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Fim da margem de erro

No início da temporada, Jupp Heynckes dava a impressão de que tinha armado um Bayern Munique capaz de incomodar bastante. O time chegou a vencer seis jogos seguidos na Bundesliga, atropelou o Manchester City na Liga dos Campeões e mostrava a mesma verticalidade das últimas temporadas, mas trabalhava melhor a bola em vários momentos e conseguia vencer com mais facilidade, trabalhando em equipe. De uma hora para outra, porém, tudo mudou, e a derrota para o Basel na Liga dos Campeões foi o último tropeço permitido dentro da margem de erro.

O time, que mostrava uma consistência tática impressionante e excelente qualidade técnica, parece ter desaprendido a jogar bola. Sem imaginação ou jogadas criadas, vive dos lampejos de seus melhores jogadores e uma ou outra bola para Mario Gómez. Pouco para quem é apontado como a terceira força do futebol europeu, possui a base da seleção alemã e conta com jogadores experientes de talento reconhecido, como Arjen Robben e Frank Ribéry.

As lesões de Bastian Schweinsteiger explicam o problema só até a página cinco. Tudo bem que, sem Schweini, o time não tem boa saída de bola, e com isso a velocidade dos ataques e contra-ataques fica comprometida. Luiz Gustavo e Anatoly Tymoshchuk são muito defensivos e Toni Kroos, mais cerebral, é o único meia do time capaz de organizar o jogo. Se recuar demais, compromete a armação das jogadas. Sobra David Alaba, que ainda não mostrou no time bávaro o mesmo desempenho de quando esteve emprestado ao Hoffenheim em 2010/11.

Há, porém, outro problema maior: Arjen Robben. O holandês, que arrebentou na Liga dos Campeões em 2009/10, se machucou mais uma vez no início da temporada e perdeu quase a metade dos jogos do primeiro turno. Quando retornou, insistiu demais na jogada que o consagrou – corte para dentro e chute de fora da área com a perna esquerda -, sem, no entanto, conseguir o mesmo sucesso. O individualismo no estilo de jogo dele, aliado à improdutividade no atual momento, gerou um desgaste com o restante do time e críticas de ex-jogadores, como Mario Basler e Franz Beckenbauer.

Heynckes poderia tirar Robben do time no peito e na raça, mas as coisas não necessariamente dariam certo. Thomas Müller, que seria o substituto natural, está numa fase ruim, não é nem sombra do jogador que brilhou na Copa do Mundo. Outra opção poderia ser Rafinha, que se mostrou vulnerável defensivamente contra o Basel, mas aí seria um improviso, algo que também é arriscado. Xherdan Shaqiri, já contratado pelo clube, só chega na próxima temporada e ainda poderá ser o algoz bávaro daqui a duas semanas.

O único que tem se salvado no time é Frank Ribéry, que corre muito, tenta, arrisca dribles com relativo sucesso, serve os companheiros e até dá combate na defesa, mas nem sempre consegue resolver sozinho. Até o artilheiro Mario Gómez, que sempre incomoda as defesas adversárias, tem tido exibições ruins recentemente e parece ter menos confiança em campo.

Se tudo ocorrer dentro da normalidade, porém, o Bayern Munique segue adiante na Liga dos Campeões. Em um bom gramado, com o apoio da torcida na Allianz Arena, os bávaros deverão ser superiores, assim como já foram na Suíça. O problema maior deverá ser na Bundesliga, com o Borussia Dortmund mostrando consistência e o Gladbach surpreendendo, mas ainda assim, com a força do elenco, o time bávaro tem totais condições de lutar pelo título até o fim. Desde que, é claro, mostre poder de reação rapidamente.

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Equipe Trivela

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