules somam sete participações na Libertadores, com um vice-campeonato, além do título da Copa Sul-Americana em 2019.  O clube de Sangolquí, ainda assim, perseguia seu primeiro troféu no Campeonato Equatoriano. Desde o acesso em 2010, o IDV tinha um vice e quatro terceiros lugares, perseguindo a taça inédita. E a entrada para o rol de campeões nacionais ocorreu neste domingo, em Guayaquil. Depois da vitória por 3 a 1 na primeira partida em Sangolquí, o empate por 1 a 1 com o Emelec dentro do Estádio George Capwell serviu para que o Del Valle comemorasse o feito.

A temporada do Independiente del Valle seria de reformulação, após a saída de Miguel Ángel Ramírez. A diretoria voltou a olhar fora da caixinha e apostou na contratação do português Renato Paiva, que trabalhou por mais de 15 anos nas categorias de base do Benfica e dirigiu o time B dos encarnados até 2020. O novo comandante não demorou a causar seu impacto, com a classificação sobre o Grêmio nas preliminares da Libertadores. Porém, o IDV cairia na fase de grupos do torneio continental e, mesmo repescado à Sul-Americana, sucumbiria nas oitavas para o Red Bull Bragantino.

Sem mais as frentes continentais para dividir atenções, o Independiente del Valle entrou de cabeça no Campeonato Equatoriano a partir de julho. O time tinha ficado com a terceira colocação no primeiro turno, mas, conforme o regulamento, apenas o campeão Emelec avançaria às finais. Coube aos negriazules, então, buscarem o prejuízo no segundo turno e também se confirmarem na decisão. O IDV fez uma campanha muito segura, com dez vitórias e apenas uma derrota em 15 rodadas. Com 34 pontos, os líderes ficaram quatro pontos à frente do Emelec, muito graças à fundamental vitória por 3 a 2 no confronto direto da penúltima rodada, e forçariam as finais contra os oponentes de Guayaquil.

A conquista do Independiente del Valle seria encaminhada desde a primeira partida, em Sangolquí. A vitória por 3 a 1 garantia uma situação confortável, com uma grande atuação de Junior Sornoza. O meio-campista, de volta ao clube que o lançou, marcou o primeiro gol num belo chute de primeira e ampliou cobrando pênalti na segunda etapa. Sornoza ainda mandou uma cabeçada na trave, que resultou no terceiro tento, de Jonathan Bauman. O Emelec, que teve uma expulsão ainda no primeiro tempo, só descontou nos acréscimos finais com Sebastián Rodríguez.

Em Guayaquil, o Independiente del Valle poderia perder por um gol de diferença que ainda assim seria campeão. Bastou o empate por 1 a 1. Outro símbolo do clube, Richard Schunke marcou o primeiro gol dos negriazules logo aos oito minutos. E, assim como ocorreu na decisão da Sul-Americana de 2019, a tempestade ajudou a frear o ímpeto dos adversários. O Emelec parava nas poças de água e perdeu um pênalti aos 35 minutos, com grande defesa do goleiro Moisés Ramírez. Dixon Arroyo até descontou nos acréscimos do primeiro tempo e provocou a celebração no George Capwell, mas o gramado pesado dificultava o trabalho do ataque e Ramírez seguia inspirado no gol. O apito final logo permitiu a encharcada festa dos visitantes.

Aos 51 anos, Renato Paiva conquista um feito inédito, que dá continuidade a um trabalho bastante respeitável feito pelo Independiente del Valle na gestão do elenco e na prospecção de talentos. Pablo Repetto e Miguel Ángel Ramírez têm seu legado nesse crescimento que resultou no troféu. A quem via o Campeonato Equatoriano como uma lacuna para representar o poderio dos negriazules, a maneira como o time bateu de frente com o Emelec é incontestável.

A campanha do título também coroa jogadores de diferentes sucessos do Independiente del Valle. Nomes como Richard Schunke, Luis Segovia, Júnior Sornoza e Cristian Pellerano participaram de mais uma campanha memorável. Outros bons reforços recentes, como Lorenzo Faravelli e Jonathan Bauman (contratado no meio da campanha junto ao Mushuc Runa para ser o artilheiro da competição), escrevem seu nome no clube. E as categorias de base continuam bem representadas, especialmente com o goleiro Moisés Ramírez, mas também com os laterais José Hurtado e Jhoanner Chávez.

O título do Independiente del Valle é o primeiro de um time localizado na região metropolitana ao redor de Quito. Se os sucessos de El Nacional e Deportivo Quito parecem se restringir ao passado, a ascensão do IDV é importante no contexto regional. E a impressão é de que este não será um ponto fora da curva ao clube de crescimento recente. Os negriazules deram diferentes provas de força para mostrar como conseguem ser competitivos e renovar seu projeto através de escolhas inteligentes, bem como da aposta na base. O troféu do Campeonato Equatoriano era mesmo o último passo para sublinhar tal representatividade nacional de um time já reconhecido além das fronteiras.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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