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O Hertha demite Sandro Schwarz e recorre novamente a Pál Dardái para tentar a salvação

Depois da derrota no confronto direto com o Schalke, o Hertha resolveu mudar de técnico para as seis rodadas finais

Durante as últimas cinco temporadas, o Hertha Berlim não passou da décima colocação na Bundesliga. O desempenho se tornou pior mais recentemente e a Velha Senhora escapou do rebaixamento apenas nos playoffs durante o último ano. E o risco parece ainda mais real na atual campanha. A derrota por 5 a 2 na visita ao Schalke 04 jogou o Hertha para a lanterna, como ainda não havia acontecido em 2022/23. Sobrou para Sandro Schwarz: o treinador recebeu boas doses de paciência da direção, mas acabou demitido antes das seis últimas rodadas. Pál Dardái novamente retorna ao Estádio Olímpico, depois de evitar a queda em 2015 e em 2021, mas desta vez para uma missão mais difícil de salvação.

A crise do Hertha Berlim é muito mais ampla. E começa na própria gestão, com a frustrada passagem de Lars Windhorst como proprietário da Velha Senhora. O magnata chegou prometendo colocar o Hertha de volta na Champions League, e até foi importante para atenuar os prejuízos durante a pandemia. Contudo, o time nunca engrenou com seus investimentos, mesmo gastando bastante no mercado de transferências. O resultado foi uma crise institucional que se agravou, com a revelação de um caso no qual Windhorst contratou uma empresa de espionagem israelense para derrubar o presidente do clube. O empresário não sustentaria sua posição como dono e, em março, vendeu sua participação para a 777.

Os novos proprietários não têm influência direta nos péssimos resultados. Pelo contrário, esperava-se que pudessem trazer uma experiência maior para os bastidores do Hertha em relação ao que ocorreu com Windhorst. Porém, a margem de manobra era mínima diante dos péssimos resultados dentro de campo. Ao longo da atual Bundesliga, a Velha Senhora nunca passou do 13° lugar e nunca emendou duas vitórias consecutivas. São apenas cinco triunfos em 28 compromissos, em situação cada vez mais preocupante. Se os berlinenses estavam mal antes da pausa para a Copa, voltaram piores na retomada da campanha em janeiro.

Desde então, o Hertha Berlim conquistou apenas oito pontos em 39 disputados. As goleadas sofridas foram constantes, com sete partidas nas quais os berlinenses sofreram pelo menos três gols. A pressão sobre Schwarz era imensa, mas a diretoria ainda bancou por bastante tempo a permanência do comandante, respaldado por trabalhos anteriores em Dinamo Moscou e Mainz 05. Talvez a queda do diretor de futebol Fredi Bobic em janeiro, logo depois da derrota no dérbi de Berlim, tenha retardado a demissão de Schwarz. De qualquer maneira, o revés no confronto direto com o Schalke 04, num 5 a 2 que relegou o Hertha à lanterna, se tornou uma gota d'água.

A aposta em Pál Dardái também não surpreende. É a confiança em um homem da casa. Nos tempos de jogador, o húngaro disputou 373 partidas pela Velha Senhora. Virou técnico da base e depois subiu ao time principal, exatamente para evitar a queda em 2015. Cumpriu a missão e ficou quatro anos no posto, até resolver retornar para a base. Já em janeiro de 2021, Dardái foi chamado novamente para evitar o descenso na Bundesliga. Conseguiu uma subida de produção na metade final do campeonato de 2020/21, mas acabou demitido em novembro de 2021, sem engrenar na nova temporada. A saída de Bobic, com quem não tinha boa relação, ajudou a abrir as portas novamente.

O elenco do Hertha Berlim é mais forte que o de outros concorrentes que lutam pela sobrevivência. Entretanto, impressiona como a Velha Senhora não consegue formar um time competitivo nos últimos anos. Além do mais, os medalhões remanescentes da “Era Windhorst” são cada vez mais escassos. O grupo também sofreu perdas nos últimos anos, sem contratar no mesmo nível. A bola de nove só aumenta e a situação realmente preocupa, diante de uma sucessão de erros que aumenta o pesadelo do rebaixamento. Curiosamente, um dos trunfos de Dardái estará na presença de seu filho, Márton Dardái. O jovem de 21 anos, além de se firmar como titular da zaga, pode servir de termômetro sobre a situação nos vestiários.

Durante as seis últimas rodadas, o Hertha Berlim possui dois confrontos diretos em casa: recebe o Stuttgart e o Bochum. São duas partidas em que a vitória se tornará essencial para fugir da queda. Em compensação, o duelo fora de casa contra o Bayern de Munique tende a custar pontos. A tabela ainda indica um cenário acessível, a cinco pontos de alcançar o Bochum foram do Z-3 e a dois de chegar pelo menos nos playoffs contra o terceiro colocado da segundona, com Stuttgart e Schalke logo à frente na tabela.

A questão para o Hertha Berlim é que a sequência atual não transmite qualquer confiança. E o tal “fato novo” do técnico contratado talvez não gere o efeito esperado, mesmo com Pál Dardái conhecendo tão bem os corredores do Estádio Olímpico. Desta vez, ao menos, recorreram a alguém da casa – e não a um medalhão como Felix Magath, responsável pela reviravolta em 2021/22, mas por um triz. As esperanças são diminutas quando se olha para a realidade.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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