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Troquem o roteirista da Bundesliga: Bayern trucida Dortmund no clássico outra vez

Duelo direto pela liderança da Bundesliga foi resolvido em pouco mais de 20 minutos em Munique

Quando alguém lhe pedir uma dica de apostas para o clássico alemão entre Bayern e Borussia Dortmund, não tem erro: indique sempre uma vitória bávara. Neste sábado (1º), valendo a liderança da Bundesliga, os donos da casa levaram a melhor em Munique, pelo placar de 4 a 2, fora o baile.

Era muito difícil esperar que, em casa e com um técnico estreante, o Bayern fosse sequer empatar com o Dortmund. Nos últimos anos, historicamente, sempre que os dois disputam títulos e vão para o duelo direto, os bávaros saem com os pontos. Na Bundesliga, desde 2018 que o confronto não vê uma vitória aurinegra. E em âmbito geral, o Dortmund não consegue superar o rival desde 2019, na Supercopa da Alemanha.

Caso para encaminhamento psicólogo

Essa história pesa demais quando os dois entram em rota de colisão. Se há mais de 10 anos a Alemanha não vê outro campeão, isso não é só mérito do Bayern, mas também uma prova de que, mesmo em anos abaixo da crítica, o gigante não tem rivais à altura. Seria o caso desse Dortmund de Edin Terzic, que ainda não havia perdido em solo alemão neste ano e vem praticando um futebol elogiável, com bons resultados. O fato do Borussia ter caído nas oitavas da Liga dos Campeões veio a calhar na missão de focar integralmente na campanha de um possível título alemão. O problema é que nesse objetivo, a parte mais difícil é vencer os dois jogos diante do Bayern.

Em outubro de 2022, o empate em 2 a 2 no clássico animou algum aurinegro. Faltava, claro, o do segundo turno, disputado hoje e pulverizado rapidamente pelo Bayern do estreante Thomas Tuchel. Aos 13 minutos, Dayot Upamecano lançou despretensiosamente uma bola para o campo de ataque e ninguém poderia esperar o que aconteceu em seguida. O goleiro Gregor Kobel foi sair da área com um chutão e protagonizou uma furada dantesca, abrindo caminho para a vitória dos mandantes na Allianz Arena.

O lance, isoladamente, nos ajuda a entender que não é na bola que o Dortmund anda pecando nesses jogos cruciais. O psicológico responde às questões sobre a real capacidade desse time, não só hoje, mas há alguns bons anos, em fases agudas da temporada. O Bayern soube capitalizar em cima da falha e fez seu jogo sem esforço. Povoou o campo de ataque, induziu o adversário a cometer novos erros e não titubeou quando chegou ao gol.

Foi assim que saiu o segundo tento, de Thomas Müller. Bola na área em escanteio, Matthijs De Ligt cabeceou e Müller desviou de virilha, aos 18. Aos 23, com pressão alta, o Bayern roubou a bola na lateral e se organizou para o golpe. Leroy Sané carregou até o bico da área e chutou. Kobel rebateu mal para a frente e viu Müller pegar a sobra, praticamente decidindo o confronto.

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E lá vem eles de novo!

Inexistente na defesa, o Dortmund se apavorou e concedeu, até o fim do jogo, 16 oportunidades para que o rival chutasse. Dessas chances, nove foram na direção do gol de Kobel, que saiu de campo com seis defesas, mas com a confiança estraçalhada. Uma aula de como não disputar um clássico, dando espaços, errando passes no campo de defesa e permitindo infiltrações por todos os lados. Mais uma vez, reforçando a ideia: em pé de igualdade ou com o mínimo de equilíbrio, ninguém entra em um clássico para tomar três gols em 20 e poucos minutos. O Dortmund precisa olhar com mais atenção para o preparo mental de seus atletas em partidas como essa.

Na segunda etapa, o massacre continuou, já que o Bayern não queria pisar no freio. E as redes de Kobel foram balançadas mais algumas vezes. Para a “sorte” do suíço, dois deles foram anulados por impedimento de ataque, incluindo o que seria uma obra de arte de Eric Choupo-Moting, que recebeu na área com liberdade, matou no peito e emendou um voleio. Tudo para ver o bandeirinha assinalando a irregularidade no lance.

O quarto gol veio dos pés de Kingsley Coman, com assistência de Sané, aos quatro minutos da etapa final. O time de Tuchel bem que mereceu uma goleada mais categórica, porque mostrou muita intensidade e apetite. Do lado de Terzic, as saídas de três protagonistas mudaram um pouco o espírito dos que estavam em campo. Marco Reus, Julian Brandt e Sebastien Haller não fizeram nada de relevante e viram seus substitutos pelo menos incomodarem a defesa bávara. De tanto incomodar, saíram dois gols que podem até não ter alterado em nada a narrativa do jogo, mas mostram algum resquício de alma para o resto da temporada.

De pênalti: Emre Can diminuiu no minuto 72′. Já nos acréscimos, Donyell Malen, que entrou na vaga de Haller, fez o segundo com um toque no canto, quase saindo pela meta de Yann Sommer. O arqueiro, que ocupa a vaga de Manuel Neuer, lesionado, só constou na escalação e apareceu muito pouco ao longo dos 90 minutos.

Enfim, urge uma mudança na equipe de roteiristas da Bundesliga. Todo ano é a mesma história, sem reviravolta, de fazer parecer que o Dortmund pode ser campeão, mas se frustra quando enfrenta seu nêmesis na hora H. Vamos elaborar outra trama, pessoal, porque essa já está bastante desgastada.

O Bayern lidera com 55 pontos, dois a mais do que o Dortmund, restando oito rodadas para o fim. A margem é reversível em uma jornada e, veja pelo lado bom, amigo aurinegro: já se foram os dois jogos contra os bávaros. Um fim diferente das últimas 10 edições da Bundesliga não está descartado, até porque a equipe de Tuchel também está focada na Liga dos Campeões, tendo o Manchester City pela frente. Qual Bayern entrará jogando nas últimas oito partidas? O oscilante grupo que marcou o fim da fase com Julian Nagelsmann ou algo novo e impiedoso sob a batuta de Tuchel?

Ao Dortmund, resta erguer a cabeça e tentar se recuperar no percurso que falta, sem deixar a peteca cair depois da surra sofrida. São oito decisões pela frente que precisam ser encaradas com mais seriedade e coragem.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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