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O prêmio de Jogador Africano do Ano mede a grandeza que Aubameyang já atingiu

Nenhum outro continente trata com tamanha importância o seu próprio prêmio de Jogador do Ano. A honraria oferecia aos africanos, mais do que uma maneira de homenagear uma grande temporada, também reforça a identidade do futebol local. É só passar os olhos pela lista de vencedores desde 1970. Há lendas (infelizmente) pouco lembradas nos demais continentes, como o malinês Salïf Keita. Outros, que estouraram muito antes do resto do mundo reconhecê-los, a exemplo de Roger Milla, premiado ainda em 1976. Ou que honraram a força do futebol africano perante todo o planeta, vide George Weah. Nesta quinta, Pierre-Emerick Aubameyang foi anunciado como vencedor em 2015. Aos 26 anos, o atacante gabonês se coloca em meio a gigantes.

Por tudo o que vem jogando nesta temporada, até o momento o jogador com mais gols entre as grandes ligas europeias, Aubameyang já merece os devidos créditos. Mas faturar o prêmio dá uma cor a mais a suas façanhas recentes. É só ver como o grupo de ganhadores se tornou bastante exclusivo desde a virada do século. A partir de 2001, apenas seis jogadores dividiram entre si os 14 troféus. Samuel Eto’o, incontestavelmente entre os melhores africanos da história, ganhou quatro vezes. Yaya Touré repetiu o camaronês ao alcançar o tetra nos últimos quatro anos. Didier Drogba e El-Hadji Diouf ganharam duas vezes cada. E, por fim, Frédéric Kanouté e Emmanuel Adebayor completam a lista.

Aubameyang já havia batido na trave em 2014, se tornando o primeiro jogador de Gabão a alcançar o pódio. Ficou à frente até mesmo de quem fez sucesso na Copa do Mundo, como Victor Enyeama. No entanto, o talento de Yaya Touré ainda pesou a seu favor – sobretudo diante do papel decisivo na conquista da Premier League com o Manchester City em 2013/14. Mas desta vez nem mesmo o craque marfinense superou o artilheiro, mesmo tendo sido um dos protagonistas na conquista da Copa Africana de Nações de 2015. Com apenas sete pontos a mais, o atacante do Borussia Dortmund levou o troféu.

Pela maneira como vem empilhando gols no Borussia Dortmund, Aubameyang tem a chance de viver, com sobras, a temporada mais espetacular da carreira. Coletivamente, está em uma equipe capaz de levar ao menos duas taças: a Liga Europa e a Copa da Alemanha. Enquanto isso, no plano individual, atualmente lidera a Chuteira de Ouro. O fato de jogar quatro partidas a menos que as outras grandes ligas lhe dá uma considerável desvantagem junto aos concorrentes. Ainda assim, o aurinegro demonstra chances reais de se tornar o primeiro jogador da Bundesliga a vencer a disputa desde Gerd Müller. E o segundo africano, repetindo Eusébio. Não é pouco.

O prêmio recebido nesta semana serve também para motivar Aubameyang no meio deste caminho. Afinal, se colocar ao lado de gigantes como Abedi Pelé, Kanu, Kalusha Bwalya e Rabah Madjer (além de todos os outros já citados) é para poucos. Reconhecimento para quem, neste momento, compete de igual para igual com os melhores artilheiros da atualidade. Os 27 gols em 27 partidas indicam que o gabonês vai vencendo mais essa.

Para conferir a lista completa de vencedores do prêmio dado ao Jogador Africano do Ano, clique aqui.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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