Bundesliga

O St. Pauli desfruta sua melhor sequência na história do dérbi, bate o Hamburgo de novo e tira os rivais da zona de acesso

A cidade de Hamburgo viveu seu grande dérbi em condições alheias às glórias e ao furor nas arquibancadas. St. Pauli e Hamburgo se enfrentaram numa segunda-feira, pela segunda divisão, diante de tribunas vazias no Estádio Millerntor. E se o clássico fica aquém do que poderia ser, por todo o contexto, é ainda mais amargo aos Dinossauros. O St. Pauli aproveita bem as penúrias do Hamburgo na divisão de acesso e melhora seu histórico no confronto, com uma hegemonia recente. Desta vez, os Piratas arrancaram a vitória por 1 a 0 no apagar das luzes e tiraram o HSV das três primeiras colocações da tabela, o que não acontecia desde dezembro.

Apesar das arquibancadas vazias, a torcida do St. Pauli deu seu jeito de marcar presença no Millerntor. A entrada dos times foi marcada por um imenso foguetório nos arredores do estádio, e não apenas em um setor. Além disso, diversas faixas de apoio foram estendidas nas tribunas.

Quando a bola rolou, o Hamburgo lamentou bastante a falta de sorte no primeiro tempo. Foram duas bolas na trave em 20 minutos, com Sonny Kittel e Gideon Jung estalando o metal. Apesar dos sustos, o St. Pauli melhorou com o passar dos minutos e também poderia ter saído em vantagem, num clássico de alta intensidade. Guido Burgstaller esteve próximo de deixar sua marca, numa pressão contínua dos Piratas.

Na volta ao segundo tempo, o St. Pauli teve um pênalti negado pela arbitragem, mas também viu um gol do Hamburgo ser anulado por um toque de mão. Os Dinossauros tentavam responder, mas os Piratas seguiam melhores, sem que Burgstaller aproveitasse as principais chances. A espera pelo gol durou até os 43 do segundo tempo, quando Daniel-Kofi Kyereh definiu a vitória com um golaço. Rodrigo Zalazar lançou e Luca-Milan Zander ajeitou para trás, antes que o herói da noite acertasse uma sapatada nas redes, vencendo o goleiro Sven Ulreich. Nos acréscimos, Tim Leibold ainda foi expulso pelo HSV.

Desde que o Hamburgo foi rebaixado, o dérbi aconteceu seis vezes na segunda divisão. Os Dinossauros só venceram um deles, por 4 a 0, e na primeira temporada. Nos últimos quatro jogos, são três vitórias do St. Pauli e um empate. Esta é a melhor sequência da história dos Piratas no clássico, superando até mesmo a virada dos anos 1940 para os 1950, quando atravessavam fase superior à dos Dinossauros. Além disso, é a primeira vez desde 1951 que o St. Pauli vence dois confrontos seguidos dentro de casa contra os rivais – um feito inédito desde a inauguração do Millerntor.

O St. Pauli é o time em melhor momento na segundona. Os Piratas emendaram cinco vitórias seguidas e, com 31 pontos, estão distantes da zona de rebaixamento – depois de passarem boa parte do primeiro turno no Z-2. Já o Hamburgo volta a sofrer com a ameaça de não subir. Lá se vão quatro rodadas sem vencer, deixando o G-3. Bochum e Holstein Kiel ocupam a zona do acesso direto, ambos com 45 pontos; Já o Greuther Fürth é o terceiro colocado e hoje iria aos playoffs, com 43. O clássico é mais um motivo ao sofrimento nestes anos horríveis dentro do Volksparkstadion.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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