Procura-se técnico e um time em Hamburgo
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Certas coisas no futebol na vida nunca mudam. Continuam as mesmas, sempre. Uns chamam de rotina, outros de monotonia. Quando o resultado é positivo, é a manutenção de um padrão, de uma filosofia vencedora. Quando é negativo, é a insistência no erro. O Hamburg, porém, está alheio a isso e adora mudar. Mudar muito. Mudar sempre, ou quase sempre. E quase sempre para pior, se o critério a ser analisado for o resultado dentro de campo. E esse é o único critério possível de ser analisado no momento.
O diagnóstico a ser feito é simples. Não é necessário ter descoberto a pólvora para concluir que o time está fazendo uma força imensa para piorar. A cada ano que passa, uma reformulação geral atinge as estruturas do departamento de futebol. A cada reformulação, um time novo surge para disputar a Bundesliga. E a cada time novo, surgem novos problemas. Difíceis de serem resolvidos no meio da temporada. E incertezas. A mais flagrante delas no comando técnico, já que o argentino Rodolfo Cardoso, substituto do demitido Michael Oenning, não tem licença de treinador e não poderá assumir a equipe legalmente enquanto não a tiver. Por isso, e pela falta de prestígio e grife do próprio Cardoso, o clube procura desesperadamente um novo técnico.
Essa busca curiosamente é prejudicada pela única certeza visível aos olhos de todos: o time é ruim. De doer na vista. Tanto que Louis van Gaal, que está desempregado e relativamente em baixa no mercado – não tem lugar em grandes clubes e o Hamburg, médio, geralmente paga bons salários -, não topou pegar essa bucha de canhão. Antes de tentar conversar com Van Gaal, o diretor esportivo do clube, Frank Arnesen, por mais que negue, já havia tentado a contratação de outros técnicos, como Huub Stevens, que acabou acertando com o Schalke 04.
Arnesen, aliás, é outro fanfarrão. Foi contratado como diretor esportivo do Chelsea em 2005 e tem como principal glória no currículo o fato de ter levado Malouda, Kalou e Obi Mikel aos Blues. Três bons jogadores, mas que não fariam a órbita da terra girar ao contrário se não tivessem ido para lá. Como efeito colateral dessas maravilhosas negociações, Arnesen encheu as categorias de base da equipe de jogadores de talento duvidoso, o que fez com que a equipe principal não se renovasse da maneira que deveria, e o resultado disso é que Drogba, Lampard e John Terry, todos já trintões, não possuem substitutos à altura em que se possa confiar plenamente no momento.
Quando foi para o Hamburg, em novembro de 2010, Arnesen não podia fazer muita coisa. Não havia um mercado de transferências aberto, e nem muita autonomia dada a ele por parte da presidência. No fim da temporada 2010/11, ele mostrou a cara: sob o pretexto de renovar o elenco para implantar uma filosofia parecida com a do Borussia Dortmund, com um time jovem, ele dispensou jogadores como Zé Roberto e Ruud van Nilsterooy. Vendeu mal outros como Piotr Trochowski e Jonathan Pitroipa que, mesmo não sendo jogadores maravilhosos, ajudavam a equipe. E trouxe um monte de garotos do Chelsea. Todos garotos. E, exceto o turco/alemão Gökhan Töre, canhotinho habilidoso, nenhum deles bom de bola o suficiente para ser titular de um time de primeira divisão nesse momento.
O resultado é mais do que visível em campo: em oito partidas pela Bundelisa, apenas uma vitória, um empate e seis derrotas. Mais do que os resultados negativos em si, a forma com a equipe perdeu algumas partidas é algo extremamente preocupante. O time, que é o único do país a jamais ter disputado a 2. Bundesliga na história, corre sério risco de conhecer a segundona alemã em 2012/13 se mantiver essa política, e não há muitos indícios de que haverá uma “cantadda de pneu” nas contratações no mercado de inverno.
Sequência quebrada
O Bayern Munique, que vinha de dez vitórias seguidas na temporada, teve essa sequência espetacular de resultados interrompida pelo Hoffenheim neste sábado, com um empate por 0 a 0 na Rhein-Neckar-Arena. A grande figura do duelo foi Manuel Neuer, que finalmente teve trabalho para manter sua invencibilidade debaixo das traves, que já chega a impressionantes 1018 minutos e poderá aumentar ainda mais, já que os bávaros recebem o Hertha Berlim na próxima rodada.
O resultado, diante das circunstâncias do jogo, foi, em certa medida, cruel com o Hoffenheim, que criou diversas chances de gol com a dupla formada por Roberto Firmino e Ryan Babel, mas não aproveitou nenhuma delas. O Bayern, por sua vez, teve pouquíssimas oportunidades de abrir o placar e, cansado após a vitória contra o Manchester City no meio da semana passada, se deu por satisfeito com o resultado.
Quem poderia aproveitar esse tropeço para assumir a liderança da Bundesliga, não o fez. O Werder Bremen, vice-líder da Bundesliga, se igualaria em número de pontos aos bávaros se derrotasse o Hannover 96 fora de casa. Não o fez: perdeu por 3 a 2 e desperdiçou a chance, que pode não aparecer mais durante a temporada. O Borussia Mönchengladbach, que soma os mesmos 16 pontos dos Verdes, fez pior: foi derrotado pelo Freiburg por 1 a 0.
Os tropeços dos três primeiros foram bons para quem estava atrás na tabela, que teve a possibilidade de encostar. O Schalke 04, por exemplo, derrotou o Hamburg por 2 a 1 e agora já é o quarto colocado com 15 pontos. O Borussia Dortmund, que venceu as duas últimas partidas – na última contra o Augsburg por 4 a 0 -, já é o sexto colocado, com 13. O Hertha Berlim, que bateu o Köln com imponentes 3 a 0, é o décimo colocado, com 12.