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Weghorst parece o encaixe perfeito ao Burnley, enquanto o Wolfsburg remonta o ataque com Jonas Wind e Max Kruse

Weghorst chega para substituir Chris Wood no Burnley, mas o Wolfsburg mandou bem nas opções para repor seu artilheiro

Wout Weghorst construiu uma reputação favorável na Bundesliga durante os últimos anos. O centroavante marcou gols frequentes com o Wolfsburg e levou o clube à Champions League. Até por seu estilo de jogo, o holandês parece uma aposta óbvia na Premier League, e ainda mais do Burnley para tentar evitar o rebaixamento. Porém, se de um lado os Lobos perdem seu principal artilheiro, também ganham duas excelentes alternativas para escapar do descenso. Max Kruse retornou neste domingo, após bons momentos com o Union Berlim, enquanto uma aposta de mais futuro acontece em Jonas Wind, artilheiro do Copenhague e presente na campanha da Dinamarca na última Eurocopa.

No saldo final, o Wolfsburg parece sair ganhando. Mas não dá para negar também a importância que Weghorst tinha ao clube. O centroavante de 29 anos permaneceu três temporadas e meia na Volkswagen Arena, depois de ser contratado junto ao AZ. Marcou 70 gols e deu 22 assistências em 144 partidas, sendo 59 tentos apenas na Bundesliga. Os números são excelentes, mas caíram na atual campanha. Foram apenas seis tentos numa equipe que está em seu segundo técnico e não vence há nove rodadas no Campeonato Alemão. O problema, no caso, não era exatamente o matador em campo.

Cabe dizer, no entanto, que problemas de relacionamento interno aceleraram a saída de Weghorst. O centroavante optou por não se vacinar, o que já tinha causado problemas durante a Euro 2020 e de novo seria tema de debate na Alemanha, diante da alta de casos do coronavírus. Segundo a revista Kicker, ele tinha virado “mais um fator disruptivo, não mais uma força motriz”. Sua saída acontece quando estava a apenas sete gols de igualar Edin Dzeko como maior artilheiro estrangeiro do clube pela Bundesliga. Com seus 59 tentos, se despede em pé de igualdade com outra lenda, Grafite.

A vontade de Weghorst em se provar na Premier League também pesou para o negócio. O Burnley desembolsou €14 milhões pelo centroavante, uma reposição melhor que a perda após a venda de Chris Wood para o Newcastle por €30 milhões. O holandês parece um jogador talhado para atuar com Sean Dyche, pela maneira como prevalece no jogo aéreo e também pela excepcional capacidade de fazer o pivô. Todavia, a urgência será grande com os Clarets, que somaram apenas 12 pontos na Premier League e ocupam a lanterna, embora tenham de dois a quatro jogos a menos que os concorrentes logo à frente. Weghorst chega como a principal aposta para a salvação.

A reposição direta de Weghorst no Wolfsburg será Jonas Wind. E também não dá para dizer que os Lobos tiveram prejuízo, já que pagaram €12 milhões num atleta de muito mais futuro e que também pode render uma venda vantajosa dentro de alguns anos. O centroavante não é tão alto quanto Weghorst (1,97 m), mas também possui boa estatura (1,90 m) e confere características mais dinâmicas ao time. Sabe atuar em velocidade quando necessário e se movimentar além da grande área. Só deve demandar um pouco mais de paciência, já que talvez precise de um tempo para se adaptar na Bundesliga.

Aos 22 anos, Wind sustenta ótimos números com o Copenhague. Apesar da pouca idade, o atacante anotou 46 gols e ofereceu 25 assistências em 113 partidas com o clube. Era um dos principais prospectos do Campeonato Dinamarquês e também apareceu bem em suas oportunidades nas copas europeias. Na atual Conference, por exemplo, foram quatro gols em cinco aparições pela fase de grupos. O centroavante dá seus primeiros passos na seleção da Dinamarca e soma quatro gols em 12 partidas, mas perdeu a posição depois de estrear como titular na Eurocopa. A Bundesliga pode ajudá-lo nesse amadurecimento.

Por fim, Max Kruse volta para a sua antiga casa às vésperas de completar 34 anos. O veterano pode até entrar como homem de referência se necessário, mas passa longe de ser uma fortaleza física. Sente-se mais à vontade como segundo homem, aproveitando sua inteligência e sua leitura de jogo para garantir gols. Algo que o Wolfsburg já conhece, afinal. Kruse chegou ao clube em 2015/16, depois de uma boa passagem pelo Freiburg, e seria uma das estrelas do time na campanha em que deram calor no Real Madrid pelas quartas de final da Champions. No entanto, logo depois o atacante arrumou as malas para voltar ao Werder Bremen.

Pela idade, Kruse não foi dos negócios mais baratos, já que o Wolfsburg pagou €5 milhões. O momento do veterano, ainda assim, justifica o investimento. E até surpreende que ele saia do Union Berlim desta maneira, depois de chegar à capital como contratação estelar e escolher a cidade por causa de seu filho. Kruse teve problemas de lesão nesta temporada, mas fazia a diferença aos Eisernen na briga pela vaga na Champions e também estrelava a campanha até as quartas de final da Copa da Alemanha. Foram 19 gols e 12 assistências em 45 partidas pelo clube, sendo 18 tentos e 11 assistências em 38 aparições na Bundesliga.

Até pela relação que construía com os berlinenses, a decisão de Kruse soou inesperada. Contudo, o Wolfsburg extrapolou sua política salarial para convencer o medalhão e a diretoria do Union não criou empecilhos, após trazê-lo de graça na temporada passada. “Se ele agora conscientemente decide contra a chance de fazer história com o Union, nós aceitamos isso. Decidimos não forçar Max a permanecer por contrato contra a sua vontade, mas tivemos uma perda esportiva que precisava ser compensada da maneira devida”, diria o presidente Dirk Zingler, sem negar que o desejo do veterano pegou os berlinenses desprevenidos. A aposta do técnico Urs Fischer se concentrará em outros jogadores em boa fase, como Taiwo Awoniyi e Andreas Voglsammer.

Eliminado na Champions e na Copa da Alemanha, o Wolfsburg ocupa o 15° lugar da Bundesliga, só dois pontos acima da zona de rebaixamento. O técnico Florian Kohfeldt não transmite confiança após substituir Mark van Bommel, mas é ele quem conduzirá a reformulação neste momento. Além de Wind e Kruse, os Lobos tinham trazido o meia americano Kevin Paredes, de 18 anos, comprado do DC United por €6,7 milhões. Por outro lado, Weghorst não foi o único a sair e uma limpa de medalhões aconteceu nos últimos dias. Admir Mehmedi (Antalyaspor), Daniel Ginczek (Fortuna Düsseldorf) e Josuha Guilavogui (Bordeaux) compuseram a barca na Volkswagen Arena.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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