Neste domingo, mais um campeão do mundo com a Alemanha em 2014 anunciou sua despedida do futebol. era um reserva pouco lembrado no time de Joachim Löw, premiado com a convocação diante dos serviços prestados pelo – essencial ao clube em qualquer posição na qual fosse colocado. Pelo BVB, o coringa viveu exatamente o auge da equipe de Jürgen Klopp e deu enorme contribuição aos melhores momentos dos aurinegros neste século, com muita dedicação à camisa que amava desde a infância. Porém, com o acúmulo de lesões e outros entraves extracampo, sua queda foi repentina. Logo passou a atuar nas divisões de acesso e não exibia mais o vigor que tanto impulsionava seu estilo de jogo. Assim, aos 32 anos, pendurou as chuteiras de maneira relativamente precoce para se dedicar ao futebol amador com os amigos.

Grosskreutz chegou a passar pela base do Borussia Dortmund, mas acabaria dispensado por ser muito franzino e se mudou ao Rot-Weiss Ahlen quando tinha 15 anos. No clube, ganhou espaço como profissional e virou destaque na segundona da Bundesliga. Os alvirrubros seriam um trampolim para voltar ao Dortmund pela porta da frente e realizar um sonho de infância, vestindo a camisa de seu time de coração. Seria um dos homens de confiança de Klopp à frente do BVB. De início, o camisa 19 atuava especialmente como ponta, contribuindo com sua vitalidade pelo lado esquerdo do campo. Aparecia na área para concluir e também auxiliava na criação. Era natural confiar em um jogador com seu nível de empenho, e tudo fluía, com o bicampeonato alemão.

Juntando as edições da Bundesliga de 2010/11 e de 2011/12, Grosskreutz foi quase onipresente no Dortmund. Disputou 65 dos 68 jogos, com 15 gols marcados e 14 assistências oferecidas. Fazia valer seu lugar no time, como um coadjuvante muito necessário e de futebol constante. Ainda seria parte integrante da caminhada à decisão da Champions League em 2012/13. A esta altura, Klopp já começava a se valer da polivalência do camisa 19. Se precisasse, também entrava como meia, como volante, como lateral – e pelos dois lados do campo. Até goleiro ele foi, num jogo contra o Hoffenheim em que Roman Weidenfeller acabou expulso, depois que o time já tinha realizado as três substituições.

A adoração desfrutada por Grosskreutz no Dortmund também o levaria à seleção da Alemanha. O ponta estreou às vésperas da Copa de 2010, mas lesionou o joelho e perdeu a chance de ir à África do Sul. Seria chamado esporadicamente depois disso e sua volta definitiva aconteceu exatamente às portas do Mundial de 2014. Era útil ter um coringa como Grosskreutz e, em teoria, ele era uma alternativa à lateral direita, onde andava atuando com mais frequência no Signal Iduna Park. Não entrou em campo no Mundial do Brasil, com Jérôme Boateng e depois Philipp Lahm ocupando a posição, mas teve o gosto de erguer a taça ao final da campanha, às vésperas de completar 26 anos de idade.

Grosskreutz comemora a conquista da Copa da Alemanha em 2012 (Foto: Imago / One Football)

O que parecia ser o ápice da carreira de Grosskreutz, todavia, anteciparia o seu declínio. A temporada de 2014/15 seria bem difícil, com uma séria lesão no joelho. O camisa 19 chegaria a atuar no segundo time dos aurinegros, até acertar sua transferência ao Galatasaray em setembro de 2015. O alemão sequer chegou a entrar em campo na Turquia, com um problema de inscrição, e em janeiro de 2016 já estava no Stuttgart. Atuou pouco, por causa dos problemas musculares, e o time acabou rebaixado. Na segundona, rescindiu seu contrato após se envolver em uma briga de bar. Ali, de fato, aconteceria o começo do fim.

Em 2017/18, Grosskreutz passaria longe de sonhar com a sua segunda Copa do Mundo, sem grande destaque pelo Darmstadt na segunda divisão. Já em 2018/19, o veterano atuou pelo KFC Uerdingen na terceirona. O melhor momento pelo clube aconteceu pela Copa da Alemanha, quando teve a chance de enfrentar justamente o Dortmund e seria aplaudido pela torcida visitante. Na temporada passada, novos problemas físicos fizeram com que o coringa jogasse só 12 partidas na terceira divisão. Com o contrato rescindido em outubro, não acharia novo destino. Assim, resolveu encerrar a trajetória profissional neste domingo, num anúncio simples.

“Estava claro para mim que esse dia chegaria – e é hoje. Depois de 15 anos, é hora de dizer adeus ao futebol profissional. O futebol é o foco da minha vida. Nesta viagem, experimentei muitos momentos inacreditáveis. Sou orgulhoso de ter vivido tudo isso com vocês. Pode não ter sido a carreira exemplar quando penso na minha saída do Stuttgart, por exemplo. Todos cometem erros, mas o mais importante é encará-los. Pude viver meu sonho, como jogar no Westfalenstadion. Agora, só quero voltar ao lugar de onde vim – o esporte amador com meus amigos e escrever a próxima história lá. Espero ver vocês por lá também”, afirmou Grosskreutz, em sua mensagem de despedida.

Grosskreutz é o oitavo jogador da Alemanha de 2014 a pendurar as chuteiras. Acompanha as aposentadorias precoces de André Schürrle e Benedikt Höwedes, preferindo se dedicar à sua paixão em vez de insistir numa carreira em declínio. Não vai ser o nome mais lembrado entre os tetracampeões. Em compensação, por sua dedicação e pelo orgulho no clube de coração, merece ter seu nome cantado a cada vez que visitar o Signal Iduna Park. Através de seu trabalho árduo, foi um símbolo do sucesso no Dortmund bicampeão nacional.