Bundesliga

Torcedores do Union Berlim repetem xingamentos contra dono do Hoffenheim e expõem guerra contra bilionário

Mais um jogo foi paralisado por causa de protestos da torcida contra o dono do Hoffenheim, Dietmar Hopp. Depois do que vimos neste sábado, no jogo entre o Hoffenheim e o Bayern, e também no jogo do Borussia Dortmund contra o Freiburg, que ainda foi retomado, desta vez o protesto foi na capital. No jogo entre Union Berlim e Wolfsburg, torcedores do time de Berlim levantaram faixas com o rosto de Hopp em um alvo e repetindo o xingamento da torcida do Bayern, “Hurensohn” (“filho da puta”).

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A torcida fez os protestos e o árbitro paralisou o jogo aos 44 minutos. Os times foram para os vestiários. Houve chamadas no estádio para que os torcedores parassem. O locutor do estádio avisou que se os protestos continuassem, o jogo seria definitivamente interrompido. Depois de 10 minutos, os times voltaram ao túnel e entraram novamente em campo. Como estava no final do primeiro tempo, tivemos poucos minutos de jogo antes do apito para o intervalo.

Há uma clara disputa entre os clubes, a Bundesliga e o próprio Dietmar Hopp. O mecenas do Hoffenheim é xingado desde que o time subiu à Bundesliga, em 2008. Uma das acusações dos torcedores é que ele dribla a regra dos 50+1 (ou seja, os clubes precisam ser donos de mais da metade das ações e investidores comerciais só podem ser donos de até 49% dos clubes, para que não sejam majoritários).

Em 2017, o dono do Hoffenheim passou a entrar com reclamações formais na Bundesliga contra os protestos direcionados a ele. A torcida do Borussia Dortmund, uma das mais atuantes contra Hopp, foi punida com multa de 50 mil euros e ainda a proibição de ir aos jogos fora de casa contra o Hoffenheim por dois anos. A torcida do Borussia Mönchengladbach foi além, fez alvos com a cara de Hopp e também foi multada. Neste fim de semana, os protestos nos jogos de Dortmund e Bayern levaram a paralisações, como uma solidariedade dos “ultras” dos diferentes times, unidos contra o empresário que investe no Hoffenheim.

Para dirigente do Bayern, é preciso agir assim também contra racismo

Vale lembrar que a Bundesliga é uma das mais atuantes contra racismo, homofobia e xenofobia. Recentemente, o Schalke 04 foi punido por comportamento racista dos seus torcedores e o clube prometeu identificar e punir o agressor. Na terceira divisão, houve um caso que o torcedor que cometeu racismo foi preso em flagrante, além de expulso do estádio sob gritos de “fora, nazis”.

Ainda assim, chama a atenção o rigor que os árbitros foram orientados a ter contra ofensas ao investidor do Hoffenheim. O presidente do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge, foi solidário a Hopp no jogo entre os dois times, na casa do Hoffenheim. Abraçou Hopp durante o jogo e ambos desceram ao gramado após a confusão e aplaudiram a torcida.

Depois do jogo, perguntado se a Bundesliga deveria ter ações assim contra racismo e homofobia, o dirigente bávaro respondeu dizendo que é hora dos clubes agirem. “Nós ficamos ociosos por muito tempo e ignoramos o que acontece em muitos, se não em todos os estádios”, disse Rummenigge. “Nós permitimos ir longe demais, mas de hoje em diante [sábado, 29/02], nós temos que repensar”.

“Eu acho que nós simplesmente temos que agir de forma inteligente, clara e decisiva usando todo o nosso poder. Eu acho que é bom que o jogo tenha sido jogado assim no seu final [se referindo aos jogadores tocando a bola, sem objetivo, só para passar os minutos finais]. Foi um tapa na cara dos torcedores do Bayern”, disse ainda o presidente do clube.

“Eu estou convencido que este dia irá marcar um momento de repensar neste país. Depois do modo como eles se comportaram hoje [sábado, 29/02], essas pessoas não deveriam mais estar no campo de futebol. Em estádio nenhum”.

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Torcedores do Bayern explicaram protesto e reclamam de “exagero”

Os torcedores do Bayern divulgaram um comunicado explicando o protesto contra Hopp e reclamaram de um exagero na repercussão quanto a isso.

“Nós usamos a palavra ‘filho da puta’ [em alemão, é uma palavra só] em uma faixa hoje. Esta não é normalmente a nossa linguagem, mas não valeria ser mencionada por si. Esse tipo de palavras, e outras similares, são usadas com certa frequência durante um jogo de futebol. Você pode ver isso contra o Borussia Dortmund, que em cada jogo é chamado de ‘BVB, putas das putas’ ou contra Timo Werner, ou mesmo contra o nosso próprio clube contra Uli Hoeness ou Oliver Khan, que foram duramente ofendidos. A palavra tornou-se um grande tópico apenas porque, entre outras coisas, as críticas ao modelo Hoffenheim e seu protagonista Dietmar Hopp foram exageradas de maneira polêmica”, diz comunicado da torcida do Bayern.

Os torcedores também reclamaram da quebra de palavra da DFB, que teria prometido acabar com as punições coletivas contra torcidas, mas elas continuaram acontecendo. E os torcedores foram além dizendo que a punição não os preocupa, mas que veem como um ataque as torcedores em geral. “Uma afronta que não ficará sem resposta”, diz o comunicado.

Mais do que isso, os torcedores prometeram que isso não irá parar. “Vocês não aprovam as palavras, mas não há alternativa para nós, já que é a única forma de conseguir a atenção necessária. No futuro, se vocês quiserem interromper partidas de futebol quando estes insultos forem expressados, vocês não poderão mais ter jogos de 90 minutos. A interrupção hoje [sábado] foi excessiva e absurda”.

A ação da torcida do Union Berlim mostra que os torcedores de diferentes clubes parecem unidos em protestos. E é uma guerra aberta, muito longe de acabar.
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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