Por moral na Seleção, deixar o Bayern é solução a L. Gustavo?
Nenhum jogador da seleção brasileira se valorizou mais diante da opinião pública na Copa das Confederações do que Luiz Gustavo. O volante chegou à preparação como reserva de Fernando, mas conquistou a confiança de Luiz Felipe Scolari e um lugar cativo no time. Mais do que isso, foi um dos melhores jogadores na conquista do torneio, impecável ao anular Andrés Iniesta na decisão. De desconhecido para a maior parte do público e da imprensa, o meio-campista se tornou um dos nomes mais celebrados na escalação ideal.
Um mês e meio depois da consagração em seu país, porém, Luiz Gustavo vive uma situação completamente oposta aonde construiu sua carreira. O cabeça de área não está nem próximo de ser uma das primeiras opções de Pep Guardiola no Bayern Munique. Nome costumeiro ao lado de Bastian Schweinsteiger com Jupp Heynckes, o brasileiro parece não se encaixar no esquema adotado pelo novo técnico. E a saída parece a única solução viável.
É fato que Luiz Gustavo já não era um nome incontestável no Bayern que conquistou a Tríplice Coroa na temporada passada. Titular no início da campanha, o volante perdeu espaço para Javi Martínez depois que sofreu uma lesão muscular em novembro, permanecendo quase três meses parado. Ainda assim, durante a reta final dos torneios, o brasileiro disputou a maior parte dos jogos na Bundesliga, enquanto o espanhol era o preferido na Liga dos Campeões.
Por conta da Copa das Confederações, Luiz Gustavo perdeu boa parte da pré-temporada, assim como um problema físico atrapalhou seu retorno às atividades. Fatos que minaram seu espaço no modelo de jogo adotado pelo técnico, em um esquema 4-1-4-1. Bastian Schweinsteiger e Thiago Alcântara, dois jogadores mais técnicos e com poder de marcação, têm sido os preferidos à frente da linha defensiva. Já Javi Martínez, nos amistosos em que atuou, entrou na zaga. Luiz Gustavo, mais marcador, apesar da boa saída de jogo, não se encaixaria em sua posição original e seria um reserva de luxo deslocado.
Arsenal, o possível destino
Pela ótima fase, é natural que vários clubes já surjam interessados em Luiz Gustavo. O Arsenal encabeça a lista de especulações, seguido pelo Wolfsburg e pelo Napoli. Segundo o Guardian, os Gunners teriam feito uma proposta de € 18 milhões pelo meio-campista, que se mostrou favorável à mudança para o Emirates.
“Meu contrato com o Bayern vai até 2015, mas é muito importante que eu jogue como titular para continuar sendo convocado. Estou em uma situação delicada no Bayern e isso precisa ser resolvido. Eu tenho razões pessoais e profissionais para sair. Eu ouvi sobre o interesse do Arsenal. É um grande clube e é lógico que gostaria de atuar lá”, afirmou o jogador. “Conversei algumas vezes com Guardiola, mas nada específico sobre minha situação. Existem algumas questões pessoais e profissionais que eu gostaria de fazer”.
Diante da fidelidade de Felipão com seus escudeiros, é difícil imaginar que a reserva no Bayern seja suficiente para tirar Luiz Gustavo da seleção. De qualquer forma, a situação pode prejudicar sua sequência e também refletir sobre sua posição unânime entre os titulares na equipe nacional. E, dada a necessidade do Arsenal em encontrar um cabeça de área que possa atuar com constância ao lado de Mikel Arteta (algo que Abou Diaby, o jogador com características mais parecidas no atual elenco, não tem conseguido), cavar seu lugar rapidamente com Arsène Wenger não parece ser problema. Aliás, aumentar a pegada em seu meio-campo seria ótimo para os londrinos.
Deixar o Bayern diante da atual fase vivida pelo clube não é das decisões mais fáceis. Quando a carreira está em risco, porém, talvez não haja melhor saída – e Mario Gómez foi o primeiro a fazer essa opção. Considerando as ótimas atuações de Luiz Gustavo pela seleção, manter-se em atividade é o melhor caminho no momento. No fim das contas, quem acabará perdendo é o Bayern, abrindo mão de um excelente jogador que seria peça-chave sob as ordens da maioria dos técnicos.




