Diretor do RB Leipzig diz que clube tem teto salarial. Mas não por muito tempo
A tabela da atual Bundesliga tem um elemento estranho: na vice-liderança, com o mesmo número de pontos do Bayern de Munique, está o RB Leipzig, recém-promovido da segunda divisão e na sua temporada de estreia na elite. O clube bancado pela empresa de energéticos Red Bull tem causado controvérsia na Alemanha por causa do seu modelo de negócios que, segundo os críticos, é artificialmente reforçado pelo dinheiro dos austríacos. Mas o diretor-esportivo Ralf Rangnick disse que a farra não é tão grande assim.
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Rangnick, ex-técnico do Hoffenheim e do Schalke, disse em entrevista à agência German Press, publicada pela Kicker, que o clube trabalha com um teto salarial na sua primeira temporada na Bundesliga, com o objetivo de “crescer organicamente”. Isso fez, de acordo com ele, com que o RB Leipzig perdesse a oportunidade de contratar alguns jogadores na última janela de transferências, como o atacante suíço Breel Embolo, que acabou fechando contrato com o Schalke.
No entanto, para quem teme o desequilíbrio que um caminhão de dinheiro da Red Bull possa causar à Bundesliga tem motivos para ficar preocupado porque essa restrição financeira está prestes a ser retirada. “O chamado teto salarial, que não está fixado por escrito, mas que já declaramos ser uma lei extra-oficial para nós, não será aplicado nos próximos cinco anos. Vamos continuar a nos desenvolver nesse aspecto”, afirmou.
Rangnick declarou que isso vale, inclusive, para os jogadores que já têm contrato com o clube. “Eles também deveriam ter a chance de se beneficiar por terem contribuído para estarmos onde estamos agora. Isso acontecerá automaticamente porque já há conversas sobre extensões de contrato. Queremos expandir a relação empregatícia com um ou outro jogador e, nesse processo, vamos também adaptar os salários, graças ao desenvolvimento esportivo”, disse.
O teto salarial fazia sentido para o RB Leipzig manter o seu negócio minimamente sustentável durante as campanhas que o trouxeram à Bundesliga. Mas não dá para dizer que o clube praticou qualquer austeridade. Por exemplo: nos dois anos em que ficou na segunda divisão, gastou € 43 milhões em contratações, mais do que todos os outros 34 participantes do torneio nesse mesmo período juntos. Também levou dinheiro da patrocinadora para transformar o Zentralstadion na Red Bull Arena, estádio que passou a ficar lotado, graças ao maciço apoio da população de Leipzig ao clube, e se tornou uma boa fonte de renda.
Esse tipo de doping financeiro, aliado ao jeitinho que o RB Leipzig encontrou para ser bancado pela Red Bull, apesar da legislação que proíbe uma empresa de controlar mais de 50% das ações de um clube, causa rejeição em muitas torcidas e clubes da Alemanha, por abalar a estrutura sustentável e competitiva que existe no país. Nesta Bundesliga, já houve protestos de torcedores do Augsburg, do Colônia e do Borussia Dortmund.
O chefe-executivo do Dortmund, Hans-Joachim Watzke, disse ao Bild que o RB Leipzig não tem “raízes históricas” e que foi fundado apenas para que a Red Bull possa vender mais bebidas energéticas. O presidente do RB Leipzig, Oliver Mintzlaff, rebateu, ao mesmo jornal, afirmando que não é isso que Watzke lhe diz em privado. E deu uma cutucada. “Lamentamos um pouco que o Red Bull tenha tirado atenção do Dortmund. O senhor Watzke sabe que o RB Leipzig, como clube, é visto pela maioria das pessoas como um enriquecimento à Bundesliga”, disse.