América do Sul

8 constatações de 1/4 de eliminatórias

O fim da quarta rodada das eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo de 2014 marcou também o cumprimento de um quarto da competição, ou 22,222…% se você for mais chato e exigente. De toda a maneira, as nove equipes do continente – oito delas abordadas neste espaço – só voltam a campo pelo torneio em junho de 2012, motivo mais do que suficiente para analisarmos o que foi feito e como foi feito até aqui, além de prospectar as chances e possíveis caminhos doravante. Aqui vão oito constatações sobre o um quarto de eliminatórias:

1- Os mandantes mandam

Que as eliminatórias da América do Sul são as em que o fator campo mais pesa é praticamente conhecimento comum – especialmente após o levantamento do colega Leandro Stein, que pode ser encontrado neste link (https://trivela.com.br/blog/redacao/dever-de-casa-sul-americano/). Mesmo assim, chama a atenção o poder dos mandantes nas quatro primeiras rodadas. Em 16 jogos foram 11 vitórias das equipes da casa, três empates e apenas dois triunfos de visitantes, curiosamente ambos envolvendo a Colômbia. Os cafeteros ganharam da Bolívia por 2 a 1 em La Paz e perderam por 2 a 1 da Argentina em Barranquilla, ficando elas por elas em termos de aproveitamento. Nesse cenário, se torna ainda mais importante vencer em casa daqui pra frente, enquanto o empate passa de bom a ótimo negócio nas partidas longe dos próprios domínios.

2- Gols aos borbotões

Outra constatação que pode ser depreendida dos 16 jogos feitos até aqui é alta média de 2,85 gols por partida. Foram 46 bolas na rede. Se em termos absolutos não é um número tão grande assim, em comparação com a Copa América (2,08 gols/jogo) e com as eliminatórias para a Copa de 2010 (2,58 gols/jogo) é um avanço. A tendência é que essa média diminua, mas há de ser valorizada a busca pelos gols, em grande parte influenciada pela seleção chilena. A Roja esteve envolvida em 17 dos 46 gols da competição até aqui  (quase 37%); fez 7 e tomou 10.

3- Uruguai é tudo aquilo e, talvez, mais um pouco

Na prévia das eliminatórias muitos apontavam o Uruguai, ao lado da Argentina, como favorito à conquista da primeira posição da classificatória neste ciclo para 2014. Este colunista também apostou na Celeste, mas via a equipe mais propensa a um segundo lugar, com a Argentina ficando na primeira posição. Pelo futebol que os dois têm apresentado, no entanto, os uruguaios estão dois ou três passos à frente. Foram três jogos, com duas vitórias e um empate, nove gols marcados e três sofridos. Mais que isso: foram três jogos de inquestionável superioridade charruá, em que se pese o gol sofrido no último minuto contra o Paraguai na segunda rodada. A proposta de jogo ainda é, na maioria das vezes, reativa, mas a excelência com que os uruguaios fazem marcação sobre pressão no campo adversário e saem em velocidade é digna de nota e aplausos. Coadjuvantes, Diego Pérez e Arévalo Ríos fazem mais um bom torneio junto a um time acertado, de entrega, sem vaidades e muito bem comandado por Óscar Tabárez.

4- A ótima Venezuela

O grande desempenho na Copa América – quando ficou na quarta posição – credenciou a Venezuela a grandes expectativas para as eliminatórias. No entanto, era necessário ver até que ponto o time era capaz de se superar em um torneio de tiro longo. Até o momento a vinotinto está se saindo melhor do que a encomenda. Foram duas vitórias, um empate e uma derrota em quatro partidas. Uma das vitórias, no entanto, foi mais do que um triunfo qualquer – 1 a 0 na Argentina – enquanto a única derrota – 2 a 0 contra o Equador, em Quito – foi em condições desfavoráveis, uma vez que o técnico César Farias mandou os reservas para a altitude, deixando os titulares na Venezuela para se prepararem para o duelo com a albiceleste. A consistência venezuelana também chama a atenção. A equipe sabe direitinho suas virtudes e defeitos, bem como a melhor forma de jogar. O empate arrancado da Colômbia e a vitória contra uma retrancada Bolívia mostram isso.

5- Mudança “do paraguai”

Quando Gerardo Martino deixou o comando da seleção paraguaia, uma ideia parecia bastante clara: apesar do vice-campeonato na Copa América, o Paraguai não podia mais jogar aquele futebol terrível, defensivo e que somou cinco empates e uma derrota em seis jogos na competição continental. Era preciso mudar. E foi por isso que Arce foi chamado; para dar uma lufada de renovação à equipe, em nomes, mas principalmente na filosofia de jogo. O próprio Chiqui disse que queria um futebol mais ofensivo na albiroja. Passados quatro jogos, o Paraguai tem uma vitória, um empate, duas derrotas e apenas uma atuação razoável, justamente no triunfo por 2 a 1 ante o Equador – muito embora tenha feito dois gols de bola parada. Contra o Chile a equipe de Arce mostrou que seu DNA continua sendo a burocrática defesa com dez homens atrás da linha da bola e a torcida por um triunfo na bola aérea.

6- Só isso Chile?

O Chile é outro exemplo de futebol ruim nas eliminatórias. Em que se pese a quinta colocação de momento, com duas vitórias e duas derrotas, a Roja tem apresentado um futebol ruim em toda a competição. Se por um lado a obstinação pelo gol deva ser valorizada – os chilenos foram às redes sete vezes, duas a menos que o Uruguai, que tem o melhor ataque -, a seleção de Cláudio Borghi está longe de jogar um futebol fluido e, pra piorar, levou dez gols em quatro jogos, o que transforma o escrete chileno no de pior defesa da competição. A derrota para o Uruguai por 4 a 0 não pesou tanto na parte psicológica, mas mostrou bem o que é a seleção agora. Um esquema ofensivo com alguns jogadores de qualidade, mas sem a posse de bola de qualidade e, principalmente, a marcação sob pressão dos tempos de Bielsa. É para se preocupar…

7- Ainda é cedo para peruanos, equatorianos e colombianos

O Equador vai muito bem, o Peru vai muito mal e a Colômbia está na média… Essas seriam afirmações condizentes com a tabela das três seleções até este momento, mas para o futuro parece haver mais em jogo do que as colocações e resultados. O Equador é o quarto colocado com duas vitórias e uma derrota, mas há de se ressaltar: duas vitórias na altitude e calor de Quito; uma contra os reservas da Venezuela e outra ante uma pálida equipe peruana. Foi um bom desempenho, mas ainda é cedo para esperar grandes feitos de La Tri. O Peru, por outro lado, fez um excelente jogo contra o Paraguai, vencendo por 2 a 0 com o “quarteto fantástico” Vargas, Farfán, Guerrero e Pizarro, perdeu por 4 a 2 para o Chile, em jogo em que mandou duas bolas na trave com o jogo em 0 a 0, e perdeu para o Equador na altitude. É o penúltimo na classificação, mas tem bola para mais. Já a Colômbia, sexta colocada com uma vitória, um empate e uma derrota, pecou no que parecia ser sua grande virtude: a defesa. Contra Venezuela e Argentina os cafeteros tomaram gols inadmissíveis para quem foi tão bem no quesito na Copa América. O que alivia sua barra é justamente o fato de já ter jogado com a albiceleste. Pode-se esperar mais dos colombianos.

8- Bolivianos em apuros… Como já era esperado

Dos bolivianos, por sua vez, não se esperava nada melhor do que isso. O empate com a Argentina deve ser tratado como grande momento do time nas eliminatórias. As derrotas para Uruguai por 4 a 2 fora de casa, Colômbia por 2 a 1 em casa, e para Venezuela por 1 a 0 fora mostraram um time muito ruim de bola e que não tem nem condições de se defender para esperar uma chance lá na frente. Se os bolivianos conseguirem duas ou três vitórias até o fim da competição será uma façanha.

Tuitadas da Copa Sul-Americana

 

Libertad 1×0 LDU: Libertad demorou demais pra achar o gol e pagou o preço nos pênaltis. Domínguez, goleiro da LDU, fez uma partidaça. Vélez é favorito na semi
Universidad de Chile 3×0 Arsenal: Como previsto la U acabou com o Arsenal com tramas ofensivas e contra-ataques rápidos. Tem o melhor futebol e um grande teste ante o Vasco

Uruguaias

– No melhor estilo “cochilou o cachimbo caiu”, o Peñarol perdeu por 2 a 1 do Montevideo Wanderers em casa e foi ultrapassado pelo Danubio no campeonato. A equipe franjeada empatou com o River Plate por 0 a 0 e contou também com o tropeço do Cerro, que foi derrotado por 2 a 0 pelo El Tanque Sisley. Quem voltou à briga foi o Nacional, que fez 3 a 0 no Rampla Juniors e está em terceiro.

– Faltando três rodadas para o fim do Apertura, o Danubio tem 25 pontos, o Peñarol tem 24 e Nacional e Cerro tem 23.

– No domingo tem Nacional contra Peñarol no estádio Centenário.

Paraguaias

– Pelo Clausura o Nacional venceu o Sportivo Luqueño por 2 a 1 e se manteve na liderança do torneio, agora com 32 pontos em 16 jogos. A equipe tem um jogo a mais que os concorrentes, que seguem na cola. A rodada ainda terá o clássico entre Cerro e Olimpia no Defensores del Chaco e a visita do Libertad ao 3 de Febrero.

– Além do Nacional na liderança, a classificação tem o Libertad em segundo, com 29 pontos, seguido pelo Olimpia com 27 e pelo Cerro com 26.

Colombianas

– O Junior de Barranquilla venceu o Independiente Medellín por 4 a 3 e é o primeiro time garantido nos playoffs. Faltando duas rodadas, a equipe lidera com 27 pontos. Em seguida aparecem Itagüí e Millonários com 24 – empatou e venceu, respectivamente – Envigado, Boyacá Chicó e Deportivo Cali com 22 – vitória, derrota e vitória – e Tolima e Quíndio com 21 – derrota e derrota.

– A diferença do segundo colocado, o Itagüí, para o 14º, o Huila, é de apenas seis pontos. Ou seja, tudo aberto pelas oito vagas.

Chilenas

– Não houve rodada do Clausura 2011.

– Já na Copa do Chile o Magallanes ficou a dois minutos de fazer história. A equipe da segunda divisão – e que quase caiu para a terceira – aguentava a pressão da Universidad Católica, mesmo com um jogador a menos, e ia garantindo o título com o 0 a 0 – já que venceu a primeira por 1 a 0. Aos 43 da segunda etapa Gazale fez 1 a 0 e mandou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças da marca da cal o Magallanes se desconcentrou e perdeu. A Universidad Católica chegou ao tetracampeonato do torneio, que não vencia desde 1995.

– Ainda sobre a seleção chilena, o técnico Cláudio Borghi disse que Valdívia, Jara, Beausejour, Vidal e Carmona podem voltar à seleção, desde que: venham a público dar esclarecimentos, parem de dizer que Borghi mentiu e depois façam uma reunião com os companheiros para esclarecer porque não seguiram as “regras do grupo”.

Venezuelanas

Pela Copa Venezuela, Mineros de Guayana e Trujillanos vão se enfrentar pelo título. O Mineros passou pelo Caracas com o agregado de 3 a 2, enquanto o Trujillanos fez 4 a 0 no El Vigía. O primeiro jogo será disputado no dia 30 de novembro.

Bolivianas

– O campeonato boliviano volta neste fim de semana, depois de um hiato de três semanas por causa das eliminatórias.

– Gustavo Quinteros continua sendo muito criticado na Bolívia depois de perder para a Venezuela, em que se pese o empate por 1 a 1 com a Argentina. Apesar da façanha contra a albiceleste, Quinteros não venceu um jogo sequer no comando de la Verde. Já são 15 jogos de jejum.
– E a situação econômica da Federação Boliviana de Futebol impede que grandes avanços sejam feitos também. Quinteros revelou que a federação não tem dinheiro para custear amistosos antes dos confrontos contra Chile e Paraguai em junho de 2012.

Equatorianas

– Também por causa das eliminatórias não houve rodada do Clausura, mas o fim de semana promete. Faltando cinco rodadas para o fim do campeonato Emelec e Barcelona fazem o clássico de Guayaquil, decisivo para as aspirações dos dois times no campeonato. A tabela tem o Deportivo Quito na liderança com 38 pontos, seguido pela LDU com 32 pontos, Emelec com 30 e Barcelona com 28.

Peruanas

– Sem rodada no período das eliminatórias, o Descentralizado 2011 volta neste fim de semana com a briga pela segunda vaga na decisão. Faltando três jogos o Alianza Lima já está garantido com 55 pontos. Na briga pela vaga que resta, o Juan Aurich tem 52 pontos, na segunda posição, ante 45 do León que é o terceiro.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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