Missão cumprida?
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Deu a lógica em Gelsenkirchen. A vitória do Schalke por 2 a 1 após um primeiro tempo modorrento e um segundo um pouco menos ruim coroou o melhor time no duelo, o que mais se empenhou para vencer. Raúl, no finalzinho do primeiro tempo, e Höwedes, fizeram os gols do triunfo, que foi muito comemorado pela torcida antes, durante e depois do jogo que levou os comandados de Ralf Rangnick à sua melhor campanha na história da Liga dos Campeões.
O placar final de 7 a 3 não deixa dúvidas, e os azuis reais podem considerar sua missão continental cumprida em 2010/11, pois, com o time que possuem, estar entre os quatro melhores da Europa já é um milagre. A hora, agora, é de voltar os olhos para a Bundesliga e tentar faturar pelo menos uma vaga na Liga Europa para salvar a próxima temporada do limbo e poder continuar no cenário continental em 2011/12. Feito que, ao que tudo indica, será bem mais difícil do que a vitória desta quarta-feira.
O raciocínio é bem simples. A menos que vença a Liga dos Campeões – o que é bem improvável, já que na teoria é o pior time entre os semifinalistas -, O Schalke não teria vaga garantida no torneio. No Campeonato Alemão, o time ocupa a nona posição com 39 pontos, 14 a menos do que o Hannover 96, terceiro colocado e último time da zona de classificação para a LC. Para o Nürnberg, sexto colocado e que se classificaria para a Liga Europa se o campeonato terminasse agora, a diferença é de apenas quatro pontos, restando 18 em disputa. Parece um objetivo mais realista. Outra alternativa, mais simples ainda, é vencer o Duisburg na final da Copa da Alemanha, para garantir vaga no segundo torneio do continente.
A julgar pelas últimas atuações do time, a conquista é bem possível. As duas vitórias contra a Internazionale, pela LC, dão a moral necessária para que o time enfrente a sequência de jogos desse fim de temporada. Nas duas últimas rodadas da Bundesliga, triunfos contra St. Pauli e Wolfsburg, que estão na zona de rebaixamento, por 2 a 0 e 1 a 0, respectivamente. São, portanto, quatro vitórias consecutivas, retrospecto que permite sonhar.
A tabela até o fim não é das melhores, mas também não assusta. Na próxima rodada, o Schalke enfrenta o Werder Bremen, que já não está com a corda no pescoço, fora de casa. Depois, recebe o Kaiserslautern e o Mainz 05, este último um confronto direto por vaga na LE. Por fim, encara o Köln, partida perfeitamente possível de se vencer, mesmo fora de seus domínios. O jogo contra o Bayern Munique no Allianz Arena, porém, precisa ser encarado como uma derrota programada, embora os azuis reais tenham vencido os bávaros recentemente pela Copa da Alemanha.
A equipe, no entanto, terá de tomar mais cuidado a partir de agora. Com a inesperada classificação para as semifinais, as duas partidas contra o Manchester United podem atrapalhar a caminhada rumo à próxima Liga Europa 2011/12 e, consequentemente, comprometer toda a temporada. Será necessária uma boa preparação para que o time consiga superar essa sequência de jogos sem sentir muito os efeitos do cansaço, mantendo a boa condição física demonstrada nas últimas partidas.
Basta uma olhada mais atenta no banco de reservas, porém, para percebermos que não será muito fácil para Ralf Rangnick revezar os jogadores e manter o padrão de atuações. Nesta quarta-feira, o banco de reservas era formado por um misto de anciãos quase aposentados, como Charisteas e Ali Karimi, com novatos como Julian Draxler e jogadores de pouca qualidade, como o chinês Hao. Pouco para um time que se propõe a figurar entre os melhores da Bundesliga e do continente.
Ainda assim, é necessário ressaltar que a vitória sobre a Internazionale no confronto encheu a torcida de alegria e que, por mais que a reação na Bundesliga tenha sido tardia, as perspectivas agora são das melhores. E, mesmo que a vaga para a Liga Europa não venha, o simples fato de ter chegado às semifinais da Liga dos Campeões já possui um valor simbólico que poderá ser capitalizado pelo próprio clube num futuro não muito distante.
Van Gaal demitido
Mais cedo do que o esperado, mais tarde do que deveria acontecer. A saída de Louis van Gaal do comando técnico do Bayern Munique não surpreendeu ninguém, pois já era prevista para o final da temporada. A antecipação da demissão, porém, não era esperada. Os bávaros empataram por 1 a 1 com o Nürnberg no último sábado, e a diretoria do clube percebeu o óbvio: não havia mais clima para a permanência do holandês.
A dificuldade de relacionamento entre ele e os principais jogadores do elenco aumentou muito após a eliminação na Liga dos Campeões, e o fato do time estar atualmente na quarta posição no campeonato, fora da zona de classificação para a LC 2011/12, piorou ainda mais as coisas para o grupo, que tem a folha salarial mais cara da Alemanha. Os problemas defensivos, existentes desde a temporada passada, parecem nunca ter sido uma preocupação de Van Gaal, que nos últimos tempos fez diversas experiências mal-sucedidas no setor.
Quem assumiu o comando interinamente até o fim da temporada foi o também holandês Andries Jonker, que era assistente técnico de Van Gaal. E o primeiro desafio dele é justamente contra o vice-líder Bayer Leverkusen, dirigido por Jupp Heynckes, que comandará o Bayern Munique na próxima temporada. O jogo, no Allianz Arena, é tido como fundamental para as pretensões das duas equipes na Bundesliga, pois, enquanto os bávaros buscam a classificação para a Liga dos Campeões, os Aspirinas ainda sonham com o título e precisam vencer para não deixar o Borussia Dortmund escapar de vez.
Jonker, cuja experiência como técnico se resume a times pequenos da primeira divisão holandesa, é tido como mais afável do que Van Gaal. Especula-se que ele tenha sido contra a barracão do goleiro Hans-Jörg Butt para a entrada de Thomas Kraft no time titular, fato que minou a relação de seu antecessor com o elenco e a diretoria. Kraft, 22 anos, falhou no gol de empate do Nürnberg, no último sábado, e isso certamente contribuiu para a troca de comando técnico.