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Tolerância zero: Bayern demite Kahn e Salihamidzic durante a festa do título alemão

Dirigentes foram culpados pela campanha ruim do clube, que quase ficou de mãos vazias

Não causa nenhuma surpresa a notícia deste sábado (27) que dá conta da demissão de duas figuras importantes na diretoria do Bayern, o CEO Oliver Kahn e o diretor esportivo Hasan Salihamidzic. Mesmo com o título da Bundesliga confirmado pela 11ª vez consecutiva, a dupla foi mandada embora do clube pelo conjunto da obra, se é que pode-se dizer assim. Culpados pela turbulência vivida na fase decisiva da temporada, os ídolos bávaros nem puderam festejar com o elenco.

O relógio marcava 13h30 da tarde, horário de Brasília, quando o Twitter oficial do Bayern anunciou aquilo que já se sabia há algum tempo que era inevitável. Em março, quando a diretoria esportiva do clube optou por demitir Julian Nagelsmann durante uma Data Fifa, o clima interno ficou bastante insustentável. Embora a alegação (diluída na imprensa alemã) fosse de que Nagelsmann não estava justificando as expectativas de desempenho, a verdade é que as coisas pioraram após a chegada de Thomas Tuchel, que não tem culpa alguma na crise vivida.

Os resultados ainda estavam defensáveis e parecia pouco provável que o Bayern, com Nagelsmann, ficasse atrás do Dortmund na reta final. Com Tuchel, que já era desejado por Kahn e Salihamidzic desde que saiu do Paris Saint-Germain, a situação ficou por um fio após a derrota para o Leipzig, na Allianz Arena, no sábado passado (20). Mas falar de campo e bola é simplista demais nesse caso.

Ídolos que ocupam cargos diretivos nos clubes pelos quais brilharam, eventualmente, podem cometer erros por conta do ego. Em quedas de braço, fazem valer o status que ostentam pelo passado vitorioso. Se o Bayern não conseguiu manter o caminho de evolução após a formidável tríplice coroa de 2020, com Hansi Flick, isso tem as digitais de Salihamidzic, ferrenho opositor do técnico, como se soube mais tarde. Mesmo entregando um desempenho ótimo e resultados de excelência, Flick não teve poder de decisão na montagem do elenco, perdendo peças que considerava importantes, como Jerôme Boateng, David Alaba e Thiago Alcântara.

O poder de Salihamidzic foi maior na hora crucial e os frutos colhidos depois da demissão de Flick não foram os melhores. Nagelsmann, que ainda é muito jovem para comandar uma engrenagem tão grande, não alcançou o patamar que se esperava dele. Justo. Ainda assim, a alta cúpula do Bayern decidiu esperar o desfecho da temporada para oficializar sua visão para o futuro. Tuchel certamente fica, pois sequer teve paz para trabalhar.

E esse caos desnecessário causado pela demissão prematura de Nagelsmann poderia ter atrapalhado até mesmo a defesa do título alemão. Nesse caso, o demérito do Dortmund é bem maior, mas não se pode ignorar o fato de que o Bayern foi muito incompetente em vários jogos, sendo campeão com a mesma pontuação do rival, vencendo a salva de prata por conta do saldo de gols. A conta fechou com facilidade: se em 2020 a saída de Flick foi um erro gigantesco, repetir a bobagem três anos depois foi o suficiente para que Salihamidzic e Kahn (mero escudo para as decisões controversas do colega) ganhassem o boné. O ex-goleiro, inclusive, só ocupou efetivamente o cargo de CEO em 2021, depois da primeira querela que culminou na queda de Flick.

O Bayern enfileira títulos e tenta corrigir seu rumo para o futuro com o carro em movimento. Seria louvável mudar o quadro em caso de derrota, mas dificilmente alguém em Munique irá considerar uma falha estratégica tirar do tabuleiro as duas peças que quase comprometeram a longa hegemonia do clube na Alemanha. Quem assume o cargo de CEO, antes ocupado por Kahn, é Jan-Christian Dreesen. A vaga que era de Salihamidzic ainda será debatida nas próximas semanas, segundo nota oficial do Bayern.

Foto de Felipe Portes

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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