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7 lições de autoajuda das eliminatórias

Enquanto os europeus experimentam os primeiros sabores e dissabores das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2014, os sul-americanos já sentem os efeitos dos perigos, fazem contas e tem uma noção real do caminho (ou falta de caminho) para o Mundial do Brasil. Com a realização de duas rodadas nas últimas semanas, o primeiro turno das eliminatórias da América do Sul acabou e a segunda parte da competição já está rolando. Nada melhor, então, do que fazer uma retrospectiva deste momento e encontrar frases encorajadoras para o futuro…

1 – “Mestres ampliam horizontes e nos orientam nas encruzilhadas da vida”

Treinadores de futebol são figuras controversas. Uns acham que eles são muito valorizados e que quem decide os jogos são os atletas. Outros vaticinam que um bom técnico pode transformar um bando de pernas de pau em campeões. Há exemplos fartos de cada uma das teses, mas no caso da Colômbia a segunda vertente prevalece. Na Copa América e nas primeiras três rodadas das Eliminatórias, a Colômbia de Leonel Álvarez era um time inconstante e pouquíssimo confiável. A chegada de 2012 trouxe o experiente argentino José Néstor Pékerman ao banco cafetero e mandou buscar um orgulho há muito não visto no futebol do país. Com os mesmos atletas de seus predecessores, Pékerman construiu uma equipe envolvente, ofensiva e fiel ao estilo de passe e posse de bola dos colombianos. Comandada por Falcao Garcia, regida por Macnelly Torres e James Rodríguez, e com ampla participação dos coadjuvantes Valencia, Yepes, Armero, Zuñiga e Téo Gutierrez, a Colômbia teve cinco vitórias e uma derrota no qualificatório à Copa desde que trocou o técnico. Os resultados colocam o time na terceira posição, com 16 pontos e um jogo a menos que os demais, e sinalizam ótimos prognósticos para o futuro.

2 – “Quem vive do passado, mata o presente e sufoca o futuro”

Muslera, Fucile, Lugano, Victorino e Maxi Pereira, Perez, Arevalo Rios e Palito Pereira, Forlán, Cavani e Suarez. Responda rápido leitor: esta é a seleção Uruguai de hoje ou da Copa do Mundo de 2010? Pois é. Os uruguaios jogam com os mesmos nomes desde a histórica quarta posição obtida na África do Sul. De maneira nenhuma isto seria um problema, até porque o Uruguai conquistou a Copa América de 2011 dessa forma, mas o técnico Óscar Tabárez parece se sentir endividado com esses e outros atletas como Loco Abreu e Scotti. Mesmo com vários desses jogadores apresentando desempenho ruim, El Maestro continua a escalá-los. O maior exemplo é Diego Forlán, que não tem uma boa sequência desde o primeiro semestre de 2011, mas outros nomes, como Lugano, que não atua em seu clube, Maxi Pereira e Russo Perez também não têm feito por merecer uma vaga entre os titulares. Não fosse o bastante, o próprio Tabárez parece perdido em suas convicções táticas. No último ano o treinador testou o time no 4-4-2, 3-5-2, 4-3-1-2, 4-3-3 e 4-2-3-1 sem sucesso com nenhuma das formações. Mais que isso, não se decidiu por nenhuma delas e ainda não aceitou que Forlán, Cavani e Suárez têm desempenho pífio atuando juntos da Copa para cá. Com isso o Uruguai emendou quatro jogos sem vitória e já é o quinto colocado nas Eliminatórias, correndo sérios riscos de ficar fora da Copa de 2014.

3 – “Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”

A saída de Marcelo Bielsa da seleção chilena no primeiro semestre de 2011 causou comoção e apreensão em todo o país. Afinal de contas, ninguém sabia se o também argentino Claudio Borghi seria capaz de liderar a nova fase do futebol de La Roja. Após um bom início de trabalho, em que manteve boa parte dos fundamentos de seu antecessor, Borghi, no entanto, começou a se perder entre a imposição de sua filosofia e a manutenção do estilo de jogo que vigorava. Com um futebol inconstante o Chile começou a titubear e passou a não ter mais nem a movimentação e ofensividade de outrora, nem a marcação e cuidados defensivos quer seriam necessários para uma maior solidez futebolística. Some-se a estes fatores as insistentes rusgas do treinador de La Roja com os atletas – casos de Vidal, Valdívia, Beausejour, Vargas, Jara e agora Mena e Aránguiz – e a falta de compromisso de alguns deles e temos um cenário muito propício ao que vem ocorrendo: o Chile vem de três derrotas seguidas e pode nem ir à Copa.

4- “O segredo de um grande sucesso está no trabalho de uma grande equipe”

Após o vice-campeonato da Copa América de 2011 o Paraguai decidiu mudar. Vendo que a equipe não daria mais frutos, Gerardo Martino chegou a um acordo com a Federação – que também não estava tão satisfeita assim com o trabalho – para deixar o comando da albiroja. Os  dirigentes paraguaios decidiram então apostar em uma nova filosofia, mais ofensiva e calcada na técnica. A escolha foi por Francisco Arce, que com sua aura de ídolo e ideias de futebol bem jogado, muito queria, mas nada fez. Menos de um ano depois o ex-jogador de Grêmio e Palmeiras foi demitido e deu lugar ao uruguaio Gerardo Pelusso, campeão pelo Olimpia em 2011. Em seus primeiros dias como comandante da seleção, Pelusso voltou a tentar um time mais pragmático, mas também tentou mudar o comportamento de algumas peças. Até aqui o resultado é muito discreto: foram quatro jogos pelas Eliminatórias, com três derrotas e apenas uma vitória. Foi outro técnico errado? Não dá pra acreditar. Sobretudo após uma análise – mesmo que breve – dos jogadores paraguaios que podem/poderiam integrar a seleção. Quantos jogam em times top da Europa? Quantos ainda têm lenha para queimar? Quantos parecem ter um futuro brilhante? Já dizia o ditado: “se a vida te der limões faça uma limonada”. O que ninguém disse é o que fazer se não houver a fruta.

5 – “Você é especial e único de alguma forma”

Após uma Copa América terrível – duas derrotas e um empate em três jogos – o Equador chegou às Eliminatórias integrando o “grupo” dos desacreditados. Sem grandes estrelas, sem promessas de bons jogadores e com um estilo de jogo nada confiável, La Tri tinha tudo para, no máximo, lutar por uma quinta posição. Mas o técnico colombiano Reinaldo Rueda e seus comandados acharam um caminho. Sem nenhuma ambição de apresentar um bom futebol, os equatorianos decidiram apostar no que essa geração tem de melhor: força e preparo físico. E assim, com cruzamentos na área, correria o tempo todo e aplicação nas jogadas de bola parada, o Equador deixou de ser o azarão para ser vice-líder das Eliminatórias e única equipe com 100% de aproveitamento em casa.

6- “Nunca desista dos seus sonhos”

Surpresa da Copa América e seleção que mais fez avanços no continente nos últimos anos, a Venezuela enfrentou altos e baixos em seus nove primeiros jogos das Eliminatórias, mas até aqui registra saldo pra lá de positivo. A Vinotinto definitivamente achou seu jeito de jogar, ocupa a quarta posição na tabela e parece aprender mais a cada dia sobre esse “tal de futebol”.

Os peruanos também sonham com o Mundial e por isso apostam todas as fichas num estilo ofensivo contra equipes mais fracas e defensivo contra os poderosos. Assim a Bicolor conseguiu segurar a Argentina e desta forma deveria ter vencido Bolívia e Paraguai. Os tropeços custaram caro, mas o equilíbrio da tabela ainda dá chances aos comandados de Sergio Markarián.

Já a Bolívia, que começou as Eliminatórias com quatro derrotas e um empate nas cinco primeiras rodadas, emendou uma ótima sequência com o empate por 1 a 1 com o Peru e a goleada por 4 a 1 sobre o Uruguai. Os oito pontos da tabela trazem esperança e as boas atuações sob o comando do técnico espanhol Xabier Azkargorta já restauraram a moral dos bolivianos.

7 – “A vida é uma peça de teatro sem ensaios, por isso cante, dance, ria e viva intensamente”

Por anos a fio os argentinos conviveram com a dúvida, a descrença e a amargura de ver o melhor jogador de uma geração fazer história na Europa e pouquíssimo pela seleção de seu país. Isso acabou, principalmente graças a um homem: Alejandro Sabella. Comandando a Argentina desde o início das Eliminatórias, Sabella foi capaz de construir um time sólido e que permite a cada um dos talentosíssimos jogadores de frente desempenhar suas funções da melhor forma possível. Ao montar o time no 4-3-3 variável para 4-3-1-2, o treinador argentino foi capaz de dar liberdade a Messi, Higuaín e Aguero e ainda unir a força da marcação de Mascherano com o apoio e visão de Fernando Gago e a versatilidade e velocidade de Di Maria, fixado como volante de saída pelo lado esquerdo. Até mesmo a defesa, dita fraca por muitos, está acertada, com Romero dominando a meta e Garay e Fernandez não comprometendo. Restam as laterais ainda, mas o torcedor da albiceleste não tem do que reclamar; a seleção é uma das favoritas à Copa no Brasil e todos têm mais é que aproveitar esse momento.

Mais sobre as Eliminatórias

– Em novembro do ano passado falamos sobre as 8 constatações de ¼ de Eliminatórias.

– Em outubro daquele ano fizemos as projeções para cada uma das seleções.

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