Bundesliga

Van Bommel retorna à Alemanha, agora como o técnico que reconduzirá o Wolfsburg na Champions League

Ex-volante do Bayern terá seu principal desafio como treinador, após não emplacar em sua primeira empreitada no PSV

A Bundesliga 2020/21 começou com apenas uma mudança de treinador na pré-temporada – Sebastian Hoeness, do Hoffenheim. De resto, todos os outros 17 times da primeira divisão preservavam seus comandantes. Ao longo da campanha, 12 técnicos perderam o emprego, mas a dança das cadeiras será ainda mais intensa para 2021/22: nada menos que oito clubes já anunciaram seus novos comandantes para o próximo campeonato. As trocas entre equipes do país foram constantes. E o Wolfsburg pelo menos trouxe uma solução de fora, ao apostar em Mark van Bommel como seu novo mentor. Dez anos após se despedir do Bayern de Munique, o ex-volante está de volta à Alemanha, para assumir o principal desafio de sua curta carreira.

O Wolfsburg tinha sido um dos afetados pela bola de neve que tomou conta da Bundesliga nos últimos meses. Oliver Glasner deixou a Volkswagen Arena para assumir o Eintracht Frankfurt – na esteira da saída de Adi Hütter para o Borussia Mönchengladbach, contratado após a mudança de Marco Rose para o Borussia Dortmund. Os Lobos, no entanto, preferiram fazer diferente e buscar um treinador fora da Alemanha. Van Bommel acabou sendo o escolhido, mesmo que sua experiência na casamata seja pequena, ainda mais para assumir uma equipe confirmada na fase de grupos da Champions League.

Van Bommel começou trabalhando como assistente nas seleções de base da Holanda. Depois, seria o braço direito de Bert van Marwijk – que, além de ter sido seu comandante na equipe nacional, também é seu sogro. Com ele, a parceria se estenderia pela seleção da Arábia Saudita e também da Austrália, participando da Copa do Mundo de 2018. Após o Mundial, Van Bommel seria escolhido como novo treinador do PSV, clube no qual foi ídolo. A missão do novato seria dura, considerando o bom período com Phillip Cocu. Porém, o trabalho insatisfatório provocou a demissão do ex-volante em dezembro de 2019. Em um ano e meio à frente dos Boeren, não conseguiu competir com o Ajax pela Eredivisie e também caiu na fase de grupos da Liga Europa. Nos últimos meses, voltou a ser assistente de Van Marwijk nos Emirados Árabes Unidos, até ser fisgado pelo Wolfsburg.

O processo de escolha atual é diferente do que ocorreu com Oliver Glasner. Van Bommel parece chegar mais por nome e por seu passado como jogador do que por resultados. No PSV, até conseguiu atingir um aproveitamento de 63% dos pontos disputados, mas a equipe não era realmente competitiva contra os principais concorrentes e dava impressão de estagnação. Van Bommel não tem uma trajetória ascendente como a de Glasner, que vinha muito bem com o LASK Linz na Áustria, depois de passar um período na estrutura do Red Bull Salzburg.

Talvez ocorram mudanças no próprio estilo de jogo do Wolfsburg. Oliver Glasner teve como grandes méritos conseguir montar uma defesa muito segura nesta temporada e estruturar um ataque vertical, pautado em Wout Weghorst como homem de referência. Van Bommel não deixou suas ideias tão claras no PSV, mas seu 4-3-3 passava distante de parecer tão bem protegido assim – embora mantivesse uma alta média de gols. E o trabalho na Volkswagen não oferece tanta abundância assim, com um elenco relativamente curto para conciliar Bundesliga e Champions. O treinador precisará de contratações no mercado de verão, mesmo que pontuais.

“Estou realmente ansioso e empolgado com meu novo ambiente, as pessoas e as tarefas que me esperam. As ideias e as visões dos responsáveis pelo Wolfsburg são idênticas às minhas. Acho que o caminho tomado pelo clube até aqui é ótimo. Poder trabalhar na Bundesliga, onde joguei por muito tempo, é uma grande honra e um desafio para mim, que eu aproveitarei com todos envolvidos no clube”, comentou Van Bommel, no anúncio oficial dos Lobos.

Ao menos, Van Bommel não cai de paraquedas num ambiente que desconhece. Foram cinco anos de Bundesliga com o Bayern de Munique, chegando a trabalhar no país com especialistas da casamata – incluindo Félix Magath, Ottmar Hitzfeld, Jupp Heynckes e Louis van Gaal. Experiência de campo e liderança não são problemas ao antigo capitão da seleção holandesa. Mas ainda falta um impacto maior à sua trajetória como treinador, o que não conseguiu no PSV. Com o Wolfsburg, o nível de desafio tende a ser até um pouco maior, pela qualidade da concorrência na Alemanha e pela missão na Champions.

Vale lembrar que Van Bommel não será o único dos novos técnicos na Bundesliga a chegar de fora. O RB Leipzig tirou Jesse Marsch do Red Bull Salzburg e o Bayer Leverkusen fez uma aposta interessante em Gerardo Seoane, bicampeão suíço com o Young Boys – e sucessor de Adi Hütter nos aurinegros. Outro que vem de fora da elite é Steffen Baumgart, responsável pela ascensão do Paderborn nos últimos anos e que dirigirá o Colônia. Marco Rose (Dortmund), Adi Hütter (Gladbach), Oliver Glasner (Frankfurt) e Julian Nagelsmann (Bayern) completam a lista de treinadores que iniciarão seus trabalhos na próxima Bundesliga.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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