Bundesliga

Weghorst lidera a ótima campanha do Wolfsburg e demonstra muita regularidade na Bundesliga – uma pena que sua seleção não reconheça isso

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Wout Weghorst ainda precisa de um título para atingir a importância de Grafite ou Edin Dzeko na história do Wolfsburg, mas o centroavante pode entrar facilmente na respeitável lista de grandes goleadores que já passaram pela Volkswagen Arena. Mesmo com elencos mais modestos nos últimos anos, os Lobos se mantêm competitivos e exibem ótimas condições de retornarem à Champions League na próxima temporada. O camisa 9 é uma explicação clara ao sucesso dos alviverdes, que já vinham emplacando aparições na Liga Europa. E sua fama parece que seguirá restrita ao clube, diante da teimosia da seleção de Países Baixos / Holanda em não dar uma chance ao matador.

Aos 28 anos, Weghorst está em sua terceira temporada no Wolfsburg. O centroavante anotou ao menos 16 gols a cada campanha na Bundesliga e, na atual edição do campeonato, já igualou a sua melhor marca – de 17 tentos, estabelecida em seu primeiro ano na Volkswagen Arena. Neste final de semana, o camisa 9 chegou aos 50 gols na liga. É apenas o quinto jogador nascido nos Países Baixos a alcançar estes números na elite alemã, e o quarto dos Lobos desde que o clube estreou na primeira divisão. Se mantiver o ritmo, na próxima temporada já ultrapassa Dzeko como maior artilheiro alviverde no Campeonato Alemão. Sua média de gols, aliás, é apenas cinco centésimos inferior à do bósnio e um centésimo abaixo de Grafite.

A chegada de Weghorst no Wolfsburg se dá em um contexto diferente ao vivido pelo clube em outros anos, quando o apoio da Volkswagen era bem mais maciço. Até pelas crises internas enfrentadas na montadora, os Lobos se acostumaram a formar equipes menos estreladas. O camisa 9 é apenas o 19° jogador mais caro da história do clube, valendo apenas uma parcela do que já foi pago a nomes como Julian Draxler ou André Schürrle, mas vale cada centavo dos €10,5 milhões desembolsados em 2018.

Weghorst assinou com o Wolfsburg aos 25 anos, com bons números, mas correndo o risco de ser mais um dos artilheiros da Eredivisie que não emplacam fora dos Países Baixos. Formado pelo Willem II, teve boas passagens por Emmen e Heracles, até se consolidar na elite do futebol local com a camisa do AZ. Foram dois anos no clube de Alkmaar, com 33 gols marcados nas duas campanhas da liga, até que chegasse a proposta da Alemanha. Com 1,97 m, o novo centroavante corria o risco de ser apenas um pirulão improdutivo na área dos Lobos. Apresentou bem mais que isso e, de certa forma, moldou a maneira de jogar da equipe.

Obviamente, o tamanho de Weghorst é um trunfo. O atacante faz a diferença no jogo aéreo e nas bolas longas da equipe. Sua presença de área é importante para ligações diretas a partir da defesa e também nas bolas paradas. Não é coincidência que o Wolfsburg apareça entre os líderes em algumas dessas estatísticas. Mas também não dá para resumir a importância do camisa 9 às suas cabeçadas certeiras ou ao excelente pivô que consegue realizar.

Weghorst também aparece entre os melhores finalizadores da Bundesliga. Sua precisão nos arremates é grande, algo comprovado a cada rodada, sem precisar de muitos tiros para estufar as redes. O centroavante também é muito inteligente nas movimentações e na maneira como dá opções aos companheiros. Sabe se infiltrar nas defesas, assim como é frio na definição. Além disso, seu número de chances criadas aos colegas de time e de assistências também é mais alto que a média para um centroavante no torneio. Desta maneira, o Wolfsburg se beneficia como um todo e se destaca na tabela.

Numa edição da Bundesliga em que Robert Lewandowski está a ponto de se tornar recordista histórico, enquanto Erling Braut Haaland e André Silva também sustentam números excelentes, os 17 gols de Weghorst em 26 partidas o colocam em quarto na artilharia. O centroavante ainda ajudou sua equipe com cinco assistências. O que salta aos olhos mesmo é sua preponderância ofensiva, já que o Wolfsburg não é a equipe que mais ataca. Somando os gols e as assistências, Weghorst teve participação direta em quase 49% dos 45 tentos dos Lobos. Tal porcentagem ainda é inferior à de Lewa, mas supera Haaland e André Silva.

Não dá para resumir o sucesso do Wolfsburg a Weghorst, claro. Uma das chaves é seu excepcional sistema defensivo. Koen Casteels é um dos três melhores goleiros da Alemanha nesta temporada e a zaga ganhou uma joia com a contratação de Maxence Lacroix, francês de 20 anos que se candidata a revelação da liga. Outro ponto forte é o apoio pelas laterais, com Kevin Mbabu garantindo muita presença física na direita e Paulo Otávio ajudando na criação pela esquerda. Ridle Baku é outro que enfatiza tal potencial pelos lados, embora muitas vezes venha sendo usado como ponta. Já no meio, Maximilian Arnold é uma referência técnica e o maestro dos Lobos, num setor consistente ao lado de Xaver Schlager e Yannick Gerhardt. Não é um elenco renomado, mas apresenta bom equilíbrio.

O técnico Oliver Glasner, em sua segunda temporada na Volkswagen Arena, também deixa impressões mais fortes no clube. O Wolfsburg parecia apontar a um ano difícil, com sua eliminação nas preliminares da Liga Europa diante do AEK Atenas. Conseguiu se reerguer na Bundesliga, numa campanha forte o suficiente para o orçamento do clube. Não é a equipe mais inventiva ou com mais recursos, mas apresenta um futebol bastante direto e um pragmatismo que contribui à consistência. Weghorst é a ponta da lança nesse sistema.

Os bons sinais do Wolfsburg vieram cedo na Bundesliga. Assim como tinha ocorrido na última edição do campeonato, os Lobos mantiveram uma boa sequência invicta de início, mas com muitos empates. Perderam no primeiro turno apenas para Bayern e Dortmund, mas se reergueram com uma sequência invicta recente que durou nove rodadas, com seis vitórias no caminho. Apesar da derrota para o Hoffenheim e também da eliminação para o RB Leipzig na Copa da Alemanha, a classificação à Champions parece bastante palpável. Na terceira colocação, o clube sustenta uma vantagem de oito pontos dentro do G-4. Dos que estão fora, apenas o Borussia Dortmund parece ter capacidade de ainda incomodar nas oito rodadas que faltam, mas as oscilações dos aurinegros tornam mais complicada tamanha reviravolta.

Além da vaga na Champions, o maior prêmio a Weghorst seria um espaço na seleção dos Países Baixos / Holanda. Todavia, os treinadores da Oranje não parecem muito propensos a reconhecerem o momento do centroavante. Suas primeiras convocações aconteceram no início de 2018, quando ainda estava no AZ. Mesmo melhorando seus números no Wolfsburg, não ganhou um chamado sequer para a Liga das Nações. Somente em novembro de 2019 é que voltaria a integrar o elenco durante as Eliminatórias da Euro, disputando parcos 27 minutos numa goleada sobre a Estônia. Deixado de lado por Ronald Koeman, ainda não foi listado por Frank de Boer. A preferência segue com Luuk de Jong, mesmo este geralmente sendo reserva no Sevilla.

A trajetória de Weghorst no Wolfsburg, em certos aspectos, lembra a passagem de Bas Dost pelo clube. O antecessor igualmente foi artilheiro da Eredivisie antes de sua contratação e seria importante no vice da Bundesliga em 2014/15, bem como no título da Copa da Alemanha no mesmo ano. Entretanto, apesar das similaridades na altura e na nacionalidade, o atual camisa 9 já demonstrou ter mais recursos e exibe uma regularidade bem maior em suas marcas – tanto que ultrapassou Dost no total de tentos anotados pelos Lobos mesmo com uma temporada a menos. Outra diferença é que Dost recebeu bem mais chances na Oranje por aquilo que produzia na Alemanha. O bonde está passando a Weghorst, e mesmo sua excelente fase não deve ser suficiente para que ele chegue em cima da hora na Eurocopa. Resta ao Wolfsburg desfrutar de seu centroavante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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