Futebol alemão

O beijo do carrasco

Durante a primeira metade da a temporada 2010/11, este que vos escreve foi um crítico do desempenho do Schalke 04. Durante o primeiro tempo contra o Valencia, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, este que vos escreve cornetou o time de Felix Magath pelo Twitter, não sem motivos. Disse, entre outras coisas, que o time se resumia a Farfán, e que uma equipe que se resume a Farfán não pode querer muita coisa com a vida. Naquele momento, os azuis reais perdiam para o Valencia por 1 a 0 e levavam um baile em campo.

Mas veio a segunda etapa e Raúl, com a ajuda de Jurado, tratou de queimar minha língua e empatar o jogo, fazendo o seu 69º gol na Liga dos Campeões, se isolando como artilheiro absoluto da história da competição e mostrando que ainda pode ser muito perigoso, sobretudo se subestimado. O Valencia, que já sofreu com ele na final da competição em 1999/00, devia saber disso, mas David Navarro, zagueiro que infantilmente se deixou antecipar no lance do gol, provavelmente se esqueceu. Na comemoração, o atacante mandou beijos para a torcida, que o perseguia.

O resultado deixa o Schalke com a faca e o queijo na mão para o jogo de volta, que será disputado em Gelsenkirchen. Resta saber se o time conseguirá segurar a pressão adversária dentro de casa e, sobretudo, manter a regularidade dentro de uma mesma partida. A julgar pelo retrospecto recente e pelo elenco mediano que possui, são dúvidas mais do que pertinentes, às quais só poderão ser respondidas no duelo dentro das quatro linhas.

As dúvidas aumentam quando observamos os azuis reais na Bundesliga. Tudo bem que a equipe faz uma campanha de recuperação e já não parece tão ameaçada pelo rebaixamento quanto no começo do campeonato, mas o desempenho nas partidas ainda inspira cuidados. A prova disso foi o jogo contra o Borussia Dortmund, quando Manuel Neuer segurou o 0 a 0 na marra com uma atuação antológica. O time agora ocupa a 10ª posição na tabela, com 29 pontos, e tem perspectivas de evoluir, mas está longe de encantar.

Ao analisarmos o time jogador por jogador as carências são evidentes. Neuer à parte, o time depende das investidas em velocidade e dos contra ataques criados por Farfán no lado direito, além de um ou outro lampejo de Raúl. Mais do que isso, só quando Jurado resolve acordar em campo e fazer uma ou outra boa jogada, ou alguma bola sem vergonha sobra limpa para Huntelaar empurrar para as redes. Pouco para quem disputa competição mais importante de clubes da Europa.

O restante da equipe inspira cuidados. O japonês Uchida, lateral direito eficiente no apoio, às vezes falha na marcação e geralmente não conta com a ajuda de Farfán, extremo direito no 4-4-2 ortodoxo de Magath, como foi flagrado no gol do Valencia, em que Tino Costa e Mathieu não tiveram dificuldades para fazer a jogada de ultrapassagem pela esquerda. No outro lado, Schmitz é simplesmente medíocre e seu reserva, Sergio Escudero, é uma das maiores decepções da temporada até aqui.

Na zaga, Metzelder tem qualidades comprovadas, mas nunca se sabe até quando estará disponível, dado o vasto histórico de lesões que possui. Höwedes, campeão europeu sub-21 em 2009 pela seleção alemã, fez uma bela temporada em 2009/10, mas tem falhado demais ultimamente e já não inspira muita confiança. Entre os volantes, Matip é um bom jogador, embora ainda seja inconstante em alguns momentos, e Kluge, definitivamente, destoa dos demais e poderia ser dispensado sem maiores problemas.
Se o time titular já não é dos melhores, a situação piora quando observamos o elenco e a quantidade de jogadores meia-boca que contam com a confiança de Magath. O chinês Hao é um deles, assim como o brasileiro Edu, e mais exemplos poderiam ser citados. Com a saída de Rakitic para o Sevilla, a falta de criatividade no meio é evidente, mas o iraniano Ali Karimi, contratado para resolver o problema, não resolveu quando estava no auge e atuou no Bayern Munique. O garoto Julian Draxler, de 17 anos, mostra talento, mas ainda é uma esperança para o futuro de um time que precisa mudar muito para voltar a ter perspectivas interessantes.

Diferença reduzida

O Borussia Dortmund não jogou bem, mas poderia ter vencido o Kaiserslautern se não fosse o belo gol do meia tcheco Jan Moravek que selou o empate por 1 a 1 no último minuto da partida . Quem também jogou muita bola foi o goleiro Tobias Sippel, que fechou o gol e mostrou os motivos pelos quais clubes como o Bayern Munique já se mostraram interessados em contar com os seus serviços. O zagueiro brasileiro Rudnei foi outro que teve atuação destacada.

O resultado reduziu para dez pontos – 52 a 42 – a diferença entre os aurinegros e o Bayer Leverkusen, que não teve dificuldades para derrotar o Eintracht Frankfurt por 3 a 0. O Bayern Munique se recuperou da virada sofrida contra o Köln e fez 4 a 0 no Hoffenheim sem dificuldades. Robben, com dois gols e uma assistência, voltou a lembrar o jogador que arrebentou na temporada passada, e Mario Gómez, que balançou as redes uma vez, se isolou ainda mais na artilharia da Bundesliga.

Outro destaque da rodada foi o Köln, que, com show de Podolski e Novakovic, fez 4 a 2 no Mainz 05 com total justiça e já livrou uma pequena margem da zona da degola, deixando o Kaiserslautern no sufoco. O Stuttgart, que está com apenas 19 pontos, já respira por aparelhos, bem como o Borussia Mönchengladbach, que, com apenas 16, demitiu o técnico Michael Frontzeck e contratou Lucien Favre, ex-Hertha Berlim, para tentar tirar o time do buraco.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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