Bundesliga

O Hoffenheim tombou o gigante e provocou um terremoto, ao golear o Bayern por inapeláveis 4 a 1

Quando o Bayern de Munique pegava embalo no início do ano, uma das melhores atuações aconteceu na PreZero Arena. A partida contra o Hoffenheim ficou marcada por assuntos extracampo, após os insultos a Dietmar Hopp, mas a exibição dos bávaros naqueles 6 a 0 foi avassaladora. O reencontro deste domingo trazia o time de Hansi Flick aclamado pela Tríplice Coroa, mas também um Hoffe diferente, ao buscar o técnico Sebastian Hoeness – contratado justamente após levar o Bayern II ao título da terceira divisão. E os alviazuis deram uma aula de como parar a máquina adversária. Foi uma atuação perfeita do Hoffenheim, pela forma como travaram o ataque oponente e também pela quantidade de chances criadas nos contragolpes. Se os anfitriões fossem um pouco mais efetivos, dava até para imaginar um placar maior que os 4 a 1 aplicados, encerrando de maneira enfática os 32 jogos de invencibilidade do Bayern.

Após conquistar a Supercopa da Uefa na última quinta-feira, num jogo desgastante contra o Sevilla, o Bayern veio com mudanças. Alphonso Davies e Jérôme Boateng apareciam na defesa, enquanto Corentin Tolisso ganhava um espaço no meio, no lugar de Leon Goretzka. Mas a mudança mais significativa era a ausência de Robert Lewandowski, no banco, com Joshua Zirkzee comandando o ataque. Já o Hoffenheim apostava num 3-4-3 compacto e veloz. O trio de frente merecia cuidado por combinar velocidade e potência, em linha formada por Munas Dabbur, Andrej Kramaric e Christoph Baumgartner.

A partida não começou dando indicativos de que a sequência do Bayern se interromperia. Os bávaros passaram os cinco primeiros minutos no campo de ataque, muito embora a defesa do Hoffenheim resistisse bem. Com o passar do tempo, os alviazuis saíam à frente e atuavam de uma maneira direta, que parecia deixar os bávaros em apuros. Impressão confirmada aos 16, a partir de uma cobrança de escanteio. Dennis Geiger bateu em direção à pequena área e, no primeiro pau, Ermin Bicakcic desviou com uma casquinha. Alphonso Davies ainda tentou salvar em cima da linha, mas não conseguiu evitar o tento. E o baque logo se tornaria maior.

Aos 24, o Hoffenheim abriu dois gols de vantagem no placar. Um ataque rápido permitiu que os alviazuis ampliassem. Depois de um chutão do goleiro Oliver Baumann, Benjamin Pavard tentou travar no meio e passou para trás. Abriu o caminho para que Munas Dabbur acelerasse e desse um toquinho na saída de Neuer. O Bayern era irreconhecível em relação aos últimos jogos, sobretudo pela maneira como seu ataque era inócuo. Até então, os bávaros não tinham criado ocasiões de gol – no máximo, reclamado de um pênalti sobre Thomas Müller.

Desorganizado, o Bayern tentava achar um gol. E se expunha para que o Hoffenheim anotasse o terceiro. Isso só não aconteceu porque Neuer realizaria boa defesa diante de Andrej Kramaric. Somente nos 15 minutos finais é que os bávaros realmente esboçaram algo. O gol para encostar no placar saiu aos 36 minutos, num lindo chute colocado de Joshua Kimmich, que não deu qualquer chance de defesa a Baumann. O lance ainda guardou a reclamação dos anfitriões, já que Bicakcic estava caído no momento – e o zagueiro precisaria ser substituído por uma torção.

O gol sinalizava uma reação do Bayern, mas isso não se notou dentro de campo. A equipe não aproveitou o momento e seguia vulnerável atrás. Tanto é que, em outro lance, o Hoffenheim ficou no limite de ampliar. Kramaric encheu o pé e Neuer desviou a bola no reflexo, ainda contando com a sorte de vê-la batendo na trave. E o início do segundo tempo traria outro susto aos bávaros, com Dabbur errando o alvo em boas condições. Apesar disso, os minutos seguintes pareciam um pouco mais nas mãos do time de Hansi Flick.

O problema do Bayern era mesmo a falta de espaço. A defesa do Hoffenheim realizava um ótimo trabalho para trancar a sua área e não permitia a penetração dos bávaros. As jogadas pelas pontas não funcionavam. E quando Zirkzee levou perigo, Baumann desviou contra o travessão. Nem mesmo as entradas de Robert Lewandowski e Leon Goretzka aos 12 minutos melhoraram a situação dos visitantes, com ambos muito bem combatidos pela zaga. E o cenário voltaria a piorar, sobretudo a partir dos 30, quando o Hoffe voltou a encaixar seus contra-ataques.

Neuer precisou realizar uma ótima defesa aos 29, numa bola venenosa de Robert Skov. Três minutos depois, os alviazuis enfim marcaram o terceiro. Depois de mais uma ligação direta, Ilhas Bebou recebeu livre na direita. O atacante bateu para o meio da área e Kramaric teve tempo de dominar com a coxa, antes de finalizar às redes. Neste momento, o Bayern estava atordoado. Lançou-se ao ataque com mais afobação e Neuer já jogava na intermediária para cortar os lançamentos. O Hoffenheim desperdiçou dois bons contragolpes, num chute para fora de Kramaric e num passe errado de Bebou. Já nos acréscimos, veio o golpe de misericórdia. Bebou arrancou e, na entrada da área, Neuer cometeu o pênalti. Kramaric encheu o pé na cobrança e decretou a goleada.

A vitória é um excelente cartão de visitas a Sebastian Hoeness. O jovem treinador mereceu a chance na primeira divisão, pela maneira como conquistou a terceirona com uma equipe jovem e ofensiva. Em duas rodadas, o início de trabalho não poderia ser mais promissor, depois de já ter batido o Colônia na abertura da Bundesliga. Neste domingo, o Hoffenheim atuou de maneira muito concentrada e trabalhou duro para se proteger na defesa. Além disso, sabia muito bem como explorar as fraquezas do Bayern. Kramaric e Dabbur foram perigosíssimos, assim como Bebou na reta final da partida.

Já o Bayern sucumbe em problemas que estavam expostos, mas outros não souberam aproveitar. Desta vez Neuer não conseguiu preponderar, ainda que até tenha adiado a goleada. Mas o maior problema dos bávaros nem foi necessariamente a vulnerabilidade atrás, mas como a falta de contundência na frente não permitiu a reação. Mesmo com 15 finalizações, a quantidade de chances claras foi baixa. O time não se encaixou dessa vez e o descanso a Lewandowski prejudicou a imposição inicial, mesmo que o centroavante não tenha saído tão bem do banco de reservas.

O Hoffenheim assume a liderança da Bundesliga, com seis pontos e mais gols anotados que o Augsburg. Mostra-se uma equipe para se ficar de olho, pelo equilíbrio e pela inteligência exibidos neste domingo. Já o Bayern fica com os três pontos garantidos na estreia. Depois da goleada impressionante contra o Schalke, os bávaros viram que não são imbatíveis. A má atuação, de qualquer maneira, parece mais um ponto fora da curva. Resta saber se outros times conseguirão subjugar os alvirrubros da forma como o Hoffe realizou.

Bayern x Hoffenheim (Fonte: WhoScored)

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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