Dá em mim que eu resolvo

Jogo decisivo para o Bayern de Munique na Liga dos Campeões. Clima tenso, com o time enfrentando condições adversas e precisando resolver o jogo, mas esbarrando nas limitações dos próprios atacantes. O resultado desfavorável completa o típico cenário de um drama sem final feliz. Mas eis que, nesses momentos surge o quase super-herói Arjen Robben, que com sua perna esquerda, acerta um chutaço e resolve a parada. Foi assim contra Fiorentina e Manchester United, nas fases anteriores, e também nesta quarta-feira, contra o Lyon, pelas semifinais.
O gol do holandês, marcado aos 23 minutos do segundo tempo, foi o único da partida e colocou os bávaros em condições privilegiadas para o jogo de volta, na próxima terça-feira, em Lyon. Além disso “limpou a barra” de pelo menos dois companheiros de equipe: Frank Ribéry, expulso infantilmente aos 35 minutos da etapa inicial, e Thomas Müller, que desperdiçou uma chance de maneira bizarra após belíssima jogada individual de Phillip Lahn. E trouxe um pouco de justiça ao placar de um jogo dominado, na maioria absoluta do tempo, pelos alemães.
O Bayern começou pressionando desde o início e, aos 20 minutos, já havia chegado quatro vezes com perigo à meta de Lloris. Rápido, habilidoso e objetivo, Ribéry parecia estar a fim de jogo e, do lado esquerdo, organizava a maior parte das investidas ofensivas. Tudo levava a crer que o gol era apenas uma questão de tempo, e que o OL não resistiria muito à pressão, embora assustasse em contra ataques esporádicos. O jogo foi mais ou menos assim até a entrada maldosa de Ribéry em Lisandro López, aos 35 minutos, e o compreensível cartão vermelho mostrado por Roberto Rosetti.
Com um homem a menos, os bávaros não conseguiram mais pressionar e os últimos minutos do primeiro tempo não tiveram muitas emoções. Os franceses pareciam satisfeitos com o empate e não mudaram a postura cautelosa, sem incomodar muito, mesmo com a vantagem numérica em campo. Com o tempo, porém, a tendência natural era que o Bayern de Munique se cansasse mais e perdesse, aos poucos o bom volume de jogo que tinha. Prevendo isso, Louis van Gaal tirou Olic, que perdeu boas chances de abrir o placar no início do jogo, para recompor o meio-campo com Tymoshchuk.
Assim que começou o segundo tempo, porém, Robben mostrou que estava a fim de ignorar essa tendência. Bem marcado por Aly Cissokho durante toda a primeira etapa, ele passou a se movimentar por todo o campo, criando jogadas também pelo lado esquerdo. Em uma delas, quase fez um golaço, driblando Cris e chutando cruzado, à esquerda de Lloris. Quando voltou ao setor direito, provocou o cartão amarelo de Toulalan que foi expulso logo em seguida e deixou o duelo novamente em condições de igualdade.
Era o momento do craque decidir, e o holandês não decepcionou, acertando uma bomba de pé esquerdo da intermediária e sendo ajudado por um “corta-luz” conjunto de Thomas Müller e Maxime Gonalons, que, ao ver a bola, se abaixou inexplicavelmente e atrapalhou Lloris. Depois do gol, o Bayer ainda criou algumas chances e Robben, ao ser substituído por Hamit Altintop, saiu batendo boca com van Gaal, que, dado o histórico de lesões do extremo, tinha lá sua dose de razão ao substituí-lo.
Picuinhas à parte, o fato é que Robben matou a pau e deu, nessa Liga dos Campeões, o passo que faltava para ser, enfim, o craque que as lesões teimavam em impedir. E, se estiver inteiro, é também candidato ao posto de melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, caso a Holanda repita o belo futebol apresentado na Euro 2008 e consiga consertar os problemas de sua defesa para voltar a ter condições de lutar por um título mundial. É difícil, mas não impossível.
Por fim, vale também ressaltar que o holandês não fez tudo sozinho, que futebol é um esporte coletivo e blábláblá. A dupla de zaga formada por Van Buyten e Demichelis, que costuma atuar desprotegida e causar calafrios na torcida, teve uma belíssima atuação, assim como Scheinsteiger, que comandou a saída de bola no meio-campo e articulou boas trocas de passe com Robben, assim como Phillip Lahn, que, além da supracitada jogada individual mal completada por Thomas Müller, completou, ao todo, 69 passes na partida.
Bundesliga: “Dá em mim que eu resolvo também”
O título da coluna, referente ao poder de decisão de Robben na Liga dos Campeões, pode perfeitamente ser aplicado à Bundesliga. Afinal de contas, ele foi às redes três vezes e sobrou em campo na goleada por 7 a 0 do Bayern de Munique sobre o Hannover 96. Olic e Thomas Müller, duas vezes cada, completaram o placar que manteve os bávaros na liderança da competição e certamente intimidou o vice-líder Schalke 04 que venceu o Borussia Mönchengladbach por 3 a 1 na Veltins-Arena
O resultado manteve a diferença de dois pontos entre os times, mas há um abismo moral muito maior do que isso a favor dos bávaros, que enfrentam o Borussia Mönchengladbach, no Borussia-Park, enquanto os azuis reais viajam à capital para jogar contra o virtualmente rebaixado Hertha Berlim. O confronto mais difícil, teoricamente, é o do Bayern, mas a tendência é que ambos vençam e a diferença seja mantida.
Sobre o desempenho de Robben no Campeonato Alemão, os números falam por si só: em 21 jogos, ele soma 14 gols e seis assistências, e, de acordo com a revista Kicker é disparado o melhor jogador do campeonato. Todas as rodadas, a revista dá notas de 1 a 6 para os jogadores, sendo 1 a melhor. O holandês tem a incrível média de 2.50 e é seguido de longe por Stefan Kiessling, segundo colocado com 2.75.
Hamburgo: clima insustentável para Labbadia
Prestes a disputar uma semifinal de Liga Europa contra o Fulham, o Hamburgo já vive a ressaca de mais uma temporada frustrante no Campeonato Alemão. O clube, que no início era cotado para disputar o título, atualmente ocupa a sétima posição, e a torcida, naturalmente, culpa o técnico Bruno Labbadia pelo fracasso doméstico. Se perder a competição continental, Labbadia certamente dirá adeus ao cargo logo depois.
O goleiro Frank Rost criticou a diretoria pela conduta demonstrada em relação à contratação de treinadores. “Tivemos seis técnicos em sete temporadas. Todo ano chega um novo profissional, com outra cabeça, outra filosofia. Não há continuidade no trabalho e assim é complicado ter consistência”, disparou, com uma boa dose de razão.
Ainda assim, os Rothosen são favoritos no duelo e têm totais condições de juntar mais um título internacional na sua história. O último foi a Taça Intertoto de 2007. Muito pouco para quem, nos últimos anos, sonhou em voltar a ser grande e disputar a hegemonia futebolística no país com o Bayern de Munique, ou pelo menos retornar à Liga dos Campeões, torneio que não disputa desde 2006/07.
Três candidatos para uma vaga
A terceira posição, que garante o direito à vaga na Liga dos Campeões, tem novo dono: é o Werder Bremen, que venceu o Wolfsburg por 4 a 2, com dois gols de Frings, um de Hugo Almeida e um de Cláudio Pizarro, que agora soma 132 na Bundesliga, apenas um a menos do que Élber, o estrangeiro que mais marcou na competição em todos os tempos. Grafite e Edin Dzeko descontaram para os lobos.
Os papagaios chegaram a 54 pontos, mesmo número do Bayer Leverkusen, que perdeu para o Stuttgart por 2 a 1. Ambos se beneficiaram com o improvável empate do Borussia Dortmund em casa contra o Hoffenheim por 1 a 1. O gol dos visitantes foi marcado por Ibisevic, nos acréscimos, e deixou os aurinegros com 53 pontos ganhos.
O Stuttgart, com 50, ainda tem chances remotas de beliscar uma vaga na Liga Europa, mas certamente já se dá por satisfeito pela incrível recuperação na temporada. Desde que o técnico suíço Christian Gross chegou, o clube disputou 16 partidas na liga. Venceu 12, empatou duas e perdeu duas, marcando impressionantes 38 pontos, contra 12 nos primeiros 15 jogos, e subindo dez posições no returno . A média de pontos de Gross é de 2.38, superior à do líder do campeonato Louis van Gaal, com 2.03.



