Prova de grandeza
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Ao Bayern o que é do Bayern. A vitória por 2 a 1 sobre o Real Madrid veio no fim da partida, no último ataque bávaro, quando ninguém mais acreditava, certo? Errado. Chavão vagabundo. Todo mundo na Allianz Arena tinha motivos para acreditar até o fim. Dos jogadores ao roupeiro, da cobertura do estádio ao pedaço mais remoto de grama, todos sempre souberam que, quando o time bávaro está em campo, o jogo só termina quando acaba. E isso vale para o lado ruim também, como na final contra o Manchester United em 1999.
Na terça-feira, porém, foi só alegria. Numa jogada que surpreendeu absolutamente ninguém, Philipp Lahm deixou o supervalorizado Fábio Coentrão comendo grama e cruzou na área. A bola encontrou a canela dele, o gênio troglodita, Mario Gómez. Livre e de cabeça, o camisa 33 havia perdido duas oportunidades. Livre e com os pés, desperdiçou uma chance na pequena área. Mas acompanhado por dois, se antecipou e botou a bola para dentro na corrida, na raça, garantindo a vantagem para os alemães, quebrando a invencibilidade dos merengues.
A vitória é também de outros jogadores. Frank Ribéry, o melhor em campo, fez o primeiro gol, deu chapéu, botou a bola debaixo do pé e chamou a responsabilidade. Foi o melhor em campo. Arjen Robben chamou Fábio Coentrão para dançar e ganhou todas do português no segundo tempo. Thomas Müller, em má fase técnica, movimentou o time. Bastian Schweinsteiger e Toni Kroos garantiram o volume de jogo no ataque, embora em nível inferior aos extremos.
Na defesa, os problemas ficaram claros no gol “de churrasco” feito pelo Real Madrid em jogada na qual Philipp Lahm foi o principal culpado. Mas tomar gol de contragolpe em escanteio faz parte, sobretudo quando quem puxa esse contra-ataque é o excelente Xabi Alonso. Manuel Neuer, no entanto, trabalhou muito pouco. Luiz Gustavo esteve fantástico como primeiro volante e mostrou que pode sim ser útil à seleção brasileira numa posição que ainda não tem dono. David Alaba segurou as pontas com desenvoltura na lateral esquerda e deu um belo drible da vaca em Sami Khedira. E Holger Badstuber foi incrivelmente seguro na zaga.
O triunfo deixa uma mensagem clara ao Real Madrid: o Bayern Munique é gigante dentro e fora de campo, tem camisa e vai vender caro a classificação. Não é com meia-dúzia de imposições ou polêmicas criadas por José Mourinho – incluindo a cara de pau de reclamar de uma arbitragem que não expulsou Fábio Coentrão e Marcelo, mas devia – que os bávaros irão perder a disputa. É necessário que os merengues joguem bola e Cristiano Ronaldo, autor do passe para o gol mas apagado durante a maioria absoluta dos 90 minutos, resolva dar o ar da graça. Pode ser até que os bávaros sejam goleados no Santiago Bernabéu, mas o jogo desta terça-feira confirmou as suspeitas de muita gente: há um time no mundo capaz de jogar de igual para igual contra a dupla espanhola.
Bundesliga: Dortmund com a mão na taça
Se brilhou na Liga dos Campeões, o Bayern Munique largou a Bundesliga de vez ao escalar meio time reserva contra o Mainz 05, empatar por 0 a 0 e ficar oito pontos atrás do Borussia Dortmund. Faltando três rodadas, quase ninguém acredita que a salva de prata terá um destino diferente da sala de troféus dos aurinegros.
O título é mais do que justo. Afinal, são 25 jogos sem derrotas na Bundesliga, uma defesa extremamente consistente, um ataque poderoso e muita intensidade de jogo, com os meias voltando para marcar e os volantes aparecendo no ataque. Shinji Kagawa e Robert Lewandowski foram os destaques individuais, mas é impossível desassociá-los do todo. É uma vitória da equipe, e assim deve ser encarada.