Bundesliga

Uma vitória de eneacampeão: Bayern celebra o título jogando por música nos 6 a 0 sobre o Gladbach

Bayern tinha confirmado a conquista antes de entrar em campo e contou com um show, em especial de Lewa

Até 2014/15, nunca um time havia sido mais do que tricampeão na Bundesliga. O Bayern de Munique quebrou tal marca naquela temporada com um inédito tetra. Depois, duplicou. E, neste sábado, confirmou o triplo daqueles antigos tris históricos – três dos próprios bávaros, além de outro do Borussia Mönchengladbach. O eneacampeonato, inédito, gera diversas discussões sobre a falta de competitividade na Alemanha. Em contrapartida, também reforça a competência extrema do Bayern em aspectos dentro e fora de campo. Dos nove últimos títulos, este foi um dos mais seguros, mesmo com as oscilações. Guardou, aliás, uma apoteose em seu desfecho. Se o time de Hansi Flick já entrou em campo como campeão, graças à ajuda do Dortmund contra o RB Leipzig, o que se viu na Allianz Arena foi um esquadrão pronto para o show. Os alvirrubros enfiaram 6 a 0 sobre o Gladbach, num primeiro tempo que prometia até mais. Lewandowski, sempre ele, teve uma de suas melhores atuações na temporada e assinalou uma tripleta.

O Bayern de Munique parecia até mais leve em campo, sem qualquer peso de responsabilidade, depois da derrota do RB Leipzig. A conquista era questão de tempo, mas a sequência de acontecimentos neste sábado pareceu ajudar os bávaros, prontos a estraçalhar os adversários. E contra um Gladbach que, na melhor das hipóteses, vai à Liga Europa, os anfitriões também contaram com o desinteresse dos visitantes na Allianz Arena. Seria um verdadeiro vareio desde os primeiros instantes.

Bastaram dois minutos para que o primeiro gol saísse. David Alaba cruzou e Robert Lewandowski dominou com espaço. Tal brecha costuma ser suficiente ao artilheiro, que bateu cruzado às redes. O Gladbach até conseguiria alguns ataques rápidos, mas nada que dificultasse a Manuel Neuer. O segundo do Bayern era mais provável, diante da fome de seus jogadores, dispostos a atuarem no ataque a todo momento. Kingsley Coman acertou a trave, até que Thomas Müller ampliasse aos 23, numa jogada construída pelo próprio francês e que teve assistência de Jamal Musiala.

O bombardeio continuava, até a melhor parte do show acontecer aos 34. Depois do cruzamento de Müller, Lewa emendou um voleio perfeito, no cantinho do goleiro Yann Sommer. E o artilheiro também seria solidário, com a assistência ao quarto pouco antes do intervalo. O camisa 9 arrancou por todo o campo de ataque e abriu o contragolpe com Coman, que finalizou rasteiro. Faltava também um pouco mais de empenho defensivo no Gladbach, que fez grandes jogos nesta temporada, mas perdeu os rumos desde que Marco Rose anunciou sua saída ao Borussia Dortmund.

Durante o segundo tempo, o Gladbach voltou com mudanças, enquanto o Bayern tirou o pé do acelerador. Os Potros buscavam pelo menos o gol de honra. Todavia, parecia que os bávaros nem precisavam forçar muito para mais. O quinto veio num pênalti, que Lewandowski converteu. Depois disso, Javi Martínez entrou, numa homenagem após o anúncio de que deixará o clube ao final da temporada. Tanguy Nianzou foi outro que veio do banco e ficou apenas cinco minutos na partida, expulso por matar uma chance clara dos adversários. Jogar com dez homens nem atrapalhou o Bayern. Os visitantes não só passaram em branco, como também tomaram o sexto no fim, aos 40, em contragolpe puxado por Serge Gnabry e concluído por Leroy Sané.

O Bayern de Munique soma 74 pontos, dez de vantagem sobre o RB Leipzig neste momento. Na melhor das hipóteses, terminará com 80 pontos, seu terceiro pior desempenho neste eneacampeonato da Bundesliga. Mas, ainda que o time tenha derrapado algumas vezes e saído em desvantagem em outros tantos compromissos que ganhou, não foi uma campanha tão ameaçada assim. A falta de proteção defensiva no primeiro turno, quase sempre, era resolvida com uma capacidade imensa de reação – o que permitiu várias viradas. Além disso, numa campanha em que os concorrentes não foram muito regulares, o Bayern teve grandes atuações nos confrontos diretos. Vitórias sobre Bayer Leverkusen, RB Leipzig e Borussia Dortmund, principalmente, moldam os principais momentos da caminhada. Depois que o time tomou a liderança de vez no fim do primeiro turno, manteve a distância em relação aos perseguidores, se recuperando dos tropeços pontuais.

O atual Bayern possui a pior defesa dos nove anos. Em três dos primeiros quatro títulos (um com Jupp Heynckes e dois com Pep Guardiola), a zaga não sofreu mais do que 18 gols. Desta vez, já são 40 bolas nas redes, oito a mais que nas duas últimas campanhas – resultado de um sistema naturalmente vulnerável aos contragolpes. Em compensação, o ataque rende bastante. São 92 gols, já empatado como o quarto melhor do eneacampeonato. Não seria surpresa se os alvirrubros chegassem aos 100, tal qual na temporada passada, recorde na sequência recente e segunda maior marca da história da Bundesliga – abaixo dos 101 registrados em 1971/72.

A grande história desta temporada do Bayern, no fim, será Lewandowski. O centroavante vinha de desempenhos espetaculares, mas conseguiu se superar. Mesmo perdendo cinco partidas por lesão, Lewa chegou aos 39 gols neste sábado e esta a um tento de igualar o recorde de Gerd Müller. Os 40 gols da lenda em 1971/72 pareciam inalcançáveis e até ficou a impressão de que seguiriam intactos depois da contusão recente do polonês. Porém, Lewandowski voltou do departamento médico voando baixo e, com mais duas partidas pela frente, deve superar a façanha de quase cinco décadas atrás – e com uma média superior à de Müller, no fim das contas.

Lewandowski deve arrebatar os prêmios de melhor jogador do Campeonato Alemão, bem como a Chuteira de Ouro Europeia. Além do matador, Manuel Neuer foi brilhante principalmente no primeiro turno e Thomas Müller de novo sobrou como líder em assistências. Já entre os mais jovens, três nomes se destacam: Kingsley Coman, Joshua Kimmich e sobretudo Leon Goretzka, todos com desempenhos acima da temporada passada. A empolgação não foi tanta quanto a de 2019/20, não só pela Champions perdida, mas por uma queda de intensidade no futebol dos bávaros – entre outros motivos, também por conta de lesões e da falta de uma pré-temporada adequada. Independentemente disso, os bávaros sobraram outra vez e pareciam ter sempre controle sobre seu destino, até quando os perseguidores se aproximavam. E a nova Salva de Prata garante uma estrela a mais a Hansi Flick, um treinador de passagem relativamente curta na Baviera, mas gloriosa como poucas e que certamente terá um lugar especial junto à torcida.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo