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Polônia Dortmund

Semana de Liga dos Campeões com jogo de time alemão é um grande atrativo, e geralmente o jogo é tema da coluna, certo? Geralmente sim. Mas o Bayer Leverkusen, que tomou duas trauletadas do Barcelona, não merece mais do que um parágrafo e uma menção por ter vencido o todo-poderoso Bayern Munique no interlúdio entre uma derrota e outra para os blaugranas. Falemos então do Borussia Dortmund, que há oito jogos só sabe o que é vitória, não perde há 18 partidas e disparou na liderança da Bundesliga.

No Signal Iduna Park, os mimos geralmente se concentram em Mario Götze e Shinji Kagawa. Geralmente, são eles que decidem o jogo com o suporte sólido da defesa formada por Mats Hummels e Neven Subotic. Mas nem todos os times campeões são feitos por estrelas – a maioria absoluta não é -. Uns dois ou três coadjuvantes cabeçudos (ou não) são necessários para carregar o piano e completar o time sem que haja algum desequilíbrio. E três desses coadjuvantes aurinegros nasceram na Polônia: Lukaz Piszczek, Robert Lewandowski e Jakub Blaszczykowski estão jogando o fino da bola em 2011/12 e têm sido reconhecidos pelo clube e pela torcida por isso.

Mais regular, Piszczek foi o único titular durante toda a temporada passada. Meia de origem adaptado à lateral direita, já foi o melhor da posição em 2010/11, mas cresceu ainda mais na marcação de lá para cá e segue eficiente no apoio, dando assistências precisas vez ou outra. Na atual temporada, precisou superar a dificuldade de ter sido condenado à prisão e suspenso por manipulação de resultados, o que certamente não foi fácil, e é novamente o melhor lateral direito da Bundesliga, sobretudo após a migração de Philipp Lahm para o lado esquerdo.

Lewandowski, por sua vez, foi titular durante todo o segundo turno em 2010/11 com a lesão de Shinji Kagawa, mas não empolgou ninguém centralizado como atacante atrás de Lucas Barrios no 4-2-3-1 com variação para 4-4-1-1 de Jürgen Klopp. Fazia belos gols, mas perdia um bocado deles, e com a lesão de Lucas Barrios na Copa América, muitos temeram que não conseguiria dar conta do recado como centroavante titular da equipe. Ledo engano. Com 16 gols e oito assistências, o agora camisa 9 participou de quase metade dos 52 gols do time. Continua desperdiçando diversas chances claras, é verdade, mas tomou a posição de Lucas Barrios e não parece disposto a perdê-la nesta reta final.

Quem surpreende nesta temporada é Blaszczykowski, ou Kuba, como é mais conhecido. O meia, que foi barrado por Mario Götze na temporada passada, recuperou a posição com a lesão do Wunderkind e muitos temeram pelo pior, mas o polonês nem sentiu a pressão. Jogando uma bola que nunca jogou na vida, ele não só tem substituído bem o melhor jogador do time como tem sido decisivo em vários momentos. Uma prova disso é o golaço que marcou contra o Mainz 05, acertando um chute com raiva no ângulo e abrindo o placar em um jogo que estava difícil para os aurinegros. Será difícil para Jürgen Klopp colocá-lo no banco novamente.

O sucesso dos três faz com que o Borussia Dortmund planeje construir uma loja oficial na Polônia, para interagir melhor com os fãs dos jogadores no país. Piszczek, Lewandowski e Kuba deverão ser os principais jogadores da seleção polonesa na Eurocopa 2012, e os aurinegros não podem perder a oportunidade de capitalizar um pouco com esse sucesso, nem que seja apenas comercializando camisas na terra dos ídolos. Afinal de contas, a possibilidade de mais um título é real e a participação dos três tem sido importantíssima até aqui.

Leverkusen: Alguém anotou a placa?

Todos sabiam que o Bayer Leverkusen seria eliminado contra o Barcelona, e a pergunta geral era: quanto seria a surra? Infelizmente, para os Aspirinas, a resposta não foi muito boa para eles e mostra que, mesmo com a derrota inevitável, a dignidade e o talento do time poderiam ser maiores em 2011/12. Uma reformulação no elenco se faz urgente no momento, e a permanência do técnico Robin Dutt pode não ser a melhor opção.

Para começo de conversa, um time que aposta em Stefan Kiessling e Eren Derdiyok no ataque não pode querer algo sério. Quando não fazem algum gol de cabeça em alguma bola vadia, os dois não servem para quase nada. São facilmente marcados pela natureza, essa implacável inimiga dos atacantes medianos, e não têm competência nem para ser trogloditas importantes no mundo do futebol, como Mario Gómez. Na defesa, Stefan Reinartz e Daniel Schwaab já mostraram tudo – quer dizer, nada – do que são capazes. Jogadores medianos, um deles deverá perder a posição para Philipp Wollscheid na próxima temporada, assim como Michal Kadlec, que deverá perder a posição para alguém desconhecido também. De positivo, apenas o golaço de Karim Bellarabi, que já havia balançado as redes contra o Bayern Munique. Mas isso é uma pequena migalha perto do todo.

Poldi é Gunner

Lukaz Podolski finalmente sairá de Colônia. Irá para o Arsenal, numa negociação que envolveu € 13 milhões, e aí sim podemos ver o quão bom é o extremo esquerdo em sua real posição em um time minimamente decente. No Köln de 2011/12, ele batia o escanteio, corria para cabecear e ainda evitava o contra-ataque praticamente sozinho, enquanto na Inglaterra ele terá responsabilidades divididas com outros grandes nomes do time, como Robin Van Persie.

Alguns fatores foram preponderantes na escolha de Podolski. O fato de Per Mertesacker, seu companheiro de seleção alemã, estar por lá, certamente ajudou, assim como o de outros jogadores, como Thomas Rosicky, falarem alemão – Arsène Wenger é fluente no idioma também -. O goleiro polonês, Wojciech Szczezny, também poderá se comunicar facilmente com Poldi durante os treinos e partidas.

Bayern Munique na beira do caos

Há duas semanas, escrevi aqui que o Bayern Munique não podia mais errar na Bundesliga, sob pena de perder o título. Pois bem. Errou. E errou feio contra o Bayer Leverkusen. Nem tanto pelo primeiro, mas pelo segundo tempo em que não jogou bem e sofreu muito com os contra-ataques dos rivais, que resultaram em dois gols. Manuel Neuer falhou novamente, vale dizer, mas o time se perdeu em algum momento da história e não sabe onde pode se encontrar.

Jupp Heynckes assumiu a responsabilidade por essa má fase do time, assim como os jogadores mais experientes já o fizeram, mas não adianta. Se o Bayern não seguir adiante na Liga dos Campeões, certamente haverá uma boa reformulação no elenco e aquele papo-cabeça de que o Bayern “tem time até 2015” irá pelos ares. Basta um jogo, só mais uma partida ruim, e o botão “implodir” será detonado automaticamente.

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Equipe Trivela

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