Bi da Bundesliga com o Dortmund: ‘Minha fortuna se esgotou, trabalho como voluntário’
Ex-zagueiro do Dortmund detalha mudança radical de mentalidade, relação com Klopp e compromisso total com sua fundação
Grande nome de uma das fases mais marcantes do Borussia Dortmund, Neven Subotic construiu uma trajetória incomum após pendurar as chuteiras. Bicampeão da Bundesliga sob o comando de Jürgen Klopp, o ex-defensor hoje vive uma realidade completamente diferente. E admite que sua fortuna está perto de se esgotar após anos financiando projetos sociais.
Aos 37 anos, Subotic se dedica integralmente à fundação que criou para levar água potável e saneamento à África Oriental. E essa escolha veio acompanhada de uma decisão radical: colocar praticamente todos os seus recursos pessoais a serviço da causa.
“Na verdade, minha fortuna está prestes a se esgotar, sim. Já doei cerca de quatro milhões de euros e trabalho como voluntário”, revelou.
Do luxo ao propósito: a transformação de Subotic pós-Borussia Dortmund
A declaração, que surgiu em entrevista ao site alemão “Die Welt”, chama atenção não apenas pelo valor envolvido, mas pelo contraste com a vida que levava durante a carreira como jogador profissional.
Subotic não esconde que, no início da carreira, viveu os excessos típicos de um atleta de elite. Ele descreve um período marcado por impulsividade e consumo sem controle.
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“Eu tinha carros velozes, uma mansão com jacuzzi. Eu agia sem pensar”, contou. A mudança de mentalidade começou por volta de 2010, ainda nos tempos de Borussia Dortmund. Dois anos depois, ele fundou a organização que se tornaria o centro de sua vida.
Desde então, o ex-zagueiro adotou uma postura quase oposta àquela fase inicial: disciplina extrema, foco absoluto e um senso de missão que, segundo ele, por vezes cobra um preço pessoal alto.
“Decidi dar tudo pela fundação: meu dinheiro, meu tempo, meus pensamentos.”
O impacto é concreto. De acordo com Subotic, mais de 439 mil pessoas já passaram a ter acesso a água potável graças aos projetos desenvolvidos.
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Futebol, Klopp e a falta de equilíbrio
Apesar da nova rotina, o ex-jogador, aposentado desde 2022, reconhece que o futebol ocupava um papel importante que hoje faz falta, especialmente como válvula de escape.
“Jogar diante de 80 mil pessoas… a cabeça vai para outro lugar. Não salva o mundo, mas é maravilhoso”, afirmou.
A relação com Jürgen Klopp, figura central em sua carreira, também segue marcante. Foi sob o comando do treinador que Subotic viveu o auge esportivo, e o respeito permanece evidente.
Klopp, inclusive, escreveu no prefácio de seu livro que o ex-zagueiro teria se transformado “de jogador em santo”. Subotic, no entanto, evita esse rótulo, embora reconheça a importância da relação.
🎉 Alles Gute zum Geburtstag, Neven #Subotic (32)! 👏 pic.twitter.com/rkojKSsnsv
— Borussia Dortmund (@BVB) December 10, 2020
“Eu ficaria muito feliz em tomar uma cerveja com Jürgen Klopp. Ele moldou minha vida. Mas nunca tivemos um momento de calma para conversar. Eu gostaria muito disso hoje”, disse.
Uma vida dedicada e os custos dessa escolha
A dedicação total à fundação trouxe resultados, mas também consequências. Subotic admite que abriu mão de aspectos pessoais ao longo do caminho, incluindo relações e tempo para si mesmo.
Ele vive atualmente em Dortmund, cercado por pessoas ligadas ao projeto, e descreve a fundação como sua “nova família”. Ainda assim, reconhece que o equilíbrio é um desafio: “Às vezes sinto que a vida passa por mim porque não quero me desviar do trabalho.”
A questão financeira também se tornou um ponto crítico. Como financiou durante anos os custos operacionais com recursos próprios, garantindo que 100% das doações fossem destinadas aos projetos, seu patrimônio foi sendo consumido. Agora, a sustentabilidade da iniciativa depende cada vez mais de parcerias e apoio externo.
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A história de Subotic foge completamente do roteiro tradicional pós-carreira no futebol. Longe de negócios, mídia ou cargos esportivos, ele optou por um caminho que combina propósito e sacrifício.
Ao admitir que seu dinheiro está acabando, o ex-zagueiro não demonstra arrependimento, apenas a consciência de que, para continuar ampliando o impacto, precisará de novas estruturas de financiamento.
“Joguei 14 anos como profissional, mas meus salários eram valores brutos. E não tive tantos anos seguidos com salários milionários, isso foi por um período no Borussia Dortmund. Meu dinheiro é finito. Por isso as parcerias com empresas são tão importantes: elas ajudam a arcar comigo os custos da fundação e, consequentemente, manter o alicerce“.