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Russ quis jogar mesmo após descobrir tumor, mas ato heroico não terminou de forma feliz

Marco Russ construiu sua carreira praticamente inteira no Eintracht Frankfurt. O zagueiro de 30 anos chegou ao clube quando tinha apenas 11 e só deixou as Águias para uma breve passagem pelo Wolfsburg. Nesta semana, porém, o momento mais difícil da equipe na temporada se combinou com um drama pessoal do defensor. Por causa do exame antidoping, Russ descobriu uma alteração hormonal. E, nesta quarta, os médicos confirmaram a existência de um tumor em estágio avançado. Apesar da doença, o capitão entrou em campo para o primeiro jogo dos playoffs de rebaixamento da Bundesliga, nesta quinta. Foi do céu ao inferno durante na Commerzbank Arena, durante o empate por 1 a 1 contra o Nürnberg.

Russ começou a partida com seu nome gritado pelas arquibancadas. Entretanto, o zagueiro sofreu uma enorme infelicidade aos 42 minutos do primeiro tempo. No primeiro lance de ataque do Nuremberg, após uma cobrança de falta em direção à área, o capitão acabou desviando a bola contra as próprias redes. A desolação se tornou visível em seu rosto, apesar de toda a entrega. Ainda assim, permaneceu em campo para seguir lutando na etapa final.

Diante do amplo domínio, o Eintracht Frankfurt buscou o empate no segundo tempo, com Mijat Gacinovic – que, na comemoração, seguiu para abraçar o seu capitão. Ainda assim, não dá para negar o prejuízo dos anfitriões com o empate. Ao término da partida, foram 20 finalizações das Águias, contra apenas uma do Nuremberg. O time da segunda divisão recebe o segundo jogo sob o seu mando e com a vantagem do empate por 0 a 0.

Apesar da superioridade visível nesta quinta, o Eintracht Frankfurt precisa se provar no placar, já que a necessidade de vitória será maior no reencontro. Resta saber qual será a postura de Russ na próxima segunda. Pela história do capitão, difícil imaginar que ele abandone seu time, independente da infelicidade pelo gol contra. E seu esforço foi reconhecido após o apito final, quando o capitão entrou em campo com seus filhos para se despedir das arquibancadas. Agora, o que os torcedores esperam é o final feliz para o veterano. Tanto em sua luta pela permanência na primeira divisão quanto em sua luta pela vida.

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Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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