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Wolfsburg adia projeto de CT para jovens e começa a ser afetado pelo escândalo da Volkswagen

Dizer que a Volkswagen está com problemas é minimizar a situação de uma das maiores empresas do mundo. Ela perdeu um quarto do seu valor de mercado depois de admitir que instalou softwares em seus carros para maquiar os níveis de emissão de nitrogênio e enganar a fiscalização dos Estados Unidos. Ainda espera multa na casa dos bilhões de dólares. Se você não está por dentro da história em detalhes, não se preocupe: Leonardo DiCaprio vai produzir um filme sobre esse escândalo com base em um livro que ainda não foi escrito.

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O que importa neste momento é que o executivo-chefe Martin Winterkorn renunciou, após oito anos de serviços prestados, e o seu substituto Matthias Müller, ex-Porsche, está tocando um corte de investimentos em todas os braços da Volkswagen, com o objetivo de economizar mais de US$ 1 bilhão. E apesar de executivo de esportes do Wolfsburg, Klaus Allofs, ter adotado um discurso tranquilizador no começo do escândalo, o caos começa a afetar o clube da Bundesliga.

O projeto de um moderno centro de treinamentos para as categorias de base, com até 14 campos de futebol, orçado em € 40 milhões (equivalente a quase R$ 180 milhões), foi adiado sem previsão porque os envolvidos resolveram usar o bom senso. “Ainda estávamos longe de poder dizer que o projeto está implementado, mas obviamente agora não é o momento de investir. A razão tem que prevalecer”, disse Allofs, a repórteres.

Um grande problema do Wolfsburg é que Winterkorn era o homem responsável por aumentar os investimentos da Volkswagen no futebol, e consequentemente, no clube. No começo do ano, ele enfrentou Ferdinand Piech, que comandava o comitê de fiscalização da empresa, em uma batalha por poder no conselho. Se perdesse, a imprensa alemã estima que o patrocínio ao Wolfsburg, na casa dos € 80 milhões, cairia para € 30 milhões.

A Volkswagen também é acionista do Bayern de Munique (aliás, Winterkorn também faz parte do conselho dos bávaros) e do Ingolstadt por meio da subsidiária Audi. Tem acordos comerciais com mais uma dúzia de clubes da primeira e da segunda divisão, como Hamburgo e Schalke 04 e patrocina a Copa da Alemanha.

A fábrica da Volkswagen em Wolfsburg emprega 72 mil pessoas em uma cidade com 120 mil habitantes. As taxas que paga representam um terço do orçamento da prefeitura. A dependência é profunda e clara. Investimentos do poder público em parques e hospitais também foram congelados, segundo a CNBC.

O clube de futebol está na disputa da Champions League, acabou de ser vice-campeão alemão e de levantar o título da Copa da Alemanha. Os torcedores esperavam que esse embalo fosse aproveitado para o Wolfsburg desenvolver-se ainda mais, e a mentira dos executivos da Volkswagen veio em um péssimo momento para eles.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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