Responsável pelo VAR na Alemanha quer que árbitros se comuniquem com o público como na NFL
A Bundesliga adotou o assistente de vídeo (VAR) na temporada 2017/18, sendo uma das primeiras das grandes ligas a fazer isso. Com a segunda temporada com o assistente de vídeo, as críticas seguem fortes de alguns setores da imprensa e também torcedores. A DW entrevistou o responsável pelo VAR na liga alemã, Lutz Michael Fröhlich, e ele defendeu o sistema e disse que a expectativa de perfeição é que é irreal. E falou de uma proposta interessante: que os árbitros usem headset e possam se comunicar com o público, como acontece na NFL, a liga de futebol americano.
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“Talvez alguns torcedores tenham a expectativa que a introdução do VAR levaria a um futebol ser completamente justo, sem qualquer discussão. Mas este nunca será o caso. O objetivo desde o começo era reduzir o número de erros gritantes para tornar o jogo mais justo. Nós fizemos um bom progresso por esse caminho. Mesmo que as coisas não sejam, de maneira alguma, perfeitas”, explicou o dirigente.
“Internacionalmente não há o nível de críticas existente na Alemanha. Na Espanha e na Holanda, por exemplo, você ouve muito mais sobre os aspectos positivos no discurso público, mesmo que haja apenas oito imagens de oito câmeras disponíveis nos estádios. Nós temos 21 câmeras em cada partida”, afirmou Fröhlich.
Uma crítica feita ao VAR usado na Bundesliga é falta de transparência. Há uma cobrança que as imagens vistas pelo árbitro sejam mostradas no estádio, como aconteceu na Copa do Mundo. “Na Copa do Mundo eles tiveram novos estádios com tecnologia no estado da arte. Nem todos os estádios da Bundesliga têm capacidade de mostrar essas imagens e nós não iremos mostrar em alguns estádios e não em outros. Eu não posso dizer ando haverá uniformidade. Nós também queremos que o árbitro possa explicar a sua decisão para os torcedores no estádio com um headset, como acontece no futebol americano”, disse o dirigente.
Para estar em constante melhora, o dirigente disse que há uma avaliação sobre o uso dos assistentes de vídeo de forma constante e sistemática. “Depois de cada rodada, nós discutimos com os VAR o que foi bom e o que poderia ser melhorado. Não apenas os árbitros são avaliados, há também uma avaliação do sistema para o VAR”, disse ainda Fröhlich.
Um dos pontos que mais gera discussões são os lances de mão, se é mão ou se não é mão, especialmente quando gera um pênalti. “Ao longo da temporada, nós ficamos mais perto de uniformizar a interpretação da regra, algo que nós conseguimos com a aprovação dos clubes da Bundesliga. Em essência, é falta quando a mão está em uma posição que não é natural no momento do contato, como no caso de um braço estendido. Mas nós entendemos a discussão. Nós precisamos de uma clara definição em nível internacional. É aí que entra a International Football Association Board (IFAB)”, analisou ainda o responsável pelo VAR.



