O atacante Alexis Sánchez chegou à Internazionale falando em títulos. Aos 30 anos, volta a Itália, onde já defendeu a Udinese, para tentar recuperar a carreira. Contratado por empréstimo de uma temporada, sem opção de compra, sabe que tem um ano para provar que ainda é o jogador que brilhou pelo Arsenal, seja para continuar na Inter, seja para voltar ao Manchester United com outra imagem e pronto para jogar. E com a confirmação da saída de Mauro Icardi para o PSG, o chileno recebeu a camisa 7, que tinha sido designada ao argentino. É o número que prefere vestir e vestiu na Udinese, Arsenal e Manchester United.

Sua passagem pelo Manchester United não deixou boas impressões, mas o atacante chega à Inter falando em ganhar títulos, comentou sobre os jogadores com quem já jogou no elenco. O jogador também falou sobre o seu período no Manchester United, uma transferência da qual não se arrepende.

“Primeiro de tudo, agradeço aos meus companheiros, já que encontrei um bom grupo desde o primeiro treinamento. Estou aqui para ajudar a equipe e ganhar algum título, que é o que eu quero, assim como o treinador, e por isso estou aqui”, disse Sánchez ao canal de TV da Inter.

Sánchez foi um pedido do técnico Antonio Conte, que tem trabalhado em um esquema tático 3-5-2, com dois atacantes. Hoje, quem joga é Lautáro Martínez ao lado de Romelu Lukaku. Com Sánchez, o ataque ganha mais mobilidade e um jogador que pode fazer, na Inter, algo similar ao que fazia Éder, ex-Inter e atualmente na China, na seleção italiana em que Conte foi o técnico, na Eurocopa de 2016.

“Quero ganhar algum título, já que eu gosto do futebol, e amo jogar futebol, que me dá muita felicidade. Agora estou aqui e encontrei um grupo muito bom, com bons jogadores. Estamos aqui para ganhar o que for”, continuou o chileno. “O que adquiri nas minhas outras experiências? Na Premier League o físico, a velocidade, a força e a intensidade. Acredito que é algo diferente tanto do futebol italiano quanto do espanhol”.

Sánchez conhece o Campeonato Italiano. Em 2006 foi vendido do Cobreloa para a Udinese, mas ficou no Colo Colo por empréstimo em 2006/07 e depois no River Plate, em 2007/08. Foi só então que ele desembarcou na Itália e se tornou também um astro na Serie A. Foram 112 jogos pela Udinese, 21 gols e 20 assistências. Contando apenas a Serie A, foram 95 jogos, 20 gols e 15 assistências. Sua última temporada na Itália, 2010/11, teve 33 jogos, 12 gols e 10 assistências.

Na Udinese, Sánchez jogou com dois jogadores do atual elenco: Samir Handanovic e Kwadwo Asamoah, além de Antonio Candreva. Também jogou com Romelu Lukaku no Manchester United, último clube de ambos. “Asamoah não falava quase nada, agora fala demais, o vejo muito mais contente e preparado. Handanovic é um capitão que fala sempre antes das partidas, dá a cara e é bom para o grupo. Além disso, conheci Candreva na Udinese. Com Lukaku estou feliz, o conheço de Manchester e falamos muito, estamos sempre juntos, o considero um amigo”, contou Sánchez.

A Inter jogará a Champions League no Grupo F, com Barcelona, Borussia Dortmund e Internazionale. “Jogar contra o Barcelona é sempre algo especial, ganhei muito com eles, sei que são uma equipe difícil, mas temos jogadores para vencê-los”, disse o chileno. “Quero ganhar um título, devemos lutar juntos, que é o que te faz ganhar como grupo, se estamos juntos podemos ganhar. A equipe e eu faremos o melhor para ganhar qualquer coisa, é por isso que estou aqui”.

Alexis Sánchez recebe a camisa 7 na Inter (Foto: reprodução)

O tempo no Manchester United

“Eu sou muito feliz que fui para o Manchester United. Eu sempre disse isso. É o clube que ganhou mais na Inglaterra”, afirmou o jogador à BBC. “Quando eu fui para o Arsenal foi fantástico, eu fui feliz lá, mas o United estava crescendo naquele momento, eles estavam contratando jogadores para ganhar alguma coisa. Eu queria me juntar a eles e ganhar tudo. Não me arrependo de ir para lá”.

Pelo Arsenal, Alexis Sánchez foi um grande jogador. Veio do Barcelona por € 42,5 milhões em 2014 e rapidamente se tornou um dos jogadores mais importantes do time. Foram 80 gols em 166 jogos pelo Arsenal e foi eleito o jogador do ano em 2017 pela Associação dos Jogadores Profissionais, uma eleição que tem como votantes os próprios jogadores.

A transferência para o Manchester United veio em um momento que ele já não vinha bem. Depois de permanecer no Arsenal, apesar de estar no último ano de contrato, teve meses de baixo rendimento, até que deixou o clube para ir ao Manchester United, em troca de Henrikh Mkhitaryan. Tornou-se o mais bem pago jogador da Inglaterra e chegou cheio de expectativas ao Manchester United de José Mourinho em janeiro de 2018.

O chileno foi titular em 31 jogos de 77 possíveis e completou apenas 13 desses jogos. Foram 27 jogos na Premier League e apenas dois gols marcados pelos Diabos Vermelhos. Apesar do futebol não aparecer no dia a dia com o clube, na seleção ele rendeu. Na Copa América de 2019, pelo Chile, fez um excelente torneio, levou o time às semifinais e marcou dois gols.

“Eu acho que eu sou feliz quando eu jogo pela seleção”, afirmou. “Eu estava feliz jogando no Manchester United também, mas eu sempre disse aos meus amigos: eu quero jogar. Se eles tivessem me deixado jogar, eu faria o meu melhor. Às vezes eu jogava 60 minutos e então eu não jogava no próximo jogo e eu não sabia por que”, disse o jogador

Alexis Sánchez estava claramente fora dos planos do técnico Ole Gunnar Solskjaer, que sequer o colocou para jogar na pré-temporada e também nos três primeiros jogos da temporada do Manchester United. A justificativa oficial do clube era que o chileno se recuperava de uma lesão, mas o jogador negou.

“Eu me sentia bem. Eu acho que fui bem na Copa América. Depois disso, isso [não estar jogando nenhuma partida da pré-temporada] dependia do técnico me colocar para jogar. Você precisa perguntar a ele, não a mim”.