Bundesliga

O Hertha Berlim carece de lideranças e, para ganhar mais equilíbrio, leva Khedira de volta à Bundesliga após 11 anos

Mais de uma década depois de deixar a Alemanha, Sami Khedira está de volta à Bundesliga. Num fechamento de janela morno na Europa, o meio-campista se tornou um dos nomes mais relevantes ao trocar de clube: assinou com o Hertha Berlim. O veterano de 33 anos vinha sendo pouco aproveitado pela Juventus e sai da Velha Senhora sem custos, depois de quase seis anos vestindo a camisa bianconera. Agora, vai defender a Velha Senhora da Alemanha, que precisa mesmo de novas lideranças e passa um momento ruim diante das ameaças de rebaixamento na Bundesliga.

O Hertha Berlim venceu apenas um de seus últimos nove jogos pela Bundesliga. O clube está fora da zona de rebaixamento apenas graças ao saldo de gols e, na rodada anterior, já tinha realizado mudanças importantes em seu comando. O técnico Bruno Labbadia foi demitido, assim como o diretor Michael Preetz. O treinador Pál Dárdai reassumiu a equipe, enquanto Arne Friedrich subiu de cargo para liderar a diretoria dos berlinenses. O ex-defensor seria um fator decisivo à contratação de Khedira, convencendo o antigo companheiro de seleção.

Khedira não atua em bom nível há três temporadas. Os problemas físicos e a falta de velocidade têm marcado o declínio do volante durante os últimos anos. Assim, pouco jogou pela Juventus desde 2018/19. Com diferentes lesões e até mesmo um problema no coração, o veterano esteve em campo apenas dez vezes na Serie A retrasada. Na edição passada do campeonato, precisou operar o joelho e também teve outro problema nos adutores, com somente 12 aparições. Fora dos planos de Andrea Pirlo, sequer entrou em campo no último semestre. Seria uma despedida silenciosa em Turim, embora o alemão dissesse compreender a mudança empreendida pelo novo treinador. A Juve abriu a mão do jogador sem receber nada, mais interessada em enxugar sua folha de pagamentos.

O ciclo de Khedira em alto nível parece finalizado. Depois de estourar com a camisa do Stuttgart, o meio-campista pôde defender dois dos maiores clubes da Europa. Foi um jogador importante no Real Madrid, mesmo sem tomar a posição como titular absoluto. Seu ápice acontece durante a conquista da Champions de 2013/14. Já na Juventus, teve alguns bons momentos, mas logo sentindo a queda física e perdendo espaço. Sua fama corresponde bem mais ao que conquistou pela seleção da Alemanha, sobretudo pelo ótimo papel na Copa do Mundo de 2014. Nos últimos meses, o veterano até manifestou o desejo de atuar na Premier League, o que não se concretizou. Agora, volta para casa.

Khedira tem uma ligação forte com o Stuttgart, especialmente pela conquista da Bundesliga em 2006/07, ao surgir no time principal e logo se tornar importante ao título. Porém, o medalhão parecia incompatível à renovação que os suábios realizam. O veterano acaba abraçando o projeto esportivo do Hertha Berlim. Apesar de alguns negócios midiáticos e caros nos últimos meses, os alviazuis carecem de lideranças em campo. Possuem uma equipe desequilibrada e um tanto quanto individualista. Khedira pode ser essencial como esse ponto de equilíbrio, a partir das novas ideias introduzidas por Pál Dárdai.

“O Hertha não mediu esforços para me ajudar e me ofereceu a oportunidade de voltar à Bundesliga. Sou grato por isso. Honestamente, mal espero para estar em campo pela primeira vez com esta camisa. Eu me sinto muito bem fisicamente e, com a experiência que adquiri, gostaria de ajudar o time a alcançar novos sucessos”, declarou Khedira, em sua apresentação. Antes dos sucessos, terá que arregaçar as mangas.

Além de Khedira, o Hertha anunciou apenas mais um reforço para esta janela de janeiro: o ponta Nemanja Radonjic, que chega por empréstimo do Olympique de Marseille. Ainda existiam rumores de que a Velha Senhora pudesse acertar com Ivan Perisic, mas o negócio parece improvável a esta altura. Pela qualidade individual à disposição, os berlinenses podem ter um desempenho bem melhor na Bundesliga, distante dos riscos de descenso. A torcida agora espera que Khedira capitaneie esta nova fase.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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