Alemanha

Vai ou não vai?

Restando pouco menos de dois meses para o início da Copa do Mundo, o técnico da seleção alemã, Joachim Löw, ganhou uma grande “dor de cabeça” com a qual terá que lidar nos próximos dias. O clamor pela volta de Kevin Kuranyi ao Nationalelf é cada vez mais intenso e envolve uma parcela significativa da torcida e da mídia no país. Algumas arestas, porém, precisarão ser aparadas para que o retorno aconteça, e tudo indica que a decisão de convocar ou não o centroavante do Schalke 04 será tomada no último instante.

Os motivos de Löw para não convocar o atacante dos azuis reais é bem claro, e forte. Após não ser relacionado para a partida contra a Rússia, em 12 de outubro de 2008, ainda pelo primeiro turno das Eliminatórias para a Copa do Mundo, Kuranyi simplesmente foi embora sem dar satisfações, pedindo desculpas no dia seguinte. Na época, o comandante alemão disse, categoricamente, que enquanto fosse o técnico, não o chamaria mais, e cumpriu a palavra até agora, mesmo sofrendo intensas pressões para voltar atrás.

Uma das vozes que engrossa o coro dos pró-Kuranyi é a de Franz Beckenbauer. Para o Kaiser, trata-se de um dos melhores atacantes do futebol alemão na atualidade e certamente acrescentaria muita qualidade ao elenco que vai à África do Sul buscar o tetracampeonato. Beckenbauer classifica a postura de Löw como “orgulhosa” e diz que a situação poderia ter sido resolvida há muito tempo. “O castigo perpétuo parece sempre ser excessivo. Löw estava certo ao excluir Kuranyi da seleção naquele momento, mas já se passaram 18 meses e ainda há tempo para que as coisas sejam resolvidas.”

Não se trata, porém, de uma decisão tão simples quanto aparenta ser. É necessário ponderar uma série de aspectos, como o impacto negativo que um eventual retorno de Kuranyi poderia causar ao grupo. Ele certamente retornaria no lugar de alguém que sempre se mostrou leal ao comandante e atendeu as convocações, seja Miroslav Klose, Lukas Podolski, Mario Gómez ou Stefan Kiessling. E, caso não haja uma conversa com os líderes da equipe – Ballack, Schweinsteiger e Philipp Lahn -, a atitude de “voltar atrás” poderá ser vista como um ato de insegurança e minar a autoridade de Löw.

Mas é fundamental observar também a atual fase dos atacantes utilizados até agora na seleção. Klose, artilheiro da última Copa do Mundo e vice em 2002, está às vésperas de completar 32 anos e é reserva no Bayern de Munique, e o mesmo se aplica a Mario Gómez. Podolski, eleito o melhor jogador jovem do Mundial de 2006, ainda não confirmou as expectativas criadas sobre si e, nesta temporada, fez apenas dois gols em 24 jogos pelo Colônia. Kiessling tem pouca experiência e vem em declínio no Bayer Leverkusen e Cacau, que faz boa temporada no Stuttgart, pode pintar como surpresa, mas está longe de ser um grande goleador.

Kuranyi também não é nenhum gênio, e isso precisa estar claro. Trata-se apenas de um centroavante que, nas últimas oito temporadas, marcou pelo menos dez gols na Bundesliga e mostra, além da eficiência no jogo aéreo, certa habilidade com a bola nos pés e boa velocidade, considerando seus 1.90m de altura. Seu forte, porém, é realmente a presença de área, e a dupla com o peruano Farfan, no Schalke 04, vem sendo muito eficaz em 2009/10. Mesmo com o declínio da equipe nas últimas rodadas, ele continua fazendo gols e sendo a principal referência ofensiva no esquema de Felix Magath.

Os apelos para que Löw reveja sua posição, portanto, se devem muito mais à supracitada péssima fase vivida pela concorrência, misturada a um certo trauma adquirido nas últimas Copas do Mundo. A convocação de nomes como Mike Hanke, em 2006, Olaf Marschall, em 1998 e, principalmente, Carsten Jancker, em 2002, mostra que a carência do país na posição já atravessa quase duas décadas e que, por lá, não é necessário ser nenhum Romário. Basta ser minimamente eficiente para mobilizar a opinião pública em torno de si.

Mas tudo parece se encaminhar para um final feliz. Löw declarou, nesta quarta-feira, que “e necessário considerar todas as hipóteses possíveis para montar o elenco. A lista final será divulgada no dia 6 de maio, e até lá eu ainda tenho tempo para decidir”. Kuranyi, ansioso, pede por uma segunda chance, e, de fato, a faz por merecer dentro de campo.

Bundesliga: Schalke e Bayer tropeçam, e abrem disputas por vagas na LC

Há mais ou menos duas rodadas, imaginava-se que as três primeiras colocações do Campeonato Alemão seriam definidas entre Bayern de Munique, Schalke 04 e Bayer Leverkusen, restando saber apenas a ordem de classificação. Os seguidos tropeços do Bayer e as duas derrotas seguidas dos azuis reais, porém, permitiram a aproximação de Borussia Dortmund e Werder Bremen, que agora vislumbram a possibilidade de alcançar a terceira posição – ou até o vice-campeonato – e, consequentemente, conseguir a vaga para a Liga dos Campeões.

A matemática é simples: os Werkself somam 54 pontos, contra 52 do Dortmund e 51 do Werder Bremen. E a tabela parece beneficiar os que estão atrás, já que o Bayer enfrenta o Stuttgart, sétimo colocado, fora de casa neste fim de semana. O Borussia encara o Hoffenheim, que não tem mais ambições na temporada, no Signal Iduna Park, enquanto o Bremen tem um desafio um pouco mais complicado, contra o Wolfsburg, na Volkswagen Arena. O Schalke 04, com 58 pontos, não pode se dar ao luxo de perder para o Borussia Mönchengladbach, sob pena de entrar na alça de mira dos concorrentes.

A favor dos aurinegros e dos papagaios, está o fato das duas equipes terem sido campeãs nacionais recentemente e, com isso não terem o estigma de “amarelão” colado na testa. Schalke e Bayer Leverkusen já perderam, nos últimos anos, chances incríveis de conquistar a Bundesliga, e isso certamente deve passar pela cabeça dos torcedores das duas equipes, que, ao mesmo tempo em que podem ser alcançadas, ainda lutam pelo título.

2. Bundesliga: Kaiserslautern de volta à elite

Com 30 rodadas disputadas na 2.Bundesliga, o Kaiserslautern é o primeiro a poder comemorar o retorno à elite do futebol alemão, pois restando 12 pontos em disputa, o Fortuna Düsseldorf, quarto colocado, soma apenas 49. O clube, campeão nacional em 1997/98, estava na segunda divisão há quatro temporadas, e é comandado pelo técnico Stefan Kuntz, ex-centroavante que foi ídolo como jogador e disputou a Copa do Mundo de 1994.

Kuntz montou uma base que mescla experiência e juventude e apostou, com êxito, na solidez defensiva da equipe, que tomou apenas 23 gols em 30 jogos disputados. No ataque, o destaque é o eslovaco Erik Jendrisek, 23 anos, que já fez 14 gols na temporada. Ele estará na Copa do Mundo de 2010 e já atrai a atenção de clubes maiores do país. Outro que faz um belo campeonato é o meia Sidney Sam, autor de nove gols, que integra a seleção alemã sub-21.

Outros destaques do time são o experiente lateral esquerdo Alexander Bugera, que já fez nove assistências, e o ótimo goleiro Tobias Sippel, que assumiu recentemente a titularidade da seleção sub-21 e é alvo do interesse do Bayern de Munique para a próxima temporada. O atacante croata Sr?an Lakic, o meia recém-contratado Pierre de Wit e o capitão do time Martin Amedick completam uma espinha dorsal que promete cumprir um bom papel no ano que vem, se reforçada nos lugares necessários.

O St. Pauli, com 58 pontos, é o segundo colocado e precisa apenas de uma vitória e um empate nos próximos jogos para assegurar seu retorno, enquanto o Augsburg, com 54, só depende de si e conta com Michael Thurk, artilheiro da competição com 22 gols, para conquistar pela primeira vez o direito de figurar entre os 18 principais clubes do país.

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