Bundesliga

O imparável Dembélé destoa e, enfim, leva o Dortmund de volta à glória na Copa da Alemanha

Talvez não haja característica mais sobressalente no atual elenco do Borussia Dortmund que sua juventude. É o sangue novo que potencializa o estilo de jogo veloz dos aurinegros e cria expectativas para os próximos anos. Mas que também vale demais ao presente no Signal Iduna Park, algo evidente neste sábado, com a conquista da Copa da Alemanha. Christian Pulisic e, sobretudo, Ousmane Dembélé tiveram atuações decisivas para a celebração no Estádio Olímpico de Berlim. Com participação de seus garotos em ambos os gols, o time de Thomas Tuchel derrotou o Eintracht Frankfurt por 2 a 1. Ergue a taça pela quarta vez, a primeira desde a memorável decisão de 2012, quando bateu o Bayern de Munique por 5 a 2, e se refaz dos três vice-campeonatos consecutivos.

O Dortmund partiu para cima do Eintracht Frankfurt desde os primeiros minutos. Colocando as Águias contra a parede, conseguiram abrir o placar aos oito. Jogada magistral de Dembélé, de atuações fantásticas nesta temporada. O francês deixou o marcador no chão antes de fuzilar o goleiro Lucas Hradecky, sem qualquer chance de defesa. Os aurinegros continuaram melhores até os 20 minutos, quando os desafiantes conseguiam encontrar mais espaços no ataque e avançavam com velocidade, criando perigo constante.

O empate do Frankfurt saiu aos 28 minutos. Méritos de Mijat Gacinovic, que roubou a bola e passou para Ante Rebic arrematar na saída de Roman Bürki, estufando as redes. E o time de Niko Kovac bem que poderia ter arrancado a virada. Defendendo com consistência, a equipe teve uma oportunidade claríssima com Haris Seferovic, mas o chute rasante bateu na trave, antes de ser neutralizado pela defesa.

Para o segundo tempo, o Dortmund voltou com outra atitude e com mudanças. Marco Reus (sentido lesão, para variar) e Marcel Schmelzer deram lugar a Christian Pulisic e Gonzalo Castro. O americano participava bastante do jogo, enquanto Dembélé se aproximou do ataque e infernizou os marcadores adversários. A pressão era intensa e o Frankfurt se segurava como podia, com Jesús Vallejo salvando uma bola quase em cima da linha, na sequência de bom lance de Shinji Kagawa. Já aos 17, Dembélé protagonizou uma jogada fantástica, servindo Aubameyang. O artilheiro emendou a bicicleta, mas Marco Fabián salvou incrivelmente em cima da linha, em bola que ainda espirrou na trave.

O gol do título, de qualquer forma, não tardaria a vir. Pulisic tentou driblar Hradecky e foi derrubado pelo goleiro adversário. Pênalti, que Aubameyang cobrou com cavadinha, retomando a vantagem. Depois disso, o Eintracht Frankfurt tentou pressionar e rondou a área aurinegra, insistindo nos cruzamentos, mas não conseguiu passar por Roman Bürki, com boas intervenções. Apesar disso, a melhor oportunidade de marcar mais uma vez foi do Dortmund. Em contra-ataque fulminante, Auba finalizou no capricho e o chute triscou o travessão antes de sair.

Se não cumpriu as expectativas na Bundesliga, longe de competir com o Bayern de Munique, o Dortmund ao menos garante um belíssimo motivo para comemorar. Depois de todas as frustrações na Copa da Alemanha durante os últimos anos, o triunfo sobre o Eintracht Frankfurt tira um peso das costas e premia devidamente a atual geração. Além disso, também sublinha o protagonismo de Ousmane Dembélé, um craque que já chegou pronto para brilhar no Signal Iduna Park. Seu amadurecimento ao longo da temporada é sensível, ainda que nem sempre tome a melhor decisão na conclusão das jogadas. A atuação brilhante no triunfo sobre o Bayern nas semifinais já tinha valido demais, e se complementa pelo papel na final. Por outro lado, diante dos rumores, esta pode ser a despedida vitoriosa de Aubameyang. Mas, entre dúvidas e certezas, o momento é de sorrir para o futuro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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