Bundesliga

A torcida do Karlsruher ofereceu uma calorosa despedida ao seu estádio antes da demolição

A cidade de Karlsruhe é um dos berços do futebol na Alemanha. Ao lado de Dresden, Berlim e Hamburgo, está entre as primeiras cidades a abrigarem clubes dedicados exclusivamente à modalidade. O Karlsruher FV disputou a primeira edição do Campeonato Alemão, em 1903. Já em 1909, o Phönix Karlsruhe se tornou o primeiro representante do município a levantar a taça nacional. Pois foi através destes que o esporte realmente frutificou na região. Na década de 1950, o Phönix se fundiu com Mühlburg para dar origem ao Karlsruher SC, clube mais tradicional da cidade. E desde então, a população tratou o Wildparkstadion como a casa do esporte local. Um templo aos torcedores que, depois de 63 anos, deixará de existir. Neste sábado, os alviazuis disputaram seu último jogo no estádio original. A partida, porém, foi o de menos, diante da enorme festa oferecida no adeus ao velho lar.

O terreno onde está localizado o Wildparkstadion foi doado pela prefeitura de Karlsruhe ao Phönix, em 1921. Lá existiam três campos de futebol e outras estruturas esportivas. Já em 1955, logo depois do surgimento do Karlsruher SC, o poder público ajudou a construir o novo estádio. Inicialmente tinha capacidade para 55 mil espectadores, mas, entre reformas e adaptações, seria reduzido a 28 mil nos últimos anos. Por lá, os alviazuis conquistaram a Copa da Alemanha de 1956. Também disputaram competições continentais e 24 temporadas da Bundesliga. Todavia, as lembranças precisam ficar apenas na memória. Em outubro, o clube ratificou a decisão de construir um novo estádio no local, com o apoio da prefeitura. A nova casa terá 35 mil lugares, em obras que devem durar dois anos, ao custo de €123 milhões. O compromisso no sábado foi a despedida, antes do início da demolição.

Como não poderia deixar de ser, o Wildparkstadion estava lotado para a partida entre Karlsruher e Würzburger Kickers, válida pela terceira divisão do Campeonato Alemão. Os anfitriões fizeram o seu dever, com a vitória por 2 a 1 que mantém a equipe na luta pelo acesso à segundona. Ainda assim, o melhor aconteceu além do jogo. Antes que a bola rolasse, um bandeirão tomou o setor central das arquibancadas, com fotografias gigantes de momentos históricos do clube. Já depois do apito final, jogadores do atual elenco e velhos ídolos foram aplaudidos pela torcida. Um enorme anel de fogo se formou ao redor das arquibancadas, com sinalizadores. E na volta para casa, os torcedores puderam levar como relíquia os assentos do primeiro setor que será demolido.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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