Bundesliga

O Dortmund perdeu sua estrela, mas buscou perspectivas no atual mercado

O Borussia Dortmund sai enfraquecido desta janela de transferências. Aliás, nada que não tenha acontecido recorrentemente com os aurinegros nos últimos anos. Para quem vê o copo meio vazio, o clube alemão perdeu seu artilheiro e principal jogador, após uma longa novela repleta de desentendimentos e maus resultados. Entretanto, a venda de Pierre-Emerick Aubameyang também pode não ser tão ruim quanto parece. O atacante de 28 anos se foi por £60 milhões, um bom valor aos cofres do Signal Iduna Park. Além disso, o elenco se desfez de uma “laranja podre”, que já tinha estourado a paciência da torcida, até por não ser um centroavante exatamente infalível. E se essa temporada não termina com as altas ambições que surgiram em suas primeiras semanas, Peter Stöger tem as ferramentas para preparar a transição.

A reposição no ataque é Michy Batshuayi, emprestado pelo Chelsea. Não é um atacante explosivo como Aubameyang, mas pode ter a sua serventia no time. O belga não continuou em Stamford Bridge mais por resistência de Antonio Conte do que necessariamente por outros problemas. Em compensação, conhece bem o caminho das redes graças ao seu oportunismo. Apesar dos poucos minutos em campo ao longo da temporada, anotou gols com boa frequência. Precisou de 96,7 minutos a cada tento marcado. Foram apenas dois na Premier League, mas dez nas copas nacionais e na Champions.

Enquanto Batshuayi é uma solução temporária, o Borussia Dortmund tem outras opções. Caso alguém ainda possua paciência dos lados do Signal Iduna Park, André Schürrle pode entrar como atacante centralizado. Mas quem realmente precisa pedir passagem é Alexander Isak. A cobrança sobre o prodígio de 18 anos aumenta, após ser contratado com grande repercussão do futebol sueco. Ele vai ganhando minutos. E as expectativas são de que possa se tornar a primeira opção na linha de frente em breve. Em um momento da temporada no qual a poeira abaixa, o garoto encontra um cenário favorável para mostrar as credenciais.

No mais, em um elenco que sofre com as lesões, as fichas se depositam em adolescentes. Depois de Christian Pulisic, o novo nome a se observar é o de Jadon Sancho. Contratado junto ao Manchester City, o ponta de 17 anos virou titular neste início do segundo turno e mostra personalidade. Enquanto os aurinegros emendam empates, ele se tornou uma rara boa notícia. A atuação contra o Hertha Berlim, sobretudo, quando deu assistência e infernizou a defesa dos berlinenses, serviu para referendar o espaço concedido por Peter Stöger.

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E, além de Batshuayi, a outra contratação do fechamento da janela é também um menino: Sergio Gómez, que militava nas categorias de base do Barcelona. De fato, La Masía não tem sido o rótulo de qualidade que se propagou em outros tempos. Mas não se nega que o meia de 17 anos possui potencial. Foi o camisa 10 da Espanha no último Mundial Sub-17, levando a Roja até a decisão e ganhando a Bola de Prata do torneio por seu desempenho individual. Longe de estrear pelo profissional dos blaugranas, precisa amadurecer num nível de exigência bem maior do que encontrava na base. O garoto é descrito como um meia versátil, ágil, que sabe trabalhar em espaços reduzidos e tem muita precisão em sua perna esquerda. Não à toa, alguns o consideram o melhor talento de 2000 na Espanha.

Por fim, um acréscimo anterior do Borussia Dortmund na janela de transferências foi o zagueiro Manuel Akanji, comprado por €21,5 milhões do Basel. O suíço de 22 anos, descendente de nigerianos, despontou apenas recentemente. Virou titular dos Rot-Blau na temporada passada e vinha se destacando na atual, especialmente por sua participação na Liga dos Campeões. Além disso, também virou titular da Suíça na reta final das Eliminatórias. Une presença física e potencial de evolução. Mas precisa atender urgências mais evidentes, diante de todos os problemas defensivos que tiraram o sono no Signal Iduna Park nos últimos tempos.

Longe de poder competir com o Bayern de Munique na Bundesliga, o Borussia Dortmund foca em objetivos mais modestos. A briga é para se garantir na zona de classificação à Liga dos Campeões, algo que não deve ser tão simples, diante de todo o equilíbrio naquele pelotão da tabela. Além disso, a Liga Europa surge como uma possibilidade, após um semestre em que nada deu certo na Champions. Aubameyang seria um “atalho” para os objetivos. Mas, depois de todas as frustrações recentes, vale mais botar os pés no chão e trabalhar rumo ao longo prazo. Há um elenco razoável, jogadores prontos a despontar e (com sorte) protagonistas retornando do departamento médico. Na ausência de uma estrela comprovadamente em boa fase, mas problemática, o ambiente menos conturbado pode ajudar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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