Bundesliga

Não conseguimos competir em algumas áreas de transferências e salários, diz diretor do Dortmund

Sebastian Kehl afirmou que o Dortmund não aceitará ser deixado para trás, apesar de desvantagens financeiras

O Grupo F é o mais forte e equilibrado da Champions League. E também um retrato do futebol atual. Tem Paris Saint-Germain e Newcastle, financiados pelos fundos soberanos de países muito ricos. Tem o Milan, que passou por um processo de reconstrução e austeridade e agora tem o apoio da empresa de investimentos americana Red Bird. E o Borussia Dortmund, uma potência no futebol alemão, mas em um modelo mais sustentável que, segundo seu diretor esportivo Sebastian Kehl, o coloca em desvantagem competitiva no cenário europeu.

O Dortmund fez um trabalho fenomenal de reconstrução desde que quase entrou em falência na virada do século. Ganhou títulos da Bundesliga e chegou a uma final europeia. Com um estádio grande e sempre lotado, excelentes vendas como as de Erling Haaland e Jude Bellingham e sendo figurinha carimbada na Champions League, tem poder de investimento relevante e superioridade financeira em relação à maior parte da Alemanha – exceto Bayern e, talvez, o RB Leipzig.

Quando o assunto é o futebol europeu, porém, a história é outra.

– Há novos players no mercado. O Newcastle investiu uma quantidade incrível de dinheiro, assim como o Milan. Tivemos que passar muito tempo lidando com esses desafios. Precisamos da Champions League todos os anos por razões econômicas e não aceitaremos que simplesmente nos deixem para trás em termos esportivos. Sim, temos desvantagens competitivas em comparação com clubes que têm proprietários bilionários ou países inteiros por trás deles. Temos que ganhar nosso próprio dinheiro e sempre teremos que garantir que vendemos jogadores – disse.

Essa é uma das coisas que o Dortmund precisa fazer com mais frequência que clubes mais ricos. Não que o Milan, por exemplo, não seja obrigado a vender de vez em quando ou não fique suscetível a perder seus principais jogadores, como Sandro Tonali, que recentemente se transferiu ao Newcastle. No Signal Iduna Park, porém, é uma política. É raro que um mercado de transferências termine sem uma grande venda.

Bellingham, Haaland e Jadon Sancho foram embora em cada uma das últimas três temporadas. Um pouco mais para trás, Christian Pulisic e Ousmane Dembélé renderam bastante dinheiro. Houve um mercado em que Mats Hummelss, Henrikh Mkhitaryan e Ilkay Gündogan se foram de uma vez só. A transferência de Mario Götze ao Bayern de Munique, antes da final da Champions entre os dois times, gerou muita polêmica. Em uma realidade financeira muito diferente da atual, com valores menores, as vendas Nuri Sahin e Shinji Kagawa foram relevantes.

– Eu também gostaria de manter um Jude Bellingham, quando você vê a marca que ele já está deixando no Real Madrid. No entanto, queremos ter um papel importante na Europa. Não podemos mais competir em algumas áreas de transferências e salários. Temos que aceitar isso e tirar nossas conclusões. Temos que ser mais criativos, mais corajosos, às vezes contratar jogadores de graça e possivelmente trazer jogadores jovens ainda mais cedo – afirmou.

Um exemplo que ele citou foi o do ponta belga Juran Duranville, contratado do Anderlecht no último mês de janeiro por € 8,5 milhões, aos 17 anos. Sofreu com lesões e fez apenas um jogo pelo time principal. Outro foi a transferência do lateral Julian Ryerson, do Union Berlim, na mesma janela.

– Duranville está crescendo, mas infelizmente luta continuamente contra lesões. Estamos construindo-o com cuidado e acreditando nele, mas é isso que acontece. Leva tempo. Ryerson também foi uma solução corajosa, ou seja, contratar alguém do Union Berlim no inverno que não era imediatamente conhecido por todos os treinadores. Isso é importante para nós. Também será corajoso trazer novamente talentos das academias de jovens para que possamos nos beneficiar do nosso trabalho lá – afirmou.

Em casa, buscar o título

Internamente, precisa lidar com um colosso todos os anos. O Bayern de Munique ganhou as últimas 11 edições da Bundesliga, embora tudo indicasse que a mais recente ficaria com o Borussia Dortmund. Apesar de também se ver em desvantagem em relação aos bávaros, Kehl enfatizou que, na Alemanha, o principal objetivo é ser campeão, mas não pode ser o único.

– Não é uma tarefa fácil para todo o clube e seus funcionários sentirem que têm que justificar o fato de ficarem em segundo lugar todos os anos. Temos o direito de buscar a ascendência e voltar a sermos campeões alemães. Seremos capazes de quebrar o domínio do Bayern em certo ponto. Somos sempre o desafiante número um aos olhos das pessoas. No final, ainda é preciso fazer com que a motivação e a satisfação das pessoas não dependam apenas do primeiro lugar ou de um título, porque essa corrida que queremos vencer é, do ponto de vista econômico, desigual. Independente do fato de que deveríamos ter vencido o último – disse.

– Será importante fazer com que o estádio viva algo especial, para oferecer sempre um futebol emocionante. Também podemos nos orgulhar de ter tido estrelas como Erling Haaland e Jude Bellingham em nossas fileiras e de tê-las desenvolvido. Além dos títulos, outras facetas que simplesmente tornem este clube especial. E ainda temos essas e muitas outras. Ser especial só porque você é o primeiro não pode ser nossa abordagem. Porque isso nem sempre terá sucesso – encerrou.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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